segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Como Utilizar Corretamente Pronome Oblíquo

 Vejamos um trecho de uma moda muito conhecida, gravada pela saudosa Inezita Barroso:
Com a marvada pinga é que eu me atrapaio
Eu entro na venda e já dou me taio
Pego no copo e dali num saio
Ali memo eu bebo, ali memo eu caio
Só pra carregá é que eu do trabaio, oi lai
(…)
O marido me disse, ele me falô
Largue de bebê, peço por favô
Prosa de home, nunca dei valô
Bebo com sór quente pra esfriá o calô
E bebo de noite pra fazê suador, oi lai (…)
Nesse trecho aparecem alguns pronomes que funcionam como complementos dos verbos.
A norma culta define, para os pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o(s), a(s), lhe(s), nos, vos), três posições possíveis em relação ao verbo: próclise (antes do verbo), mesóclise (“dentro” do verbo) e ênclise (após o verbo) e, para entender essa relação, lembremos que a frase, em português, pode ser construída na ordem direta [sujeito + verbo+ complemento (OD/OI)+ adjunto adverbial] ou na ordem indireta, em que alteramos a posição de alguns desses elementos.
Como a intenção aqui é apenas dar as dicas (as regras um bom livro de Gramática trará em detalhes), vamos objetivamente ao que se pode e o que não se pode fazer nos textos:
ênclise deve ser observada sempre no início das frases, ou seja, não se inicia frase com pronome oblíquo. Aqui temos uma das grandes diferenças de pronúncia entre a língua falada por aqui e a língua falada na terra de Camões. Nós, brasileiros, pronunciamos os pronomes átonos “com força”, o que nos permite começar as frases com eles (Me empreste seu caderno.). Já os lusitanos falam quase sem pronunciar a vogal, o que, aliás, produz o sotaque característico da terrinha, de modo que eles não conseguem começar as frases como nós… sairia algo como “M’empreste seu caderno” – muito difícil!
Como o idioma veio de lá, as regras acompanharam… Dessa diferença tão marcante entre a regra e o uso, o modernistaOswald de Andrade tirou assunto para poesia:
Pronominais
Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.
Oswald de Andrade ANDRADE, O. Obras completas, Volumes 6-7. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.
mesóclise é empregada em textos muito formais, mas muito mesmo! Ocorre apenas no futuro do presente de indicativo e no futuro do pretérito do indicativo. Por que só com eles? Bem, lembremos que esses tempos são derivados. Na verdade, são a junção de um verbo no infinitivo + o verbo Haver e para fazer a colocação pronominal, o pronome vai entre os dois verbos (lembra que ‘meso’ significa ‘entre’, como em Mesopotâmia – entre os rios).
Daí, em
“Entregarei a você os livros”
substituindo ‘a você’ por ‘lhe’, teremos
Entregar-lhe-ei os livros. (entregar = infinitivo / (h)ei = verbo haver na 1.ªp.sing. e entre os dois, o pronome lhe).
Mas podemos fugir dessa forma um tanto esnobe, colocando um sujeito expresso. Isso nos permite usar a próclise:
Eu lhe entregarei os livros.
E como a mencionei, vamos à próclise!
Existem regras para a colocação do pronome antes do verbo. Na frase, deve haver a presença dos chamados fatores de próclise – palavras que exercem atração, ‘puxam’ o pronome para antes do verbo (que podem ser, entre outras, uma palavra negativa, um advérbio, um pronome relativo…). Veja as frases abaixo:
Ninguém me deu o recado.
Amanhã a encontrarei na aula.
Eu sei que me entenderam.
No caso do português do Brasil, é considerado mais grave não levar em consideração um fator de próclise do que empregar a próclise mesmo que não haja a tal partícula atrativa.
Voltando à Moda da Pinga, é o que acontece com os pronomes destacados: não há nenhum fator de próclise, mas a ‘musicalidade’ do português do Brasil nos leva a colocar os pronomes antes do verbo. Tudo o que mencionei vale também para as locuções verbais (verbo auxiliar + verbo no infinitivo ou no gerúndio) e para os tempos compostos (verbo auxiliar + verbo no particípio). Nessas combinações, evite colocar o pronome entre os verbos. Ah, e particípio não aceita ênclise!
Assim, na prática, as regras se resumem a:
  1. Não inicie frase com pronome oblíquo; e
  2. Coloque o pronome antes do verbo (ou da locução)

sábado, 29 de agosto de 2015

1ª e 2ª Gerações do Modernismo

Primeira Geração (1922 – 1930)

No início do século XX, muitos artistas brasileiros sofreram influência da vanguarda europeia, como o Cubismo, o Expressionismo e o Futurismo. Por conta dessa influência, a arte brasileira começou a sofrer diversas mudanças. Essa inovação foi exibida em fevereiro de 1922, na Semana de Arte Moderna que ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo.
A característica desse período foi de valorização do território e cultura do Brasil: a natureza tropical, o caboclo, a tranquilidade de pequenas cidades, a linguagem falada, a mistura de povos e de tradições.
Quanto à estética, os escritores buscavam liberdade de expressão com uma prosa mais solta ou poesia com verso livre, rompendo principalmente com a estética do Parnasianismo.
Os principais autores desse momento foram Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manual Bandeira e Alcântara Machado.

Segunda Geração (1930-1945)

Essa geração é reconhecida pelo aprofundamento das ideias desenvolvidas na Semana de Arte Moderna e no amadurecimento do Modernismo.
Na poesia, já seguros da liberdade proporcionada pelo novo estilo, os autores vivem o momento e escrevem sobre o sentimento de participar da sociedade e do mundo, de existir. Ganham destaque, aqui, temas políticos, existenciais, religiosos e angústias do ser humano. Isso tem grande influência do contexto histórico em que vivem: A Segunda Guerra Mundial e o Governo autoritário de Getúlio Vargas.
Os principais autores foram Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles, Jorge de Lima, Murilo Mendes e Vinícius de Moraes.
Na prosa, o contexto histórico propiciou uma preocupação dos escritores com as regiões mais castigadas do Brasil e as obras ganham o papel de denunciar essa condições e de trazer um olhar mais crítico acerca da realidade brasileira.
As características, portanto, são: regionalismo, temática social e linguagem simples. Os principais escritores foram Graciliano Ramos, José Lins do Rego, Raquel de Queirós, Jorge Amado e Érico Veríssimo.
Em breve, veremos a 3ª Geração do Modernismo e a Literatura Contemporânea, finalizando nossa trajetória do mundo literário brasileiro.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Temas Redação Enem 2015: Aplicativos VS Serviços


Desde o início deste ano, a sociedade brasileira tem sido telespectadora de pelo menos três guerras entre aplicativos deinternet e serviços nas quais a concorrência, a preferência do consumidor, a qualidade do atendimento e da prestação de serviço e os impostos devidos estão no centro dos embates. Estamos nos referindo às brigas comerciais entre o Netflix® e as operadoras de TV a cabo, o Uber® e os taxistas e o WhatsApp® e as operadoras de telefonia móvel. Como o Enem já abordou em suas propostas de redação temas relacionados a internet, pensamos ser importante abordar esta questão na coluna de redação, até porque trata-se de uma discussão atual que envolve a grande maioria dos brasileiros, já que o uso da rede mundial de computadores e dos smartphones só cresce no Brasil.
De forma simplista, já que o Netflix utiliza um aplicativo para fornecer o seu serviço, os aplicativos chamam muito a atenção e atraem cada vez mais pessoas por serem gratuitos ou por cobrarem valores muito menores do que os praticados pelos concorrentes, além de oferecerem um serviço mais personalizado de acordo com o perfil e as necessidades de seu público alvo. Além disso, por terem sido criados pensando na internet em todos os sentidos, a divulgação dos mesmos é rápida e abrangente e, consequentemente, sua disseminação também.
Netflix®, por exemplo, oferece um serviço chamado streaming no qual você pode assistir – por meio de celulares,tablets, computadores, notebooks e televisões – filmes, séries, shows, novelas, documentários, dentre outros gêneros, por menos de R$20,00 mensais cobrados na fatura do cartão de crédito. O telespectador pode pausar o que está assistindo e voltar a assistir do ponto em que parou, pode classificar o que assistiu e, assim, gêneros e temas semelhantes aos que ele mais gostou serão mostrados e os que obtiveram as notas mais baixas não aparecerão mais e pode escolher entre assistir um filme dublado ou legendado (em várias línguas, inclusive). Ou seja, neste caso, o cliente escolhe o que quer assistir e não depende da grade de programação e dos horários do canal de televisão a cabo ou aberto.
Para as operadoras de TV a cabo, trata-se de uma concorrência desleal, já que, segundo elas, o Netflix® não paga os mesmos impostos, argumento rebatido pela empresa. As operadoras desejam regulamentar esse tipo de serviço no Brasil que já conta com quase três milhões de assinantes com apenas cinco anos presente no país.
aplicativos
Outra briga envolvendo um aplicativo e uma série de empresas é a entre o WhatsApp® e as operadoras de telefonia einternet móvel. Estas acusam o aplicativo, que foi comprado pelo Facebook®, de usarem o número de celular de cada cliente para criar um usuário e, por meio deste número, realizar chamadas de voz. Recentemente, o WhatsApp® lançou as chamadas de voz, pois até o momento era possível apenas enviar mensagens de voz e, mais uma vez, os impostos estão no cerne do embate, pois as operadoras alegam que pagam taxas por cada número de celular ativado no Brasil, o que não é feito pelo aplicativo. Para os órgãos de defesa do consumidor, não se trata de uma operadora pirata, mas sim de chamadas de voz realizadas através da internet e, portanto, diferentes de ligações entre dois celulares.
Apesar destas duas brigas de cachorros grandes, como se diz no Português popular, nenhuma causou tanta confusão e gerou manifestações e até agressões como a briga entre o Uber® e os taxistas. O Uber® é um aplicativo de celular pelo qual um carro pode ser chamado pelo cliente a fim de buscá-lo e levá-lo aonde quiser, isto é, trata-se de um serviço de transporte alternativo, semelhante aos táxis, porém com algumas diferenças que estão no centro dos debates.
O motorista Uber®, pelas regras do aplicativo, deve sempre estar vestindo roupas sociais e estar dirigindo um carro preto, de preferência de luxo, com ar-condicionado e bancos de couro, do qual arca com todos os custos, diferentemente dos taxistas que ganham descontos no momento da compra do carro, assim como obtém isenção de alguns impostos e não pagam IPVA, direitos não concedidos aos motoristas do aplicativo. No entanto, os taxistas devem pagar uma licença para trabalhar e a cada cinco ano devem passar por exames, algo que não precisa ser feito pelos motoristas do Uber®.
Taxistas que são contra o aplicativo por considerarem que ele concorre deslealmente, realizaram manifestações em várias cidades brasileiras e alguns chegaram a agredir motoristas Uber® e a cometer atos de vandalismos contra seus carros.
Um dos contra-argumentos relacionados a estas três guerras comerciais diz respeito à qualidade do serviço: muitas pessoas afirmam que os taxistas e as operadoras de TV a cabo e de telefonia e internet móvel deveriam se preocupar em melhorar a qualidade de seus serviços e de seu atendimento ao invés de reclamarem de concorrência desleal e de pirataria. Ou seja, o direito de escolha e a opinião do consumidor estão no centro destes três debates, além de toda a questão da customização e da globalização e acessibilidade dos serviços por meio da internet, já que estamos falando, no caso das operadoras, de grandes marcas de grandes empresas.
Não podemos nos esquecer de que as operadoras de telefonia móvel lideram, há um bom tempo, a lista de reclamações de órgãos de defesa do consumidor pela má qualidade no atendimento e pela cobrança indevida de taxas extras.
E você, leitor, como se coloca nesta questão? De qual lado você está e por quê?


InfoEnem

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

10 temas essenciais de português (vestibulares)


  • Semânticao significado das palavras em contexto
"É um assunto que cai bastante, porque ajuda o aluno a compreender o texto", diz Liliane Negrão, professora de português da Oficina do Estudante. 
É possível cair perguntas específicas sobre o significado de determinadas palavras, segundo Vivian D'Angelo Carrera, do cursinho do XI. Ela afirma que o vestibular da Fuvest costuma realizar essa prática e alerta que "pegadinhas" de semântica também são corriqueiras. 
"Pronomes e conjunções são aqueles elementos que fazem a construção de um texto", diz Carrera. "O que cai todos os anos nos vestibulares é pronome relativo".

Para Negrão, esse tema também está bem associado à redação, porque ajuda a tornar mais clara a produção textual. 
Segundo Negrão, da Oficina do Estudante, as figuras de linguagem podem ser utilizadas como ferramenta para compreender o texto. "A ironia, por exemplo, se o aluno perceber que ela está sendo usada, ele sabe que a mensagem é o oposto daquilo que está sendo expresso", diz.
A professora acrescenta que o recurso pode ser cobrado para analisar o estilo de uma determinada obra literária, escola ou época. "Por meio das figuras de linguagem, o aluno pode identificar o autor, o estilo, o momento histórico, político ou cultural", analisa.
Carrera, do XI, lembra que é possível que exames como o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) perguntem o nome da figura de linguagem. Já vestibulares tradicionais geralmente pedem qual é o efeito de tais recursos expressivos. 
"É comum que eles coloquem uma poesia, notícia, por exemplo. O aluno tem que saber o gênero textual. A poesia tem uma proposta, a charge outra [quebra a expectativa]", diz Carrera. "É necessário, dessa forma, conhecimento prévio". 
Ter esse domínio pode ajudar na hora da leitura da coletânea de textos que geralmente aparece nas provas de redação. "Sempre tem um trecho com uma imagem, algum gráfico e texto padrão", diz Negrão. "Isso é para avaliar se o estudante compreende diversos tipos de texto, do verbal ao não-verbal [charge, fotografia, escultura, pintura]". 
Negrão acredita que o tema é associado à elaboração da redação. "O aluno tem que ter domínio sobre tudo dentro da linguagem padrão e compreender quais são os sentidos que estão por trás de determinado tempo verbal", diz.
Para a Fuvest, a professora Vivian Carreira, do XI, aconselha o aluno a estudar o pretérito mais-que-perfeito e o imperativo, que segundo ela cai todos os anos.

ESTUDE PARA O ENEM

  • Johnny Eggitt/AFP
    No Enem, atualidades são pretexto para cobrar análise de conteúdos
    Getty Images
    Prova de exatas do Enem cobra temas básicos; veja o que estudar
    Divulgação
    Confira 21 sugestões de filmes para estudar filosofia e sociologia
    Editoria de Artes/Agência O Globo
    Boa redação pede domínio da dissertação e de atualidades
    Rivaldo Gomes/Folhapress
    Estudar com provas antigas é principal dica para realizar Enem
  • Paráfrase ou tradução de sentido
É essencial para a interpretação de um texto, principalmente na hora de analisar as alternativas de determinada pergunta. "Nada mais é do que a reescrita. Nas questões vão ter palavras diferentes, mas que traduzem a mesma ideia", diz Carrera.
Contudo, a professora Liliane Negrão afirma que a paráfrase "pobre" em uma redação, por exemplo, da coletânea de textos é mal vista, por ser uma mera mudança por sinônimos.
Os estudantes devem conhecer bem os aspectos estruturais que norteiam as dez classes gramaticais e ter noção de que seis dessas são flexionadas em número, gênero, grau, pessoa, tempo, voz, modo e/ou aspecto.
Na construção do texto, a professora do cursinho do XI lembra que os vestibulares costumam tratar bastante de paralelismo.

Literatura

Para Augusta Aparecida Barbosa, professora de literatura do cursinho do XI, além de ler os livros pedidos pelos vestibulares, pode ser interessante que o aluno conheça outras obras dos autores solicitados.
"A Fuvest e a Unicamp não vão fazer perguntas fora dos livros, mas é bom que ele tenha lido outras obras do autor como referência", diz. "Do José de Alencar, por exemplo, é pedido Til, mas o aluno pode conhecer Senhora, Iracema". 
Os romances desse período tentavam atender aos anseios da burguesia de aparecer nos romances. "A burguesia quer estar nos romances e para isso tenta resgatar os heróis medievais e a religiosidade. Há muito sentimentalismo e nacionalismo também", comenta Augusta.
Período associado ao cientificismo do final do século 19. "Essa é a época que a ciência ganha certo peso, e os artistas vão querer se posicionar diante da sociedade como se fossem cientistas, observando, apontando defeitos e propondo soluções", diz a professora do XI. 
O aluno deve entender que o modernismo surge em um momento de entreguerras. "Os artistas vão mostrar esse mundo que está se rompendo, se esfacelando. Propõem, então, uma estrutura estética diferente. O poema em verso agora em versos livres, formato de triângulo, de espiral", conta Augusta. "O modernista tem tanta liberdade que pode até retomar os versos em redondilha". 

10 temas essenciais de inglês (vestibulares)

"O foco do inglês é realmente na interpretação de texto e compreensão. A língua é muito abrangente. O aluno precisa ter uma gramática afiada para aprender a ler e falar, mas dificilmente o vestibular pede só isso. Nos últimos anos estão mais focados na comunicação e no entendimento", afirma Mônica Rodrigues, professora da Fundação Torino.
Se o aluno possui o hábito da leitura em inglês, vai ter uma vantagem sobre os demais concorrentes, na visão de Marlon Augusto do Nascimento, professor do cursinho do XI. "Se for costume do estudante, ele vai tirar de letra a parte da interpretação". 
O aluno curioso, que busca conhecer vários assuntos, tem mais chances de ir bem do que o estudante que lê apenas textos no padrão "vestibular", acredita Nascimento.
  • Vocabulário contextualizado: sinonímia e tradução
"Se você se depara com uma palavra que você não sabe o significado, mas entende a estrutura, você sabe que ali não cabe, por exemplo, um verbo", diz Mônica. "A interpretação tem uma sequência lógica. Nós como falantes de uma língua sabemos como ela funciona". 
Já Nascimento adverte o uso indiscriminado da tradução. "Ela é um pouco automática. Ao ler um texto, o aluno que não tem fluência vai tentar traduzir. Isso pode ajudar, como pode atrapalhar. No caso dos 'falsos cognatos', atrapalha bastante".

  • Pronomes: pessoais, possessivos, relativos e indeterminados
De acordo com Mônica, toda a parte de gramática da prova de inglês cai de uma forma contextualizada. "Eles não vão perguntar quais são os pronomes possessivos, mas podem fazer questões onde se pede, por exemplo, de quem é o carro citado no texto", analisa.
Reis, da Oficina do Estudante, explica que quem tem tradição de pedir questões relacionadas com pronomes são os vestibulares da PUC (Pontifícia Universidade Católica). 

A professora da Fundação Torino explica que esse conteúdo é importante principalmente na hora de escrever dissertações em inglês, uma vez que as 'linking words' dão maior fluidez ao texto. "Se você não faz uso delas, ele fica cheio de frases curtas e sem conectividade, se torna um texto muito infantil", diz.
Os alunos devem ficar atentos, pois em inglês existem substantivos contáveis e incontáveis. Dessa forma, precisam saber quais expressões sobre quantidade combinam com cada um desses substantivos. 

ESTUDE PARA O ENEM

  • Johnny Eggitt/AFP
    No Enem, atualidades são pretexto para cobrar análise de conteúdos
    Getty Images
    Prova de exatas do Enem cobra temas básicos; veja o que estudar
    Divulgação
    Confira 21 sugestões de filmes para estudar filosofia e sociologia
    Editoria de Artes/Agência O Globo
    Boa redação pede domínio da dissertação e de atualidades
    Rivaldo Gomes/Folhapress
    Estudar com provas antigas é principal dica para realizar Enem
  • Verb tensespresente, passado, futuro e condicional
"Em inglês, o que mais é cobrado é o present perfect, que é um tempo verbal que a gente não tem em português. É uma dor de cabeça para ensinar e uma dor de cabeça para que os alunos não tentem traduzir", diz Nascimento. 
Para Mônica, a prova pode querer que você use, por exemplo, o passado, mas de uma forma contextualizada. "Pode cair um texto em que você deverá responder onde aconteceu tal coisa, o que fulano fez no dia tal", explica.
O professor do cursinho do XI acredita que essa é a parte mais avançada do inglês. "Cai bastante, não explicitamente, é claro, como os outros temas de gramática, mas está relacionado com o entendimento do texto", diz Nascimento. "Se o aluno souber ligar uma oração a outra, ele conseguirá entender". 
"Recontar o que foi dito tem tudo a ver com a questão da comunicação", analisa Mônica. 
Nascimento acredita ser um tema não tão difícil, uma vez que geralmente é bastante abordado em cursos de inglês. "Você deve reportar uma ação feita por um terceiro. Não é um bicho de sete cabeças. Se o aluno souber o passado simples no inglês, ele já consegue tirar de letra", diz.
Segundo Reis, da Oficina do Estudante, os vestibulares da Unesp e do ITA trabalham muito com voz passiva. "A Unesp coloca bastante justamente para confundir o candidato na hora de redigir sua resposta. Já o ITA pede para colocar o adjetivo ou o advérbio na forma correta", analisa. "Por mais que não caia diretamente, é imprescindível você saber os diferentes empregos do tema".
Mônica afirma que a voz passiva é usada geralmente em textos e situações mais formais. "Por exemplo, ninguém vai dizer que o departamento 'x' quebrou o bebedouro. Em um ambiente de trabalho seria mais prudente dizer que o bebedouro foi quebrado", diz.

Aprenda a fazer uma boa redação em dez passos

"Os temas propostos pelo Enem são sempre relacionados a questões atuais, que de alguma forma estão mobilizando a opinião pública do país.  Editoriais de jornais, por serem dissertativos, são os textos mais recomendáveis para despertar o senso crítico do estudante".
  • Faça cópias de textos dissertativos
"É bom para assimilar, ao mesmo tempo, estrutura, linguagem, ortografia e pontuação. Nesse caso, caberá antes uma leitura atenta do texto escolhido, que permita ao estudante fazer uma cópia consciente, e não automática", diz Cida.
"Concluída a cópia, será necessário conferir se foi feita de modo fiel ou displicente. Esse exercício é excelente também para melhorar a capacidade de concentração".
  • Escreva duas redações por semana
"Treinar é essencial para garantir um bom desempenho na prova. É importante ainda submeter tais redações à apreciação de um professor, que, com base nas competências levadas em conta pelo Enem na correção das redações, fará uma avaliação criteriosa e personalizada".
UOL tem um banco de redações, em que são sugeridos temas atuais a cada mês. Os estudantes podem mandar suas produções, que serão avaliadas por uma equipe especializada em correção de prova de vestibular e Enem.
  • Conheça os temas anteriores do Enem
"É bastante produtivo fazer ainda algumas redações de temas previamente selecionados, preferencialmente aqueles considerados mais desafiadores". 

No dia da prova

Veja ainda estratégias dadas por Arlete Salvador que devem ser feitas durante a prova de redação:
  • Encontre o tema
Leia o enunciado e os textos de apoio com atenção. Na folha de rascunho, faça uma lista das ideias principais do assunto geral e dos textos complementares (use uma ou duas palavras para sintetizar essas ideias). Se houver imagens, transforme o conceito central em palavras.
Para a professora Cida, do Objetivo, é fundamental atentar ao encaminhamento sugerido pelos textos motivadores oferecidos pelo Enem. "O candidato independente corre o risco de desconsiderar a coletânea e fugir parcialmente ao tema. Para evitar isso, caberá selecionar duas ou três informações dos textos de apoio e integrá-los ao próprio repertório [cultural e linguístico]", diz.
Ela enfatiza que aproveitar um ou outro dado da coletânea não significa copiar trechos ou fragmentos, o que é absolutamente impróprio. 

  • Organize as ideias e planeje o texto
Após encontrado o tema, pense sobre o que tem a dizer para aquela discussão. Escolha os argumentos que serão utilizados, duas propostas de intervenção social e qual será a conclusão. 
Pense como será a ideia central da introdução e anote na folha de rascunho. O que você pretende defender? Escolha três argumentos que melhor sustentem sua ideia. 
  • Escreva na folha de rascunho
Não se afaste do modelo introdução, desenvolvimento e conclusão. Na hora de elaborar o texto, dê preferência para a terceira pessoa do singular ou do plural, nunca use gírias e utilize expressões de ligação entre parágrafos e ideias. 
Se estiver em dúvida sobre uma data, corte-a. Se a indefinição for na grafia de uma palavra, troque-a por um sinônimo.
Para a conclusão, a professora do Objetivo diz que sugestões de intervenção passíveis de serem colocadas em prática serão pertinentes. "Atribuir a responsabilidade pela solução de determinado problema a mais de um setor da sociedade também é importante", diz.
  • Invista na linguagem
A professora Cida, do Objetivo, acrescenta que uma linguagem diversificada contribui para o conteúdo do texto. "Contudo, deve-se evitar o vocabulário rebuscado, usado apenas para impressionar a banca. O estudante deve demonstrar repertório linguístico típico de um bom leitor, recém-saído do ensino médio". 
  • Releia o texto e verifique coerência e coesão
Substitua palavras repetidas por sinônimos e preste atenção se não cometeu deslizes na pontuação --separar sujeito de verbo com vírgula é erro grave--, e na acentuação. 
Vale a pena analisar se a introdução apresenta o tema pedido na prova, se os argumentos sustentam a tese escolhida, se as propostas de intervenção social são convincentes e se a conclusão tem conexão com o começo do texto.
  • Transcreva o texto para a folha oficial
Copie exatamente o que foi produzido na folha de rascunho. Tente fazer uma letra legível e não rabiscar. É importante respeitar os parágrafos, deixando uma pequena margem no início. Logo em seguida, corrija eventuais erros e dê a redação por encerrada.


Veja todos os temas de redação já cobrados no Enem17 fotos

1 / 17
Em 2014, o tema de redação do Enem foi "publicidade infantil em questão no Brasil". Ofereceram-se três temas para motivar o candidato: o primeiro trazia informações sobre uma resolução do Conanda (Conselho Nacional da Criança e do Adolescente); o segundo fazia um panorama da legislação sobre publicidade infantil no mundo; e o último defendia a necessidade de "preparar a criança" para tornar-se o "consumidor do futuro"Leia mais Thinkstock