sábado, 29 de janeiro de 2011

Um anjo (Homenagem ao meu filho)




Olhando Deus do céu
Viu na Terra uma mulher,
Se é santa, acho, Deus, que é
Porque uma semente foi plantada,
E do nada apareceu um anjo,
Que chorando disse:  cheguei.
Amamentado está  crescendo,
Fico me corroendo, pois não tenho palavras para defini-lo,
Grãos de areia seriam o mínimo;
Mas é verdade, Deus nos deu esse menino.
Ao amanhecer, eu dormindo, me acorda com sorriso e
Ainda diz: papai, te amo.
Brincar no banho também é o nosso passa-tempo,
Pega-pega, esconde-esconde, pula na cama, rola no chão...
Brincar com ele é uma grande emoção.
Agradeço a Ti, ó Deus , sempre em oração,
Pois nos destes um fruto de nossa união.
 Joerlândio Cordeiro
 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

NINHO DE GAVIÃO


Sim, Senhor!
Senado, Senador,
Superaste a ambição
 Chamar-te de corrupto
Posso  ou não?
 Se és mafioso
Chamar-te 
Posso  ou não?
Maquiagem , maquilagem
Fraudes e trapaças,
Engana esta raça
Que lá te levou.
Colares, colarinho,
Brasil-passarinho.
Lá é um ninho
Que só pousa gavião,
Garra afiada.
Pintinho não,
-- Nem pensar.
Seriam devorados
Credos e pensamentos,
Valores trocados
Por moedas amigas
Porque quem trair
Vai ser traído.
Pobre Cristo,
Lá  há muitos mais judas.
Ah,  não teria chances,
Não teria quem o defendesse.
Cada grupo é seu grupo.
Um é ave, outro estrela...
Um quer voar,  outro brilhar...
Mas...quem poder pegar mais,  vai pegar.
Posso te chamar:  Sim ou Não?

                                           Joerlândio Cordeiro





quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

CENTOPEIA


Centopeia dos amantes no asfalto quente.
Blusa e saia de cetim transparente,
Cabelos longos, cheirosos e brilhantes;
Batom vermelho, boca escaldante.
O tempo passa – Já não tem graça
essa  lacraia:
Desnuda -- sem saia;
Careca apagada,
Boca murcha e desdentada.
                                                                                                              Joerlândio Cordeiro


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

PORCO


Nem o porco da porca
Conhece a porca
Porque aos poucos
A porca
Pouco  come
Como a porca
Com o porco
Produziram poucos porquinhos
Aos pouquinhos
Os porquinhos
Não precisarão da porca.
 Joerlândio Cordeiro

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Morro no morro

Tão nobres tuas ruas,
Tão alegre teu povo,
Belas árvores,
Belos rios.
Mas o morro,
Com as chuvas,
Cedeu e não fez curvas,
Desceu sua própria ladeira,
Carregando consigo,
Além de sonhos,
Milhares de abrigo
Do povo
De novo
Do morro...
Sem rua,
Menos gente,
Árvores sem cor,
Rio de lama,
Enterro coletivo,
Choro, tristeza e dor.
Todos sem abrigo,
Sem ter para onde ir,
Voltarão a viver com o perigo.
Outros, em sua crença,
Perguntam a Deus se é um castigo.
Muitos sem mãe,
Outros sem pai ou filho.
Família do abismo.
Pobre Cristo
de braços abertos
Não pode fazer nada
Pois, lá de cima, olha
Os que ainda dormem na calçada
da chuva passada.
E, agora, o que fazer?
Desligar a TV?

          Joerlândio Cordeiro

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

ORQUESTRA DA DESPEDIDA


Aqui imaginando a vida...
Sem nenhuma ferida:
Corpo de pele lisa.
Pedaço de carne,
Depois apodrecida,
Jogada e até esquecida.
Caminhastes no luxo,
Agora  fedida.
Embaixo não ouves mais
A orquestra da despedida.
Um carro fúnebre,
Rica a tua caixa
Com traços de ouro,
Muito mais valia o louro
Na cabeça da monarquia.
Aqui sempre imaginando:
 Vida de fantasia.


Joerlândio Cordeiro

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

DEUS GUARDA OS SEUS



Ano passado, minha esposa e meu filho de três anos viajaram. Eu fiquei em casa. Eles foram para o interior passar alguns dias por lá para rever a família.
No domingo pela manhã, eu estava em casa assistindo TV, na ocasião assistia um desenho animado que falava da História de Daniel na cova dos leões. Durante a exibição, senti algo perturbador que me fez lembrar meu filho. Foi muito estranho para mim; uma lembrança repentina.
Mesmo diante desse fato, fiquei em paz. Continuei assistindo ao filme. Pensei em ligar, mas não o fiz.
O domingo passou,  minha esposa chegou e já era madrugada do domingo para a segunda. Olhei para meu filho e vi que estava tudo bem. Só então, na manhã da segunda, é que minha esposa contou o  ocorrido.
No domingo pela manhã, no horário em que eu estava assistindo ao filme, minha esposa, a irmã dela  e meu filho foram visitar uma tia. Ao chegar lá, ficaram todos conversando na sala enquanto meu filho, com uma outra criança, estavam brincando no quintal. Após  alguns minutos, a criança da casa chegou gritando que meu filho estava perto do cachorro. Esse animal era o vigia da casa. Como é de costume em sítio, ele era criado  amarrado em uma corda comprida.  Esse cachorro não tinha contato com ninguém, nem seus próprios donos que, para alimentá-lo, colocavam a ração  em uma vasilha que ficava na ponta de uma longa vara. Era muito bravo. Ninguém jamais ousaria se aproximar.
Nesse dia, meu filho brincava no quintal quando viu uma bola, como qualquer criança, inocentemente, foi pegá-la para brincar; esta estava ao lado do cão. Quando a criança que mora na casa viu, entrou em desespero e foi chamar os adultos que conversavam na sala.
Foi  momento de aflição, todos  da casa entraram em pânico porque sabiam que ao chegar lá, o cachorro já teria estraçalhado a criança. Contudo, neste momento, minha esposa sentiu algo diferente de todos: uma paz tomou conta dela. Ao chegar lá, ela viu meu filhinho com a bola na mão ao lado do cachorro  que se encontrava deitado, imóvel."Era como se estivesse dormindo", ela contou.
Meu filho ficou sem entender o porquê de tanta gritaria, pois as pessoas estavam aflitas diante daquela cena. Ainda para aumentar a aflição dos seus familiares, ele  começou a chorar e reclamar dos espinhos que haviam entrado em seus pés. Minha esposa calmante o chamou e ele veio vagarosamente até sair da área de ataque daquele animal.
Quando ela me contava essa história, então me veio a lembrança da angústia que eu tinha sentido. Isso foi um sinal em minha vida que Deus  protege os seus.
                                                                    
              Joerlândio Cordeiro