terça-feira, 30 de junho de 2015

PRECONCEITO LINGÜÍSTICO

RESUMO: PRECONCEITO LINGÜÍSTICO, LIVRO DE MARCOS BAGNO.


Em "Preconceito Lingüístico", Marcos Bagno desconstrói oito mitos arraigados à cultura brasileira sobre a língua do Brasil. Apresentaremos os dois primeiros. No entanto, sugerirmos a leitura, na íntegra, da obra.



Mito n° 1
 
“A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente”
O primeiro mito apontado por Marcos Bagno é introduzido pelo título: “A língua portuguesa falada no Brasil apresenta uma unidade surpreendente”, o que o autor classifica como “o maior e mais sério dos mitos” e como “(pre) conceito irreal”.
Bagno argumenta que este mito é prejudicial à educação porque retira a variabilidade linguística do que é ensinado nas escolas e passa a idéia da existência de uma única língua comum a todos os brasileiros, não se levando em consideração os múltiplos fatores inerentes a cada grupo da população.
Ainda, segundo o autor, o alto grau de variabilidade e diversidade linguística no Brasil tem como uma de suas causas a injustiça social, geradora de um abismo linguístico entre a norma padrão e não-padrão (presente na maioria dos brasileiros). Assim, se este mito for tido como verdade, haveria, como os sem-terra, os sem-língua, a grande maioria dos brasileiros que não tem acesso à “norma culta da língua, aquela norma literária, culta, empregada pelos escritores e jornalistas, pelas instituições oficiais, pe­los órgãos do poder.”
As próprias mensagens enviadas pelo governo são dirigidas à massa em norma culta, o que dificulta sua compreensão pouco habilitada ao reconhecimento das formas de prestígio da língua, excluindo-os, inclusive do acesso das “benesses” públicas. E isto fica evidenciado, também, na própria Constituição que, apesar de igualar todos perante a lei, não os iguá-la quanto à sua legibilidade, constituindo essa mais uma pista da necessidade não de a Constituição ser escrita em língua não-padrão, mas a de que todos os brasileiros tenham o mesmo acesso à norma culta que têm as classes privilegiadas economicamente.  
Apesar de a grande parcela dos brasileiros falar o português, não se pode dizer que haja uma “homogeneidade linguística”, pois há uma imensa diversidade linguística presente na língua. A escola e as instituições voltadas à educação precisam desmistificar o conceito de “unidade”, para “melhor planejarem suas políticas de ação junto à população amplamente marginalizada”, que traz para a sala de aula uma bagagem linguística que difere da que, naquele ambiente, será ensinada. É como se o aluno fosse aprender a língua estrangeira de sua própria língua.
Marcos Bagno finaliza o primeiro mito citando o PCN (Parâmetro Curriculares Nacionais) de 1998, onde se lê, entre outra coisa, o seguinte: “A variação é constitutiva das línguas humanas, ocorrendo em todos os níveis. Ela sempre existiu e sempre existirá, indepen­dentemente de qualquer ação normativa”.

Mito n° 2

“Brasileiro não sabe português / Só em Portugal se fala bem português”
A grande mitificação que confere ao português de Portugal “superioridade” em relação ao “português brasileiro” tem raízes histórias, pois ainda temos o complexo de termos sido colonizados por um país tido como “civilizado”, ideo­logia, aponta Bagno, “impregnada em nossa cultura há muito tempo”.
No curso da história, com exemplos citados pelo autor, várias declarações se basearam em “posturas preconceituosas — perpetua­das ao longo dos séculos pela desinformação ou má informação — do que em análises científicas acuradas dos fatos lingüísticos”. Houve até quem profetizasse, devido à “corrupção do português” original e a sua má utilização, o “fim” da língua. Isto não ocorreu como sabemos. Um dos argumentos dos puristas, no que tange ao declínio do português se refere ao abuso de estrangeirismos, o que Marcos Bagno sugere que deve ser analisado sob a “perspectiva da dependência polí­tico-econômica (e conseqüentemente cultural) do Brasil (e de Portugal) para com os centros mundiais de poder”.
Dizer que o brasileiro não sabe o português e que só em Portugal se fala bem a língua é um mito reproduzido dentro das escolas. O português falado no Brasil, embora não se reconheça formalmente, já possui uma gramática própria e muito se distancia do português de Portugal. Tanto que em alguns casos, no intercruzamento dos dois, há sérios níveis de incompreensão no uso da língua entre ambos. Também na estrutura gramatical da língua, os dois países já se distanciaram em muito, e Marcos Bagno expressa e exemplifica tal distância, através, por exemplo, da citação do uso dos pronomes o/a.
Bagno afirma que no que diz respeito ao ensino do português no Brasil, o grande problema é que esse ensino é até hoje voltados para a norma lingüística de Portugal. Por isso, o erro de se pensar que o português só tem seu nível de “correção” se ouvido da boca de portugueses, como se eles falassem tudo “certo”.  Isto fere nossa identidade, que é também marcada pelo livre e independente uso de nossa construção da língua.
O certo é que o errado não existe. O erro é querer sugerir o “certo” à matriz de nossa língua pelo simples fato de ela guardar o “gene” formal do que falamos. Brasileiros e portugueses cometem seus desvios naturalmente, sem que isso prejudique a andar da língua ou sirva, tendenciosamente, para justificar que em Portugal, por originar o idioma, seja mais “puro” lingüisticamente que o Brasil.
A gramática normativa estabelece e obriga os brasileiros a, supostamente, falarem um português de Portugal, quando já deixamos, há tempos, a condição de colônia, quando já superamos Portugal em todos os âmbitos possíveis, e aqui se inclui o econômico, fora a evidente dimensão territorial. É óbvio que um país com as dimensões do Brasil, muitas vezes maior que Portugal, inevitavelmente, tem razões óbvias para que suas variantes sejam mais vivas que as da península ibérica. 






Teófilo Leite Beviláqua

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Dica de leitura para Enem: Maus, a história de um sobrevivente

Hoje temos mais um título interessante para complementar seus estudos para o Enem. O quadrinho Maus – a história de um sobrevivente – escrito por Art Spiegelman e vencedor do prêmio Pulitzer de literatura em 1992 – retrata a história de Vladek Spiegelman, pai de Art, que foi enviado ao campo de concentração de Auschwitz por ser judeu. Nesta HQ há a utilização de um recurso estilístico curioso: os nazistas são apresentados como gatos, enquanto os judeus poloneses são ratos, poloneses são porcos e, por fim, americanos, cachorros. Essa antropomorfização pode ser encarada como tentativa de estabelecer um comparativo entre cada animal e o papel de cada nacionalidade para com a perseguição aos judeus na Segunda Guerra Mundial. Desta forma, os judeus são representados como o animal mais frágil, dando nome à obra (maus, em alemão, significa rato). Devemos salientar que esta escolha do autor não foi impensada: representar os judeus por ratos foi uma forma de retomar uma artimanha nazista de propaganda: a de comparar o povo de Israel com animais que transmitiam doenças, povoam continentes e findam seus recursos.

Fonte: Maus – a história de um sobrevivente, editora Brasiliense, 1987.
Fonte: Maus – a história de um sobrevivente, editora Brasiliense, 1987.

O quadrinho não apresenta estrutura narrativa linear, recorrendo a diversas mudanças do foco narrativo para compor a história: por vezes somos colodos no presente e presenciamos o autor falar da vida de seu pai já na velhice; em outros momentos, acompanhamos a trajetória de Vladek em sua juventude durante a época do nazismo. Desta forma, o livro, apesar da sensibilidade do tema, possui tons de ironia e reflexão, os quais ocorrem quando o autor retrata sua convivência com o pai e o rumo da vida deste após o término do conflito e fuga para os Estados Unidos.
Apesar de ser por vezes classificado como uma biografia de Vladek Spiegelman, Maus, em uma análise mais profunda, revela uma complexa correlação entre os eventos traumáticos do passado de Vladek e suas consequências para seu filho, o qual foi criado sob o peso de ser filho de sobreviventes do Holocausto.
Após ler esta obra, recomendamos a leitura do excelente artigo de Fabiano Andrade (clique aqui para acessá-lo), o qual aprofunda as reflexões possíveis sobre Maus e apresenta comparações e conceitos literários que podem ser interessantes para qualquer vestibulando.

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Temas Redação Enem 2015: Intolerância Religiosa

  • 16 de maio de 2015 – Barretos/SP: o tio de uma adolescente evangélica, que se diz discriminada pelos colegas de escola pela religião, foi espancado por 30 pessoas ao tentar salvar e proteger a sobrinha de agressões motivadas por intolerância religiosa. O homem, de 31 anos, teve o rosto desfigurado e traumatismo craniano devido as pauladas que levou e passou por cirurgia. A jovem relata ter sido ofendida pelas roupas que usa e pelo cabelo comprido.
  • 14 de junho de 2015 – Rio de Janeiro/RJ: uma menina de apenas 11 anos é vítima de intolerância religiosa ao levar uma pedrada na cabeça quando saia de um culto de candomblé (religião de matriz africana) acompanhada pela avó e por um grupo de amigos. Todos, que vestiam roupas típicas da religião, estavam em uma calçada quando dois homens se aproximaram, os xingaram de “diabo” e levantaram a Bíblia, afirmando que Jesus Cristo estava voltando e que os demais deveriam ir ao inferno. A menina levou pontos na cabeça e passa bem. O caso foi registrado como lesão corporal e classificado pelo artigo 20 da lei 7.716 (prática, indução ou incitação à discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional). Dias depois, ao sair do Instituto Médico Legal (IML) onde fez um exame de corpo de delito, a menina foi novamente ofendida verbalmente por um homem que passava pelo local e que gritou “A imprensa só da ibope para macumbeiro e gay!”.
  • 18 de junho de 2015 – Uberaba/MG: o túmulo do médium kardecista Chico Xavier, autor de mais de 400 livros psicografados, dos quais não ficou com nem um centavo, e realizador de inúmeras obras de caridade, foi alvo de vandalismo. A construção possui um busto de Chico protegido por uma redoma de vidro e esta estrutura estava danificada, com pancadas e riscos. O filho adotivo do médium, Eurípedes Higino, acredita em vandalismo motivado por intolerância religiosa.
  • 18 de junho de 2015 – Rio de Janeiro/RJ: o templo Casa do Mago, situado na zona sul da cidade do Rio de Janeiro, foi apedrejado por três homens com Bíblias nas mãos. As pedras atingiram uma estrela, uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e algumas imagens de Buda.
  • 19 de junho de 2015 – Rio de Janeiro/RJ: o médium Gilberto Arruda (73 anos), principal integrante do centro espírita Lar de Frei Luiz, foi encontrado morto amarrado a uma cama com sinais de espancamento. Gilberto era praticante do espiritismo desde a infância e realizava cirurgias espirituais gratuitamente, além de manter uma creche juntamente com a esposa. A polícia não descarta a hipótese de crime motivado por intolerância religiosa.
diversidade religiosa
Estes cinco casos são os exemplos mais recentes e mais noticiados de atos de intolerância religiosa ocorridos no Brasil. Ed René Kivitz, teólogo e mestre em Ciência da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo e integrante do movimento Missão Integral (congregação de diferentes lideranças evangélicas), em entrevista para o portal de notícias UOL, vê este momento com grande preocupação. Para ele, alguns políticos da bancada evangélica e alguns pastores usam um “tom bélico” e assim criam “um clima propício para gente doente, ignorante, mal esclarecida e mal resolvida” para dar vazão a impulsos de “violência e rejeição ao próximo”.
A verdade é que há muito tempo, infelizmente, vivemos uma tensão religiosa no Brasil na qual as principais vítimas são fiéis de religiões menos divulgadas pela mídia e, deste modo, alvos de preconceito por serem minorias pouco compreendidas, como todas as minorias. Porém, não são apenas as crenças de matriz africana (candomblé, umbanda, quimbanda dentre outras) que são alvos de intolerância religiosa; o caso da menina evangélica discriminada na escola comprova isso, mas os ateus e agnósticos também são vítimas devido a sua descrença, como se não fosse permitido não crer em uma entidade divina.
A jornalista Eliane Brum escreveu, em 2011, um artigo opinativo no qual aborda o preconceito contra os ateus para a revista Época. No texto, a autora conta uma conversa que teve com um taxista evangélico que tenta convencê-la a se converter ao Cristianismo argumentando que só os cristãos serão salvos no dia do juízo final. A jornalista rebate, dizendo que ela respeita ele ser evangélico, mas que ele não respeita o fato de ela ser ateia.
Os seguidores do Islamismo também são vistos com receio por muitas pessoas que estranham as vestimentas e que pensam que todo muçulmano é terrorista. Na cidade de Sorocaba, interior de São Paulo, uma estudante da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), cansada de ser alvo de olhares maldosos, sugeriu que algumas mulheres usassem a Hijab por 24 horas para sentirem na pele o preconceito e todas, infelizmente, o sentiram realmente. Larissa Sato (18) se diz uma “mulher velada”, não muçulmana, que usa a Hijab por opção. A reportagem que conta a experiência de suas amigas e de uma jornalista que vestiu a Hijab por um dia pode ser lida na página do jornalCruzeiro do Sul.
Por se tratar de um tema atual situado no contexto brasileiro, tão miscigenado tanto na etnia quanto nas religiões, os candidatos ao Enem devem estudar e discutir a intolerância religiosa não apenas como possível tema da proposta de redação, mas como algo que deve ser combatido a fim de ser exterminado.



quarta-feira, 24 de junho de 2015

Dicas Para Estudar em Casa Para o Enem


Se você vai prestar o Enem e não está matriculado em um cursinho ou escola regular, independentemente de ter concluído ou não o ensino médio, já sabe que deverá estudar em casa, na maioria das vezes sozinho, para conquistar uma boa nota e atingir seus objetivos com a prova.
Mas então, o que fazer? Veja as dicas fundamentais para quem vai estudar em casa nos próximos meses e quer mandar bem no exame.

Disciplina e determinação

Estudar sozinho requer muito destas duas qualidades. Disciplina por que não haverá ninguém orientando nem supervisionado seus estudos, e determinação para se manter focado e não se “perder” com distrações e nem desanimar durante toda a preparação.

Horário / rotina

Conciliar os estudos com a rotina de trabalho e/ou outros compromissos não é tarefa fácil. Por esse motivo é fundamental criar um cronograma definindo quantas e quais horas dos dias serão dedicadas a preparação para o Enem. Não se esqueça de reservar algumas horas também para os finais de semana.

Buscar conteúdos

A dica aqui é para que você procure primeiramente conhecer quais assuntos fazem parte do conteúdo programático do exame. Conhecendo o que é exigido no Enem, você será capaz de filtrar na internet o que pode ser útil nos seus estudos.

Fazer simulados e provas passadas

Resolvendo simulados e edições anteriores, você terá contato antecipadamente com todas as dificuldades de se prestar uma prova extensa e cansativa como a do exame nacional. Além disso, seus resultados poderão ser utilizados para avaliar a eficiência dos estudos.
Vale esclarecer que você não está só nessa empreitada. De acordo com dados oficiais do Ministério da Educação (MEC), nas últimas três edições do Enem (2013, 2014 e 2015) mais de 60% dos candidatos não estavam cursando ou já haviam concluído o ensino médio.
Portanto, tenha em mente que uma preparação bem organizada, mesmo sem o acompanhamento em sala de aula, pode sim fazer diferença na hora do exame!

domingo, 21 de junho de 2015

Exemplo de Questão sobre Escolas Literárias no Enem


Como vimos em nossa nova série de artigos sobre as escolas literárias luso-brasileiras, o Quinhentismo foi um movimento literário importante no início do século do descobrimento do Brasil. Para demonstrar a importância de estudar estes movimentos literários, selecionamos uma questão da edição 2013 do ENEM, resolvida pela professora Margarida dos Santos Marques Moraes, que possui graduação e mestrado em Letras pela Universidade de São Paulo.

ENEM 2013 – QUESTÃO 97
TEXTO I
Andaram na praia, quando saímos, oito ou dez deles; e daí a pouco começaram a vir mais. E parece-me que viriam, este dia, à praia, quatrocentos ou quatrocentos e cinquenta.
Alguns deles traziam arcos e flechas, que todos trocaram por carapuças ou por qualquer coisa que lhes davam. […] Andavam todos tão bem-dispostos, tão bem feitos e galantes com suas tinturas que muito agradavam.
TEXTO II
PORTINARI, C. O descobrimento do Brasil: 1956. Óleo sobre tela, 199 x 169 cm. Disponível em: www.portinari.org.br. Acesso em: 12 jun. 2013.
PORTINARI, C. O descobrimento do Brasil: 1956. Óleo sobre tela, 199 x 169 cm.
Disponível em: www.portinari.org.br. Acesso em: 12 jun. 2013.
Pertencentes ao patrimônio cultural brasileiro, a carta de Pero Vaz de Caminha e a obra de Portinari retratam a chegada dos portugueses ao Brasil. Da leitura dos textos, constata-se que
a) a carta de Pero Vaz de Caminha representa uma das primeiras manifestações artísticas dos portugueses em terras brasileiras e preocupa-se apenas com a estética literária.
b) a tela de Portinari retrata indígenas nus com corpos pintados, cuja grande significação é a afirmação da arte acadêmica brasileira e a contestação de uma linguagem moderna.
c) a carta, como testemunho histórico-político, mostra o olhar do ,colonizador sobre a gente da terra, e a pintura destaca, em primeiro plano, a inquietação dos nativos.
d) as duas produções, embora usem linguagens diferentes – verbal e não verbal -, cumprem a mesma função social e artística.
e) a pintura e a carta de Caminha são manifestações de grupos étnicos diferentes, produzidas em um mesmo momento histórico, retratando a colonização.

RESOLUÇÃO E COMENTÁRIO:
Alternativa C
Os dois textos, embora com linguagens distintas (verbal – que emprega palavras e não-verbal – que emprega imagens ou outros códigos), mostram a chegada dos colonizadores ao Brasil. A carta de Caminha é o primeiro documento a respeito dos indígenas e apresenta uma visão do homem dito ‘civilizado’ sobre os nativos, a partir da mentalidade europeia dos séculos XV-XVI. Já a pintura de Portinari, com um olhar mais crítico, apresenta a surpresa dos nativos em relação à chegada dos colonizadores.

infoEnem

Escolas Literárias Luso-Brasileiras – Quinhentismo



Nesta nova série de artigos iremos apresentar as escolas literárias luso-brasileiras, conteúdo cobrado no caderno de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias do Enem. Aconselhamos ao candidato conciliar os aspectos aqui tratados com seus conhecimentos de história e geografia. Inicialmente, devemos dizer que, pelo fato do Brasil ter sido colônia de Portugal até 1822, a produção literária até este período pode ser nomeada sob o rótulo de escolas luso-brasileiras, pois a dependência econômica e política para com a metrópole também condicionou-nos a imitação de aspectos culturais.
A primeira escola que trataremos será o Quinhentismo, que se iniciou com o descobrimento do Brasil e perdurou até o fim do século XVI. O contexto histórico desta escola abrange a expansão marítima europeia pelos continentes africano, asiático e americano. Conciliada à procura de novas colônias, a expansão requeria dos viajantes informações sobre as terras visitadas e os povos encontrados, em algo que se assemelharia, nos dias de hoje, a um relatório. Este tipo de relato descritivo geralmente informava sobre as condições de viagem, como informações cartográficas e aspectos relevantes para a metrópole, como recursos minerais encontrados, a fauna e a flora das terras descobertas.
O exemplo mais consagrado de obra deste período é a carta de Pero Vaz de Caminha, que viajou com Pedro Alvares Cabral, na qual há o relato para o Rei D. Manuel sobre a descoberta da “Terra da Vera Cruz”. Abaixo reproduzimos um excerto do texto original de Caminha, já adaptado para o português corrente.
E assim seguimos nosso caminho, por este mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, estando da dita Ilha obra de 660 ou 670 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam fura-buxos.
Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome – o Monte Pascoal e à terra – a Terra da Vera Cruz.”
Fonte: Fundação Biblioteca Nacional, disponível em: http://objdigital.bn.br/Acervo_Digital/livros_eletronicos/carta.pdf.
Como características gerais da produção quinhentista, temos o emprego da linguagem erudita, clareza, ausência de figuras de linguagem e simplicidade. Esta carta irá marcar a construção do imaginário sobre os habitantes e as virtudes da terra, o que posteriormente se denominou nativismo, caracterizado pelo afeto e exaltação das características da colônia. Este fenômeno, embrionário ainda no Quinhentismo, terá desdobramentos e influenciará a produção barroca e do Arcadismo.
Outros autores relevantes do período são Pero de Magalhães Gândavo, Gabriel Soares de Sousa e Ambrósio Fernandes Brandão. Não poderíamos nos esquecer da produção dos missionários jesuítas que, motivados pela missão de civilizar os indígenas, produziram obras de caráter pedagógico e moralizante, como consta nos “Diálogos sobre a Conversão dos Gentios”. Este diálogo pode ser visto como uma justificativa da ação missionária, incentivando sua prática. Este texto formava parte da pedagogia empregada nos colégios jesuíticos para a formação de futuros padres.


sexta-feira, 19 de junho de 2015

Análise de Tema da Redação UNESP Meio de Ano 2015


O tema da prova de redação deste vestibular foi “A redução da maioridade penal contribuirá para a diminuição da criminalidade no Brasil?”.
A coletânea de textos é composta por quatro textos que discutem os prós e os contras da redução da maioridade penal, um tema muito debatido atualmente por todos os setores da sociedade brasileira. Como, normalmente, um vestibular de meio de ano, mesmo que da UNESP, possui menores proporções do que um vestibular de fim de ano, é possível trazer como tema uma questão bem recente.
E por ser um tema de discussão bem recente, atual e, ainda por cima, polêmico, o candidato deve tomar um cuidado maior para obedecer o recorte temático da coletânea de textos e se conter ao expressar as suas opiniões, já que pressupomos que grande parte da população brasileira já teve contato que a questão da idade penal e, assim, já tem uma posição formada ou ainda tem algumas dúvidas.
A atenção também deve estar voltada ao respeito aos direitos humanos, pois afirmações extremistas, radicais, preconceituosas e discriminatórias devem ser evitadas e combatidas, não só em provas de redação, mas também ao longo de nossas vidas. Quando o tema possui uma carga de polêmica, como é o caso da redução da maioridade penal, por vezes os ânimos se exaltam e o bom senso e a ponderação dão lugar à irracionalidade, ao desrespeito e à intolerância.
Assim, o tema da proposta de redação do vestibular de meio de ano 2015 da UNESP é a redução da maioridade penal e o comando de especificação de tema é o questionamento se esta contribuirá para a diminuição da criminalidade no Brasil. Portanto, esta pergunta deve ser respondida pelo candidato e o foco deve ser a diminuição da criminalidade.
O texto número um da coletânea é um excerto de uma matéria publicada no jornal Folha de São Paulo no dia 1º de abril deste ano na qual há a opinião favorável à redução da maioridade penal do advogado Carlos Velloso:
O jovem de hoje é diferente do jovem de 1940, quando essa maioridade penal de 18 anos foi instituída. Agora, ele é bem informado, já compreende o que é uma atitude delituosa. Muitos jovens de 16 anos já estão empregados no crime organizado. A redução vai inibir os adolescentes e criminosos que aliciam menores.
Segundo Velloso, a redução da maioridade penal dos 18 para os 16 anos inibiria a entrada dos adolescentes no crime organizado, já que hoje, segundo eles, muitos desses jovens foram aliciados por quadrilhas que traficam drogas e armas e que comandam, muitas vezes, comunidades inteiras. Além disso, de acordo com o advogado, esse adolescente já compreende o que é um crime, diferente dos jovens da década de 40, quando esta regra foi estabelecida.
Já o texto número dois da coletânea é um excerto de uma matéria publicada no portal G1, no mesmo dia, com a fala do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello:
Não vamos dar uma esperança vã à sociedade, como se pudéssemos ter melhores dias alterando a responsabilidade penal. Cadeia não conserta ninguém.
Afirmando que as prisões não consertam ninguém, podemos inferir que o ministro é contrário à redução da maioridade penal, já que a detenção só pioraria a situação, formando mais criminosos, como muitos pensam ao dizerem que a cadeia é a escola do crime. Este argumento é muito recorrente entre os que se posicionam contra a tal redução.
Os textos número três e quatro, por sua vez, não trazem apenas opiniões contrárias ou favoráveis à redução da maioridade penal, mas também debatem as possíveis causas e consequências de menores envolvidos em práticas ilícitas e são eles que trazem maiores informações e estabelecem melhores relações entre o tema e a própria coletânea de textos.
Iniciando pelo texto número três, trata-se de uma adaptação de um artigo opinativo cujo autor é Cláudio da Silva Leiria, promotor de justiça. Segundo ele, o adolescente dos dias atuais amadurece muito mais rápido do que os jovens das gerações passadas devido ao grande acesso à informação e à facilitação do acesso à educação (há controvérsias) e, por isso mesmo, uma pessoa, aos 16 anos, já pode votar e ser emancipado. Para Leiria, os criminosos se valem da impunidade e das leis brandas que contemplam os menores de idade para realizarem crimes. Enquanto políticas públicas para crianças e adolescentes não são efetivadas, a medida paliativa mais adequada, para o promotor, é a redução da maioridade penal.
unesp redaçãoFinalmente, o texto número quatro é uma adaptação de mais um artigo opinativo, agora de autoria de Paulo Sérgio Pinheiro, ex-secretário de Estado dos Direitos Humanos. Para o autor, por trás de um adolescente infrator há sempre um adulto que compõe o crime organizado que, por sua vez, não é combatido devidamente por causa da ineficiência da polícia. Colocar menores de idade nas cadeias ou nas fundações destinadas a eles, sem o tratamento adequado, não trará segurança à sociedade como um todo. O ideal, de acordo com Pinheiro, seria melhorar a Fundação Casa, por exemplo, a fim de evitar que o adolescente infrator volte ao crime e vá preso em presídios comuns, destinados aos adultos.
Vale ressaltar que o candidato deve perceber que dentre os quatro textos da coletânea há três vozes ligadas à justiça (um advogado, um ministro do STF e um promotor) e apenas uma voz ligada aos direitos humanos, justamente a que mais explica e justifica a não redução da maioridade penal no Brasil. Apesar disso, tanto o texto número três quanto o número quatro afirmam a necessidade da criação e implementação de políticas públicas voltadas às crianças e aos adolescentes e um tratamento diferenciado ao menor infrator. Esses pontos são fundamentais e devem ser trabalhados pelos candidatos.
Como, dentre os quatro texto, há dois favoráveis e dois contrários à redução da idade penal no país, pensamos ser possível que o candidato escolha um dos lados e argumente, de forma embasada e consistente, a favor da sua opinião.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Redação Enem: Proposta de Intervenção e Direitos Humanos

Na maioria dos vestibulares e concursos públicos, cobra-se como redação o gênero textual dissertativo-argumentativo. Porém, somente no Exame Nacional do Ensino Médio há um diferencial, que é a Proposta de Intervenção. Por isso ser uma exclusividade do Enem, muitos alunos ainda não entendem o que é pedido e acabam perdendo muitos pontos na redação, já que a proposta de intervenção vale 200 de um total de 1.000!
Dos critérios de avaliação da redação do exame, a quinta competência diz respeito a “elaborar proposta de intervenção para o problema abordado, respeitando os direitos humanos”. Mas o que é essa proposta de intervenção? Primeiramente, precisamos entender o que significa “intervenção”. A palavra vem do verbo intervir que, segundo o dicionário Priberam, é:
Intervir: colocar-se entre, vir entre, interromper, sobrevir; tomar parte em (participar); meter-se de permeio; ingerir-se, interferir, interceder.
Dessa forma, a proposta de intervenção é participar do problema discutido na dissertação propondo uma interferência a ele. Em outras palavras, propor uma ação que melhore ou solucione a problemática discutida sobre o tema.
Um detalhe importante é que essa ação proposta deve respeitar os direitos humanos, isto é, respeitar os valores de cidadania, liberdade, solidariedade, igualdade e diversidade. Caso esse termo “Direitos Humanos” te pareça obscuro, sugerimos a leitura desse curto material: Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Como propor intervenção é tratar de algum problema, é mais adequado que ao sugerir a ação, essa questão já tenha sido apresentada e discutida. Por isso, vemos, com mais frequência, a proposta de intervenção vir no último parágrafo da dissertação, após concluir a linha de raciocínio, ou seja, após corroborar (reafirmar) a tese.
Em um próximo artigo, veremos o que, detalhadamente, deve conter na Proposta de Intervenção para conseguir alcançar pontuação máxima nessa competência.

InfoEnem

sábado, 13 de junho de 2015

Erros comuns em inglês

  • He doesn't know nothing about baseball
    Ao contrário do que possa parecer, a frase acima quer dizer que o sujeito sabe alguma coisa sobre o baseball. Para dizer que ele não sabe nada sobre o esporte a frase teria que ser "He doesn't know anything about baseball" (ele não sabe nada sobre baseball, em tradução livre)
  • It's depend of
    Você deve usar o verbo "depend" na terceira pessoa do presente simples, ou seja, deve acrescentar um "s" no final do verbo ("depends"). A preposição também está errada. O conselho que a professora dá para esse caso é fixar o uso de todas as preposições. A frase corrigida deve ser "It depends on" (Depende de, em tradução livre)
  • He no would like it
    Segundo a professora, falar ou escrever a frase desse jeito é inaceitável. O correto é "He wouldn't like it" (ele não iria gostar, em tradução livre)
  • Exists a lot of pubs in London
    Em inglês, não podemos começar a frase com "exists". Você pode pensar em mudar a frase para "A lot of pubs exist in London". Ela está correta gramaticalmente, mas segundo a professora não parece muito natural.O ideal é "There are a lot of pubs in London/London has a lot of pubs" (há muitos pubs em Londres, em tradução livre/Londres tem muitos pubs)
  • He must to do it
    Não se deve usar o "to" depois de um "modal verb". O correto é "He must do it" (Ele deve fazer, em tradução livre). "Para ser justa, esse é um erro cometido por todas as nacionalidades", diz a professora
  • Do you mind to help me with this?
    A frase está quase correta, mas é preciso acrescentar o "ing" no final da palavra help, ou seja, a expressão ficará "Do you mind helping me with this?" (Você se importa de me ajudar com isso?, em tradução livre)
  • She wants that you do it
    Em inglês, os desejos são escritos mais diretos. Então, we "want something" (nós queremos alguma coisa, em tradução livre) or we "want someone to do something" (nós queremos alguém para fazer alguma coisa, em tradução livre). Sendo assim, a frase deve ficar "She wants you to do it" (Ela quer que você faça isso, em tradução livre)
  • Is fantastic
    Cadê o sujeito da frase? A expressão contém apenas o verbo (is) e o objeto (fantastic). Logo o correto é "It's fantastic" (Isso é fantástico, em tradução livre)
  • She looks as a musician
    Em inglês, geralmente usa-se "looks like" (parece, em tradução livre). Se usamos um adjetivo é só tirar a palavra "like", como em "He looks nice" (ele parece legal, em tradução livre). Logo, como a frase destacada não usa adjetivo ela precisa da palavra "like" - "She looks like a musician" (ela parece uma musicista, em tradução livre)
  • I had a cough (pronúncia)
    A professora diz que o brasileiro muitas vezes confunde a pronúncia da palavra "coffee" (café). O som que sai acaba parecendo o de "cough" (tosse). O conselho é destacar o som do "ee" no final. Isso também serve para palavras terminadas em "y".
  • Uol

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Xadrez

- Sabe jogar xadrez?
- Sei...
- Quem te ensinou?
- Meu pai. Já fugiu três vezes.

JSC

quarta-feira, 10 de junho de 2015

4 Vantagens de Estudar Por Provas Anteriores do Enem



  1. Fixar matérias estudadas – Certamente você já ouviu algum professor dizer que a melhor forma de fixar e consolidar um novo conteúdo é resolvendo exercícios que o envolvam. Afirmação extremamente pertinente, pois a prática o levará a dominar o tema, evitando “brancos” e esquecimentos durante a prova;
  2. Adaptação física e mental – Conforme informado no início do artigo, passar horas a fio lendo textos intermináveis, raciocinando e resolvendo inúmeras questões esgota o candidato física e mentalmente. E para se adaptar a esta maratona, não resta outra alternativa a não ser se treinar nestas mesmas condições;
  3. Controle do tempo – Apesar de longo e estressante, como explicado no tópico anterior, o Enem possui tantas questões que o tempo fica curto. Você sabia que, na prática, tem menos que 3 minutos para responder cada item? Para aprender a administrar o relógio no exame é necessário participar de simulados e resolver as provas marcando o tempo;
  4. Auto avaliação – Outro benefício de quem estuda por edições antigas é a possibilidade de auto avaliação. Com os resultados dos simulados e provas resolvidas é possível analisar se o desempenho está melhorando ou não. Caso a resposta seja negativa, ainda haverá tempo para mudança nas estratégias.
infoEnem

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Análise de Redação Nota 1000 do Enem 2014

 No texto de hoje, iremos analisar um desses textos a fim de gerar uma reflexão acerca do que a banca elaboradora e corretora espera de um candidato ideal.
Primeiramente, a fim de situar os nossos leitores, gostaríamos de resumir o que a coletânea de textos motivadores dessa proposta de redação do Enem traz aos candidatos.
primeiro texto é a adaptação de uma matéria publicada na página da BBC que discute a resolução do Conanda(Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente) que considera abusiva a publicidade infantil que tem como objetivo persuadir a criança ao consumo de qualquer produto e serviço ao apelar para aspectos como brinquedos, desenhos animados, linguagem infantil, trilhas sonoras, ofertas de prêmios dentre outros. O texto, além de definir o que é, para o Conanda, uma propaganda infantil abusiva, aborda os pontos de vistas favoráveis dos pais à resolução e desfavoráveis dos anunciantes, visto que estes argumentam que o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) já exerce o papel de controle e de combate a possíveis abusos.
segundo texto da coletânea de textos motivadores, por sua vez, é um texto multimodal, já que trata-se de um mapa mundial que mostra como alguns países lidam com a questão da publicidade voltada ao público infantil. Por meio de sua leitura e análise, os candidatos tomaram ciência de quais países regulamentam, proíbem (total ou parcialmente) e liberam tais propagandas e como essas ações são feitas.
Já o terceiro e último texto da coletânea de textos motivadores é uma citação adaptada de dois autores de um livro que trata sobre a questão do marketing2 infantil. Segundo a citação, a criança deve ser preparada, desde pequena, para receber mensagens do mundo exterior a fim de entender o que está por trás dessa mensagem, ou seja, o que está nas entrelinhas para que, no futuro, ela seja uma consumidora reflexiva e consciente de suas compras.
A redação que iremos analisar é de autoria de Antônio Ivan Araújo Monteiro Jr., residente do estado do Ceará. A seguir, o texto na íntegra:
A publicidade infantil movimenta bilhões de dólares e é responsável por considerável aumento no número de vendas de produtos e serviços direcionados às crianças. No Brasil, o debate sobre a publicidade infantil representa uma questão que envolve interesses diversos. Nesse contexto, o governo deve regulamentar a veiculação e o conteúdo de campanhas publicitárias voltadas às crianças, pois, do contrário, elas podem ser prejudicadas em sua formação, com prejuízos físicos, psicológicos e emocionais.
Em primeiro lugar, nota-se que as propagandas voltadas ao público mais jovem podem influir nos hábitos alimentares, podendo alterar, consequentemente, o desenvolvimento físico e a saúde das crianças. Os brindes que acompanham as refeições infantis ofertados pelas grandes redes de lanchonetes, por exemplo, aumentam o consumo de alimentos muito calóricos e prejudiciais à saúde pelas crianças, interessadas nos prêmios. Esse aumento da ingestão de alimentos pouco saudáveis pode acarretar o surgimento precoce de doenças como a obesidade.
Em segundo lugar, observa-se que a publicidade infantil é um estímulo ao consumismo desde a mais tenra idade. O consumo de brinquedos e aparelhos eletrônicos modifica os hábitos comportamentais de muitas crianças que, para conseguir acompanhar as novas brincadeiras dos colegas, pedem presentes cada vez mais caros aos pais. Quando esses não podem compra-los, as crianças podem ser vítimas de piadas maldosas por parte dos outros, podendo também ser excluídas de determinados círculos de amizade, o que prejudica o desenvolvimento emocional e psicológico dela.
Em decorrência disso, cabe ao Governo Federal e ao terceiro setor a tarefa de reverter esse quadro. O terceiro setor – composto por associações que buscam se organizar para conseguir melhorias na sociedade – deve conscientizar, por meio de palestras e grupos de discussão, os pais e os familiares das crianças para que discutam com elas a respeito do consumismo e dos males disso. Por fim, o Estado deve regular os conteúdos veiculados nas campanhas publicitárias, para que essas não tentem convencer pessoas que ainda não têm o senso crítico desenvolvido. Além disso, ele deve multar as empresas publicitárias que não respeitarem suas determinações. Com esses atos, a publicidade infantil deixará de ser tão prejudicial e as crianças brasileiras poderão crescer e se desenvolver de forma mais saudável.
Trecho de redação de Antônio Ivan Araújo. 

Confira agora uma análise parágrafo a parágrafo

Iniciaremos a análise pela introdução. O autor inicia o seu texto situando a publicidade infantil em termos econômicos mostrando que este tipo de propaganda movimenta milhões de dólares em todo o mundo. Porém, como o tema é a publicidade infantil no Brasil, essa especificação vem logo em seguida juntamente com a tese de que, em nosso país, essa discussão deve levar em consideração vários aspectos e que o governo deve regulamentar esse mecanismo, pois, ao contrário, pode haver prejuízo na formação das crianças em relação a sua saúde física e emocional. Assim, podemos perceber que o auto apresenta o tema e o seu ponto de vista ao leitor e já dá uma dica do que será a sua proposta de intervenção social, ou seja, a regulamentação por parte do governo.
Com o intuito de conectar a introdução ao primeiro parágrafo do desenvolvimento, o autor faz uso de um recurso conectivo para também referir-se à saúde física já citada anteriormente, fazendo alusão aos brindes que acompanham os lanches de restaurantes fast food (não é preciso dizer o nome da mais famosa rede desse tipo). Exemplificando como a publicidade infantil pode influenciar na questão da obesidade infantil, o autor embasa seu argumento e ainda mostra que leu a coletânea de textos motivadores cujo primeiro texto menciona brindes desse tipo. Problemas de saúde, deste modo, são uma das consequências da publicidade infantil apelativa por meio de brinquedos que acompanham comidas que não são saudáveis.
Atento à paragrafação, o autor faz uma segunda relação entre os parágrafos do desenvolvimento ao iniciar o terceiro parágrafo com “em segundo lugar”, dando sequência às suas estratégias argumentativas citando o aumento do consumismo oriundo desse tipo de propaganda, mostrando que foi além do que o terceiro texto motivador abordou. O argumento do autor é que as crianças querem acompanhar seus amigos nas brincadeiras e, por isso, pedem aos pais os brinquedos que conhecem pelas peças publicitárias e, se elas não tiverem tais brinquedos, podem virar motivo de gozação, o que acarretaria em danos psicológicos, como já fora adiantado na introdução.
Nesse parágrafo específico, há um pequeno desvio de acentuação, o que não prejudica em hipótese alguma a coesão e a fluência do texto e, por isso, assim mesmo, a nota dessa redação foi a máxima.
quarto parágrafo aborda, como já demonstrado pelo seu início, que em decorrência dessa problemática, o Governo Federal e o terceiro setor – definido pelo autor a fim de que seu leitor tome conhecimento – devem reverter esse quadro por meio da regulamentação e da punição através da aplicação de multas e da formação de consciência em palestras e grupos de discussão, respectivamente.