quarta-feira, 29 de julho de 2015

A Importância das Variações Linguísticas para o Enem


Todos os falantes de um idioma sabem, empiricamente, as regras de funcionamento da língua. No entanto, conforme vivemos e convivemos, também descobrimos que essas normas não são utilizadas igualmente por todos os indivíduos, e isso ocorre por diversos fatores, como a faixa etária e o grupo social a qual pertence o falante. Essas diferenças recebem o nome de variedades ou variações linguísticas.
Por ser um tema atual que desperta debates na sociedade, tal assunto é abordado em um item da matriz de referências para o caderno de Linguagens, códigos e suas tecnologias. Neste artigo iremos abordar as causas mais comuns destas variações.

Variação Histórica

Ocorre por conta da transformação do idioma através do tempo. Como sabemos, a língua portuguesa não é estática e imutável e, durante sua utilização ao longo dos anos, pode haver a modificação da grafia de palavras, do significado e contexto para a utilização de expressões e até mesmo a forma de se falar. Para exemplos deste tipo de variação, veja na imagem abaixo como as palavras “crianças”, “farmacêutico”, “remédio” e “farmácia” estão grafadas.
variacao_historica

Variação Geográfica

Corresponde às variações ocorridas por causa da cultura regional do falante, influenciando não apenas a utilização de palavras, mas também a pronúncia característica de uma região, o que chamamos de sotaque.
Imagine o equipamento de trânsito utilizado pelas autoridades públicas para controlar o tráfego de veículos nas vias públicas. Dependendo da região em que você se encontra, esse equipamento poderá receber o nome de semáforo, sinaleiro ou sinal de trânsito. O mesmo ocorre quanto ao uso do termo biscoito e/ou bolacha para a denominação de doces recheados (caso você se sinta intrigado sobre esse assunto, recomendamos a leitra desta matéria.
Fonte: http://super.abril.com.br/blogs.
Fonte: http://super.abril.com.br/blogs.

Variações Socioculturais

São aquelas que ocorrem por causa das condições sociais dos indivíduos, já que estas influem diretamente no modo de se expressar. Pode-se dizer que o pertencimento a determinado grupo faz com que tenhamos um repertório específico, que se demonstra na maneira de falar e nas palavras escolhidas. Por exemplo, podemos citar as gírias utilizadas por adolescentes e os jargões profissionais – este último ilustrado na charge abaixo e explicado neste artigo sobre jargões corporativos.
Fonte: http://www.curseduca.com.br/blog/wp-content/uploads/2014/01/jarg%C3%B5es.jpg

Pobre Poeta

 Pobre Poeta: Apodrecem os livros de poesias na prateleira do poeta que partiu; ninguém lê, ninguém vê...  Poeira, traças, moscas e mofo fazem  com...

Exemplo de Questão sobre Escolas Literárias no Ene...

 Exemplo de Questão sobre Escolas Literárias no Ene...: Como vimos em nossa nova série de artigos sobre as escolas literárias luso-brasileiras, o  Quinhentismo  foi um movimento literário imp...

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dicas de Leitura sobre Maioridade Penal para o Enem


Como já alertamos diversas vezes, estar por dentro dos principais assuntos da atualidade, principalmente daqueles que envolvem uma problemática social brasileira, é de fundamental importância para todos que almejam uma boa nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Nos últimos meses, um dos debates mais acalorados certamente é a discussão da redução da maioridade penal. Um assunto que tem como plano de fundo a violência urbana brasileira e que, ainda por cima, traz diversos ingredientes do nosso conturbado cenário político atual. Ou seja, um receita ótima para aparecer no Enem, seja na parte objetiva ou mesmo como tema da redação da prova. Aliás, esse foi justamente o tema de redação do último vestibular da Unesp (clique aqui e veja a matéria!)
Afinal, um jovem de 16 anos deve responder à seus atos criminosos exatamente como um adulto?
Independente do seu posicionamento, separamos alguns artigos e matérias para que você possa fazer uma análise mais profunda sobre essa questão. Talvez, essas matérias reforcem suas convicções. Ou talvez, o faça repensá-las!
Vamos lá?

Matéria muito interessante do jornal Folha de São Paulo que revela como TODOS estamos discutindo a questão da redação sem, ao menos, ter um mapa sobre os crimes cometidos por jovens no país.

Uma frase muito comum em debates, dita principalmente pelos que são a favor da redução, é que um jovem de 16 anos sabe exatamente o que está fazendo e por isso deve responder pelos seus atos. Será mesmo? Que tal ler esta matéria, publicada pela revista Galileu, sobre o funcionamento do cérebro humano nessa fase da vida?

Esse assunto é tão importante que até nossa colunista de redação, a Professora Camila Dalla Pozza, já tratou de analisá-lo. E já que estamos tocando de novo nessa tecla, recomendamos que releia este artigo, no qual a professora levanta vários dados e pontos de vista, na tentativa de organizar a discussão de uma maneira sensata e coerente.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Escolas Literárias Luso-Brasileiras – Realismo

Para continuar os estudos em Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias do Enem, vamos apresentar uma nova escola literária, o Realismo/Naturalismo, que se inicia na segunda metade do século XIX, nos anos de 1881, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, do memorável Joaquim Maria Machado de Assis. Vale lembrar que Machado tem uma fase no Romantismo e outra no Realismo, sendo considerado um autor dos dois movimentos literários.
O Realismo foi um movimento artístico e cultural, abordando um tratamento objetivo da realidade, reagindo ao subjetivismo do Romantismo. Suas principais características foram:
  1. Abordagem de temas sociais e a objetividade da realidade do ser humano.
  2. Forte caráter ideológico.
  3. Linguagem política e de denúncia dos problemas sociais, como: miséria, pobreza, exploração, corrupção, dentre outros.
  4. Linguagem clara e objetiva.
  5. Crítica às classes sociais dominantes.
  6. Racionalismo/Impessoalidade.
  7. Cientificismo/Verossimilhança/Psicologismo.
  8. Universalismo.
O Realismo e Naturalismo têm os mesmos princípios científicos, artísticos e filosóficos, divergindo apenas que o Naturalismo tem um aspecto mais intenso das teorias científicas vigentes na época, principalmente o determinismo. (O determinismo biológico atribui as capacidades físicas e psicológicas do ser humano à sua etnia, nacionalidade ou o grupo ao qual pertence).
Vale lembrar, portanto, características exclusivas do Naturalismo:
  1. Homem = animal = instinto
  2. Preferência por temas sobre anomalias humanas, patologias sexuais, focando a classe mais baixa da sociedade.
Contexto histórico e social:
  • Abolição da escravatura (1988).
  • Proclamação da República (1989).
  • Revoltas Militares.
  • Especulação na Bolsa de Valores.
  • Surgimento das primeiras escolas de direito.
  • Entrada da filosofia positivista.
Os principais autores desse movimento, indicados abaixo, pertencem respectivamente ao Realismo e ao Naturalismo:
  • Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro etc.
  • Aluísio Azevedo: O Cortiço, Casa de Pensão e O Mulato.
Temos ainda, no Realismo português, Eça de Queiroz e suas maiores obras, como: O crime do padre Amaro, O Primo Basílio, Os Maias, A Cidade e as Serras.
O próximo movimento na literatura brasileira será o último do século XIX: O Parnasianismo e o Simbolismo, que se desenvolveram concomitantemente

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Duas Dicas Para Encarar Melhor o Vestibular

O vestibular certamente é um dos grandes desafios de um jovem. Talvez, o maior deles. Isso porque é neste momento que o estuante decide o que irá fazer para o resto da vida e, além disso, arcará com todas as dificuldades e consequências de sua escolha.
Uma vaga num curso concorrido, numa universidade conceituada, tem obviamente muitos candidatos. Não é nada fácil. Somando-se ainda a pressão da família e dos amigos, a falta de tempo (muitos trabalham e estudam!) ou ainda a falta de dinheiro, temos uma situação extremamente delicada, na qual a carga emocional pode levar facilmente ao estresse e ao desespero, impedindo que o vestibulando consiga se concentrar nos estudos.
Foi pensando justamente nisso que decidi escrever este artigo. Uma tentativa de mostrar aos candidatos mais ansiosos uma maneira diferente de olhar para esse período tão crítico. Farei minhas considerações em dois tópicos, para deixá-las mais claras.
  1. Este momento é decisivo, mas nem tanto.
    Eu sei que você está decidindo seu futuro, mas tenha calma. Tudo tem volta e essa não é sua única chance. Caso não seja aprovado, ano que vem poderá tentar novamente e, caso erre na escolha, não há problema em recomeçar. Tenho muitos amigos que chegaram a terminar um curso e, só depois, perceberam que não era o que queriam para sua carreira profissional. Mudaram, fizeram outra faculdade e se “deram bem” na vida. Ou seja, ao escolher errado, dá tempo de voltar sim!
  2. Não se preocupe com a prova e sim com seus concorrentes.
    Vejo muitos alunos com medo da prova, vasculhando notas de cortes de anos e anos atrás. Essa atitude, além de estressar, não faz o menor sentido. Afinal, não importa se o exame será fácil ou difícil, nem se a nota de corte foi alta ou baixa nas edições anteriores. O importante é você ir melhor que os outros. Por exemplo, caso um curso tenha 50 vagas e 1.000 candidatos, não importa se a prova será fácil ou difícil. Serão aprovados os 50 melhores candidatos. Portanto, sua meta é estudar o necessário para estar entre os classificados. Esqueça notas de corte e concorrência, pois só irá perder seu tempo. Deixe isso com os outros. Enquanto eles buscam tais informações, você estará estudando e se colocando entre os melhores.
Essas duas dicas, embora bastante simples, podem fazer toda a diferença neste momento. Afinal, a primeira fará com que você diminua, pelo menos um pouco, o peso que é enfrentar um vestibular. Já a segunda ajudará a manter a concentração nos estudos e na prova que está por vir, e não no que já passou.


infoEnem

Relação Entre o Arcadismo e a Filosofia de Rousseau

Temos analisado os Períodos da Literatura Brasileira, conteúdo cobrado no caderno de Linguagens e Códigos. Como o Enem é uma prova que valoriza a interdisciplinaridade, faremos uma ponte dessa matéria com um conteúdo de filosofia, cobrado no caderno de Ciências Humanas e que também pode ser utilizado na Redação.
Recentemente estudamos a escola literária conhecida como Arcadismo, cuja característica mais marcante é o conceito defugere urbem: a fuga das grandes cidades e da civilização, o retorno à natureza e a valorização da simplicidade.
O filósofo Jean-Jacques Rousseau viveu no século XVIII. Uma de suas principais obras é Do Contrato Social, na qual ele desenvolve sua teoria contratualista e define o estado de natureza do ser humano, ou seja, sua essência, seu aspecto natural, original. É válido lembrar que o estado de natureza é uma situação hipotética e metafísica.
É abordando o estado de natureza do homem, que Rousseau utiliza um dos termos mais lembrados de sua obra: o bom selvagem. A ideia é de que o ser humano tem uma natureza (essência) boa, com plena liberdade, mas que o convívio na sociedade civilizatória o corrompe, o modifica; e esse é um dos motivos que impedem que a civilização atinja o bem comum e a igualdade.
Fonte: Diário Catarinense
Fonte: Diário Catarinense
É comum relacionar a ideia de bom selvagem do Rousseau com o conceito de fugere urbem do Arcadismo. Essa relação faz sentido quando pensamos na fuga da civilização como forma de retorno à liberdade do indivíduo e à igualdade social. Entretanto, é importante não confundir o uso do termo “natureza”. No Arcadismo, defende-se realmente o retorno ao campo, à natureza no sentido de meio ambiente. Já Rousseau defende que a civilização corruptiva não afete a natureza do homem, no sentido de essência humana.
Para reforçar essa questão, recomendamos a leitura de um artigo de Catherine Larrère, da Universidade de São Paulo (USP), disponibilizado aqui.
Essa relação também pode ser abordada em redações com temas próximos ao discutido aqui. Por exemplo, no nosso Curso de Redação para o Enem, no qual são trabalhados 30 temas, no modelo do exame, com correção e acompanhamento semanal de professores especializados em Produção Textual. Um destes temas é Êxodo Urbano: a fuga das grandes cidades.

domingo, 19 de julho de 2015

Aspectos da filosofia de Santo Agostinho


Caso seja um aluno antenado, já deve ter percebido que conteúdos de filosofia e sociologia estão aparecendo bastante na prova do Enem, principalmente no caderno de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Que tal dar uma revisada num dos filósofos mais importantes da história? No artigo de hoje falaremos um pouco sobre o pensamento de Agostinho de Hipona, mais conhecido pela alcunha de Santo Agostinho, filósofo cristão que viveu entre 354 e 430 d.C.
Nascido em Tagaste, norte da África, região em que hoje se situa a Argélia, era filho de mãe cristã, porém se converteu ao cristianismo apenas depois de adulto, por volta dos trinta anos de idade. Tempos após sua conversão, tornou-se bispo de Hipona, o que dentro da estrutura religiosa da época era uma posição de destaque, a qual permitiu que seu pensamento fosse difundido. Dentre suas obras mais importantes, devemos citar “Confissões” e “A cidade de Deus”. Para entender o pensamento de Agostinho, devemos lembrar que, no período medieval, filosofia e religião estiveram intimamente ligadas, sendo a primeira influenciada pelo estudo dos filósofos gregos clássicos, como Platão e Aristóteles.
Um dos problemas filosóficos discutidos na obra de Agostinho é a existência do mal moral no mundo. Por mal moral devemos entender todo o mal causado pelo ser humano, aquele que não tem origem em fenômenos da natureza, como terremotos e erupções vulcânicas. Presente até hoje nas discussões sobre religiosidade, a crença em um deus onisciente, onipresente e onipotente pressupõem que este compactue com todo o mal moral existente. Porém, se o deus cristão é bom e onipotente, por que ele não age para impedir as más ações? Seria ele incapaz de impedir o mal, deixando assim de ser onipotente?
Bem, Agostinho abordou esta questão de duas formas. A primeira delas, ainda em sua juventude, baseava-se no maniqueísmo, vertente religiosa originada na Pérsia e difundida no Império Romano, cuja doutrina consistia basicamente em afirmar a existência de um conflito cósmico entre o Bem e o Mal, forças antagônicas, uma pertencente à alma e outra ao corpo, em batalha contínua. Desta forma, em alguns embates o Mal vencia e, por causa disso, os males morais ocorriam.
A segunda maneira de encarar o mal moral ocorreu a Agostinho após a rejeição do maniqueísmo, já em idade mais avançada. Acreditando na onipotência da vontade divina, Agostinho justifica a existência de atitudes más a partir do livre-arbítrio, ou seja, da capacidade humana de decidir o que fazer. A argumentação é simples: Deus permite que ajamos de acordo com nossa vontade, podendo seguir seus mandamentos ou não; quando nos afastamos destes, cometemos males morais. Caso não houvesse livre-arbítrio, seríamos apenas marionetes, governadas por um ventríloquo todo poderoso. A partir da divisão do ser humano em parte racional e parte emocional, Agostinho argumenta que ceder às emoções é deixar a razão de lado, o que nos distancia de deus e pode nos levar ao mal. Por fim, Agostinho também acreditava que a existência do mal moral estava relacionada à escolha de Adão e Eva por comer o fruto proibido. Ao traírem o deus cristão, o primeiro casal de humanos trouxe o pecado ao mundo, transmitindo-o de geração em geração a partir do ato sexual.
Para complementar seus estudos sobre este autor e se preparar para as questões de filosofia do Enem, recomendamos a leitura do capítulo Agostinho: a razão em progresso permanente, disponível no livro Antologia de Textos Filosóficos, organizado por Jairo Marçal.

Dica de leitura para o Enem: Palestina, de Joe Sacco


Novamente temos uma leitura para turbinar seus estudos para o Enem. Desta vez apresentamos a História em Quadrinhos (HQ) “Palestina”, escrita por Joe Sacco em dois volumes entre os anos de 1993 e 1996. Porém, a obra foi reeditada pela Editora Conrad em 2011 para uma versão especial de volume único.
Como explicitado pelo título da HQ, o livro apresenta a perspectiva do autor a partir de uma viagem feita ao Oriente Médio entre os anos de 1991 e 1992. Durante essa viagem, ele coletou histórias nas ruas, hospitais e escolas, entrevistando judeus e refugiados palestinos. A partir das histórias ouvidas e presenciadas, o autor retrata o cotidiano do povo palestino durante um período em que havia esperanças de um acordo de paz com o povo israelense. Denominado por alguns críticos como uma “reportagem em quadrinhos”, atribui-se ao autor, por vezes, certa parcialidade ao abordar o conflito. No entanto, os relatos retratados na HQ são semelhantes aos feitos por órgãos da imprensa internacional e repórteres independentes, o que valida o posicionamento do autor.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/939746-conrad-lanca-edicao-de-luxo-de-palestina-do-joe-sacco.shtml.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/939746-conrad-lanca-edicao-de-luxo-de-palestina-do-joe-sacco.shtml.
Depois de adentrar no mundo criado por Sacco, procure retomar o estudo da questão palestina. Para isso, tente responder às seguintes perguntas, sempre refletindo com o contexto histórico reproduzido na HQ: o quer é a Faixa de Gaza? Qual o contexto histórico entre israelenses e palestinos pela disputa deste pedaço de terra? Qual a diferença entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza? O que foi a primeira Intifada e qual sua motivação? O que foi a Organização pela Libertação da Palestina e qual seu papel no confronto entre Israel e Palestina? Qual a origem do Hamas e qual sua atuação durante o início da década de 1990? O que é a Autoridade Nacional Palestina e qual sua importância? O que é o “muro da vergonha” na Cisjordânia?
Após rever tais conceitos, recomendamos também a busca sobre a atualidade do conflito, bem como sobre eventos marcantes ocorridos na primeira década do século XXI. Entendendo o passado e o presente, temos certeza que questões envolvendo a Palestina se tornarão muito mais fáceis.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Como analisar um poema


Um Carnaval
 
Vem ao baile vem ao baile
Pelo braço ou pelo nariz
Vem ao baile vem ao baile
E vais ver como te ris

Deixa a tua tristeza roer
As unhas de desespero
Deixa a verdade e o erro
Deixa tudo vem beber

Vem ao baile das palavras
Que se beijam desenlaçam
Palavras que ficam passam
Como as chuvas das vidraças

Vem ao baile oh tens de vir
E perder-te nos espelhos
Há outros muito mais velhos
Que ainda sabem sorrir

Vem ao baile da loucura
Vem desfazer-te do corpo
E quando caíres de borco
A tua alma é mais pura

Vem ao baile vem ao baile
Pelo chão ou pelo ar
Vem ao baile baile baile
E vais ver o que é bailar.

                                          Alexandre O´Neil, Poesias Completas,
                                          Imp.Nac. - Casa da moeda

1.       Mancha gráfica do poema
  Observando o poema, facilmente se constata que este desenha uma mancha uniforme e regular sobre a folha, os versos iniciais estão grafados com maiúsculas e o único sinal de pontuação que apresenta é o ponto final que encerra o texto. O poema não cria efeitos visuais.

2.       Aspectos formais
A medida dos versos
Para determinar a medida dos versos, contam-se as suas sílabas métricas, isto é, aquelas que se pronunciam aquando da sua leitura.
Vem / ao / bai / le / vem / ao / bai /le = 7 sílabas métricas
   1       2      3      4      5        6       7
A contagem pára na última sílaba tónica ( que poderá ser a última palavra, a penúltima ou a antepenúltima)
De acordo com o número de sílabas métricas, os versos classificam-se em: monossílabos, dissílabos, trissílabos….

O que podemos concluir?
Ao nível de estrutura externa, o poema está escrito em versos. A maioria dos versos tem sete sílabas métricas (heptassílabos). Os versos, por sua vez, agrupam-se em seis estrofes, com um número invariável de versos (quatro), descrevendo, assim, uma estrutura regular constituída por seis quadras.
3.     
  Recursos fónicos
A rima: esquema rimático e classificação da rima.
Determinar o esquema rimático consiste em verificar, assinalando com uma letra, os sons que se assemelham no final de cada verso da estrofe do poema.
Vem ao baile vem ao baile    a
Pelo braço ou pelo nariz   b                                   rima cruzada
Vem ao baile vem ao baile      a
E vais ver como te ris  b

Deixa a tua tristeza roer  c
As unhas de desespero         d                                                                  interpolada        
Deixa a verdade e o erro       d             emparelhada
Deixa tudo vem beber    c

De acordo com os sons que se combinam no final de cada verso, classifica-se o tipo de rima de cada estrofe e / ou do poema:
1ª e última estrofes: rima cruzada
2ª, 3ª, 4ª e 5ª estrofes: rima emparelhada e rima interpolada.
O que podemos concluir?
O poema apresenta o seguinte esquema rimático : a b a b; c d c d ; e f f e ; g h h g; i j j i; a l a l, a rima é pois, cruzada, na primeira e última estrofes, e emparelhada e interpolada nas restantes. 

O ritmo

Lendo o poema, apercebemo-nos de que cada verso é lido como contendo dois segmentos, o que resulta da combinação de acentos tónicos e átonos. À cadência que resulta dessa leitura chamamos ritmo. O poema tem pois um ritmo binário.
Repara!
Vem ao baile /vem ao baile
Pelo braço  / ou pelo nariz
Vem ao baile /  vem ao baile
E vais ver / como te ris

Outros efeitos sonoros
·         a aliteração
A leitura da globalidade do poema deixa perceber a enfade que recai na aliteração dos sons /v/ e /b/ → Vem ao baile /vem ao baile

O que podemos concluir?
O ritmo binário sugere o embalar da música e o evoluir dos pares a dançar.
A aliteração, por seu lado, criando musicalidade, reforça a insistência no convite dirigido ao sujeito poético.

4.       Recursos morfossintácticos

·         tipos de frase

No poema predominam as frases do tipo imperativo veiculando um convite dirigido a um tu - Vem ao baile vem ao baile; Deixa a tua tristeza para trás.

·         Classes morfológicas predominantes
Sobressaem os verbos flexionados no modo imperativo, na segunda pessoa singular. Também na segunda pessoa do singular surgem vários pronomes pessoais: como te ris; perder-te nos espelhos, entre outros.
·         Anáfora
Repara no inicio destes dois versos seguidos: Deixa a verdade e o erro / Deixatudo vem beber

O que podemos concluir?
A mensagem do poema centra-se num tu, ao qual se dirige insistentemente um mesmo convite.

5.       Figuras de estilo
Personificação
Vem ao baile das palavras / Que se beijam desenlaçam
Comparação
Palavras que ficam passam / Como as chuvas das vidraças

O que podemos concluir?
Estas figuras de estilo sugerem a ideia dos encontros fortuitos que ocorrerão no baile.

6.       Tema 

O título - Um Carnaval
Embora o tópico apresentado pelo titulo não seja desenvolvido ao longo do poema, este leva-nos a supor que o baile para o qual se convida o tu será um baile de Carnaval
Campo lexical
Os vocábulos Carnaval, baile, bailar loucura, associados a formas verbais no imperativo, concorrem para o tema desenvolvido no poema. 

O que podemos concluir?
O tema do poema:
-um convite
-um baile de Carnaval

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Análise de Redação Nota Máxima no Enem 2014


Criança: futuro consumidor
A propaganda é a principal arma das grandes empresas. Disseminada em todos os meios de comunicação, a ampla visibilidade publicitária atinge seu principal objetivo: expor um produto e explicar sua respectiva função. No entanto, essa mesma função é distorcida por anúncios apelativos, que transformam em sinônimos o prazer e a compra, atingindo principalmente as crianças.
As habilidades publicitárias são poderosas. O uso de ídolos infantis, desenhos animados e trilhas sonoras induzem a criança a relacionar seus gostos a vários produtos. Dessa maneira, as indústrias acabam compartilhando seus espaços; como exemplo as bonecas Monster High fazendo propaganda para o fast food Mc Donalds. A falta de discussão sobre o assunto é evidenciada pelas opiniões distintas dos países. Conforme a OMS, no Reino Unido há leis que limitam a publicidade para crianças como a que proíbe parcialmente – em que comerciais são proibidos em certos horários -, e a que personagens famosos não podem aparecer em propagandas de alimentos infantis. Já no Brasil há a autorregulamentação, na qual o setor publicitário cria normas e as acorda com o governo, sem legislação específica.
A relação entre pais, filhos e seu consumo se torna conflituosa. As crianças perdem a noção do limite, que lhes é tirada pela mídia quando a mesma reproduz que tudo é possível. Como forma de solucionar esse conflito, o governo federal pode criar leis rígidas que restrinjam a publicidade de bens não duráveis para crianças. Além disso, as escolas poderiam proporcionar oficinas chamadas de “Consumidor Consciente” em que diferenciam consumo e consumismo, ressaltando a real utilidade e a durabilidade dos produtos, com a distribuição de cartilhas didáticas introduzindo os direitos do consumidor. Esse trabalho seria efetivo aliado ao diálogo com os pais.
Sérgio Buarque de Hollanda constatou que o brasileiro é suscetível a influências estrangeiras, e a publicidade atual é a consequência direta da globalização. Por conseguinte é preciso que as crianças, desde pequenas, saibam diferenciar o útil do fútil, sendo preparados para analisar informações advindas do exterior no momento em que observarem as propagandas.
Giovana opta por intitular sua dissertação-argumentativa com o título “Criança: futuro consumidor”, algo que pensamos ser incoerente com o tema que é, justamente, a publicidade infantil. Acreditamos que a criança já é uma consumidora e não o será apenas ao atingir a adolescência ou a fase adulta, pois já é um público-alvo da publicidade por meio da propaganda. Obviamente não é ela quem efetua a compra propriamente dita, já que são os adultos que compram suas roupas, seus brinquedos, seus alimentos, seus móveis dentre outros itens. Como a banca corretora do Enem não avalia títulos, pois para a banca elaboradora este é opcional, essa incoerência não prejudica em nada a nota da redação como um todo.
Na introdução, a autora contextualiza o papel da propaganda no mercado consumidor e já coloca a sua tese ao afirmar que este papel pode ser distorcido por meio de apelação que fazem com que as pessoas, principalmente as crianças, pensem que comprar é sinônimo de prazer. Deste modo, a candidata também já se posiciona contrariamente às propagandas infantis apelativas e inicia o seu desenvolvimento explicando o que seria, para ela, apelação, recorrendo de modo adequado à coletânea de textos motivadores: ídolos infantis, desenhos animados e trilhas sonoras.
A fim de comprovar o seu argumento, Giovana usa como estratégia argumentativa o exemplo da rede de fast food Mc Donald´s que utiliza, como brindes e propaganda, brinquedos como bonecas. A seguir, fazendo alusão ao gráfico da coletânea de textos motivadores, a autora cita mais um exemplo, agora do Reino Unido, de como neste país a publicidade infantil é regulamentada – proibição do uso de personagens famosos e restrição de horários de exibição – e o compara com a situação atual do Brasil, onde não há leis específicas, apenas normas. Apesar disso, a candidata deveria ter transcrito, entre parênteses, o significado da sigla OMS (Organização Mundial da Saúde), pois ela não deveria pressupor que seu leitor conheça o significado desta sigla.
No segundo parágrafo do desenvolvimento, Giovana aborda o papel dos pais nesta questão, já que o consumo pode tornar a relação conflituosa, segundo ela. A autora afirma, em seguida, que as crianças perdem a noção do limite por meio da mídia, mas nos perguntamos, como provocação, se as crianças, ao invés de perderem o limite, ainda não o têm por estarmos, justamente, em processo de formação no qual este senso de limite está sendo construído com o auxílio da família e da escola. A partir de que faixa etária podemos dizer que a criança já possui alguma noção de limite em relação ao consumo?
Neste mesmo parágrafo, a candidata já lista suas propostas de intervenções sociais, fugindo do modelo clássico de colocá-las na conclusão, algo possível que em nada prejudica seu domínio do tipo textual. Giovana sugere três soluções em três âmbitos diferentes: para ela, o o governo federal deveria formular uma legislação específica para a publicidade infantil a fim de haver uma restrição para propagandas de bens não duráveis; já as escolas, segundo a candidata, poderiam criar oficinas e distribuírem cartilhas didáticas e a família deveria, paralelamente, dialogar com seus filhos sobre o tema a fim de, na conclusão, ensiná-los a diferenciar o útil do fútil para serem analistas críticos das propagandas.
Ainda na conclusão, a autora recorre a uma citação de autoridade, Sérgio Buarque de Hollanda, para dar início ao fechamento de sua dissertação-argumentativa. Voltando um pouco às propostas de intervenções sociais, o detalhamento de cada uma delas foi fundamental para ela obter a máxima pontuação nesta competência.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Escolas Literárias Luso-Brasileiras – Arcadismo

Vamos abordar mais uma escola literária para ajudar nos estudos de Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias no ENEM. Neste artigo, estudaremos o Arcadismo, também conhecido por Neoclassicismo, presenciado no século XVIII (anos de 1701 a 1800) e a última escola literária do período colonial brasileiro.
O Arcadismo é um movimento que se contrapõe ao Barroco, pois busca um certo equilíbrio, uma vida mais amena e mais simples. O contexto histórico brasileiro é o seguinte:
  1. Ouro Preto (MG), então chamada de Vila Rica, é o centro cultural e econômico da época.
  2. Ciclo de Mineração (ouro).
  3. Inconfidência Mineira.
  4. Ideais do iluminismo francês.
As características principais do Arcadismo, que podemos perceber claramente nas obras escritas, são:
  • Busca da simplicidade
  • Idealização da natureza (bucolismo)
  • Imitação dos clássicos
  • Personagens mitológicos
  • Visão da cidade como sofrimento (fugere urbem)
  • Aproveitar a vida a cada dia (carpe diem)
Portanto, os árcades buscavam a racionalidade diante da vida, porém com simplicidade, apresentando como cenário pastores e ovelhas num mundo campestre.
Os principais autores desse movimento na poesia lírica são: Tomás Antonio Gonzaga, cujo pseudônimo é Dirceu, com sua mais famosa obra “Marília de Dirceu” que exalta seu amor por Maria Dorotéia Joaquina, pela qual era apaixonado; eCláudio Manuel da Costa que publicou sonetos. Na poesia épica vale lembrar de Basílio da Gama (O Uruguai) eSanta Rita Durão (Caramuru).
Diante do panorama social da época, a luta pela independência do Brasil, o qual foi um movimento intelectual e burguês, muitos escritores usavam pseudônimos para assinar suas obras literárias para não serem identificados e muitos deles foram assassinados pela Corte Portuguesa ou expulsos da Colônia, inclusive o líder Joaquim José da Silva Xavier, O Tiradentes.
Nos fins do século VXIII se encerra o Período Árcade e uma nova escola literária vai surgindo com a ascensão da classe social burguesa: O Romantismo, que veremos no próximo artigo da série de Literatura. Continue acompanhando e bons estudos!

Escolas Literárias Luso-Brasileiras – Romantismo


Dando continuidade aos estudos de Literatura para o Enem, disciplina que abora parte dos conteúdos de Linguagens e Códigos, veremos o primeiro movimento da literatura especificamente brasileiro. O Movimento Romântico começa no Brasil em meados de 1830, século XIX, logo após a Independência Brasileira que aconteceu em 1822. A primeira obra que marca esse início é “Suspiros Poéticos e Saudades” de Gonçalves de Magalhães. Na Europa, o Romantismo já se iniciara no século anterior e os moldes europeus influenciaram os autores brasileiros.
São três as gerações do Movimento Romântico brasileiro que se diferem em suas características:

1ª Geração:

Por ser o primeiro movimento depois de trezentos anos de Colônia Brasileira, há exaltação da Pátria e da natureza brasileiras e do primeiro habitante dessa terra: o índio.
A consagrada poesia de Gonçalves Dias, Canção do Exílio, é símbolo desse período e já foi parafraseada e parodiada por muitos outros poetas, inclusive no Hino Nacional Brasileiro. O poeta exalta o amor à sua terra, ao lugar onde nasceu, ao patriotismo, ao nacionalismo, pois, para aquele contexto histórico e social, é essencial a construção da identidade nacional.
Outra característica bastante importante é o Indianismo: o índio é exaltado como o grande guerreiro, o herói, o primeiro habitante dessa terra. Temos aqui as obras: o Guarani (prosa de José de Alencar) e I Juca Pirama (poema de Gonçalves Dias), nos quais o índio aparece idealizado, quase um caucasiano, dentro, claro, dos moldes europeus: forte, valente, gentil, poeta e conhecedor das normas cultas da língua.
Imagem da Obra Iracema, de José de Alencar.
Imagem da Obra Iracema, de José de Alencar.

2ª Geração:

É conhecida como Ultrarromantismo e Mal do Século, por suas características de melancolia, exaltação à morte, pessimismo e brevidade da vida. O poeta não encontra nenhuma perspectiva em relação à vida, não há motivos para viver, vive-se então num clima de intenso pessimismo. O maior poeta dessa geração é Alvarez de Azevedo, que foi tão fortemente influenciado por Lord Byron, poeta inglês. Dentre suas maiores obras estão “Noite na Taverna” (prosa) e “Lira dos Vintes Anos” (poesia). A mulher é vista pelo eu-lírico como alguém inatingível, coisas de amor platônico, e a necessidade de morrer é latente, como única forma de acabar com o sofrimento e a dor que a vida provoca.

3ª Geração:

Temos aqui já os princípios do próximo Movimento literário brasileiro (Realismo/Naturalismo). Conhecida porcondoreirismo (pela ave condor, que com suas enormes asas, expressam a liberdade), suas características são de cunho social. O poeta aqui em destaque é Castro Alves, que expressa em seu “Navio Negreiro” (poema) os horrores da escravidão no Brasil, o anseio desesperador do eu-lírico pela liberdade social.
De maneira resumida, temos aqui um panorama do Movimento Romântico Brasileiro, que foi o marco da nossa cultura. Iniciado na década de 1830, se finda em 1860, quando a sociedade anseia por novos parâmetros culturais literários, através da retratação da realidade nacional.

InfoEnem

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Dicas de Leitura – Notícias que Podem Cair no Enem 2015


Linchamentos

Em 2014, houve uma onda de atentados a pessoas suspeitas de cometerem crimes por outros civis “justiceiros”. Na última semana, mais um linchamento aconteceu. No artigo da Revista Fórum, esse ato foi noticiado e comentado pela Dra. Ariadne Lima Natal, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Violência da USP.

Militarização de escola

Yahoo publicou recentemente a notícia de que uma escola com altos índices de violência, em Manaus, foi transferida para a PM. Desde lá, as regras mudaram, alguns alunos foram expulsos, professores que não se adaptaram ao modelo foram demitidos e o índice de avaliação externa (IDEB) aumentou.

Redução da maioridade penal

Atualmente, temos vivenciado o processo de votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que propõe reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. Na primeira votação da Câmara, a PEC foi negada. Após modificação no projeto, no dia seguinte, houve uma segunda votação em que a PEC foi aprovada. Houve denúncia sobre a manobra usada para colocar a PEC em votação novamente. A matéria da Folha UOL explica que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) negou a denúncia e o pedido para suspender a segunda votação, além de elucidar o caso.

Reforma política

A Câmara dos Deputados também votou (e aprovou a primeira versão) o projeto que traz mudanças no sistema político brasileiro. O texto ainda pode ser modificado e passará por novas votações. Leia essa publicação do Estadão para entender o que está em jogo nesse processo.
Boa leitura!