sábado, 4 de março de 2017

Abaixo, em cima, de cima abaixo

Na música Elegia, gravada por Caetano Veloso, há dois deles, numa sequência antitética (lembram-se? Antítese é a figura de linguagem em que estão presentes palavras de sentido contrário):
Deixa que minha mão errante adentre atrás, na frente
Em cima, embaixo, entre
Minha América, minha terra à vista
Reino de paz se um homem só a conquista
Minha mina preciosa, meu império
Feliz de quem penetre o teu mistério (…)”
https://www.vagalume.com.br/caetano-veloso/elegia.html
Paulo Vanzolini usa a expressão ‘por cima’ para descrever o percurso na recuperação de uma desilusão, na canção Volta por cima:
“(…) Um homem de moral
Não fica no chão
Nem quer que mulher
Lhe venha dar a mão
Reconhece a queda
E não desanima
Levanta, sacode a poeira
E dá a volta por cima
https://www.vagalume.com.br/beth-carvalho/volta-por-cima.html
E a ‘funkeira’ Ludmilla, em “24 horas por dia” juntou algumas dessas expressões em um mesmo trecho:
“Tu não tem nada pra fazer
E fica nessa agonia
Fala de mim, pensa em mim
24 horas por dia (…)
Faz carinha feia quando passa do meu lado
Ainda por cima baba, me olhando de cima a baixo (…)”
Para não errar a grafia, nem a combinação dessas palavras em expressões, vamos ver exatamente o significado e maneira de escrever cada uma delas:
  • Acima X abaixo: são antônimos e podem indicar um deslocamento:
    O fogo alastrou-se morro acima. As canoas desciam rio abaixo.
  • Em cima X embaixo: também indicam oposição na localização, mas agora a grafia é diferente. Podem ser substituídos pelas preposições sobre (=em cima) e sob (=embaixo)
    Em cima do prédio (sobre o prédio) há um heliporto;
    embaixo dele fica a garagem (sob ele)
  • Por cima: uma posição superior ou um acréscimo
    Os meninos jogaram a bola por cima do muro, de volta para o campinho.
  • De cima a baixo: todas as palavras separadas, indicam um ‘delta S’ (Física? Sim!). Indica um intervalo entre dois pontos no espaço, podendo significar também a totalidade de algo.
    O lutador mediu o oponente de cima a baixo.

Infoenem

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

TRANSFORMAÇÃO

Oceanos, rios e lagos secam,
O Sol aquece o planeta de forma diferente;
Estrelas morrem.
Geleiras desaparecem;
Flores murcham.
A Terra muda, e “nada se perde, tudo se transforma”...
Entender que pode mudar, já é o primeiro passo de uma grande transformação. Não importa há quanto tempo ensina, pois o “velho” está na cabeça de quem não muda. Rever os conceitos, estilos de ensinar e de avaliar devem fazer parte do dia-a-dia de quem tem compromisso com uma boa educação...
Assim como a Terra, o professor deve mudar, mudar de novo, mudar novamente, sempre mudar;  mudar sempre  para criar emoções, produzir sensações, multiplicar sonhos...
Quando o professor muda, não está se perdendo; está se transformando.  

Joerlândio Cordeiro


quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Figuras de Linguagem – Onomatopeias, Barulhos Escritos por Extenso


A infância de muita gente foi povoada de barulhos por escrito, nos gibis, tirinhas, cartuns e até na TV. Um seriado antigo das aventuras de Batman e Robin ilustrava as brigas entre os heróis e os vilões com imagens coloridas dos sons dos socos e golpes:
onomatopeia1
O Tio Patinhas se deliciava mergulhando na sua caixa-forte, ouvindo o tilintar das moedas:
onomatopeia2
Mas não é só a cultura ‘pop’ que lança mão desse recurso. Encontramos onomatopeias também na Literatura:
(…)Troc… troc… troc… troc…
  ligeirinhos, ligeirinhos…
  troc… troc… troc…
  vão cantando os tamanquinhos
  Madrugada. Troc… troc… troc…
  pelas portas dos vizinhos
  vão batendo, troc… troc…
  vão cantando os tamanquinhos… (…)

(A canção dos tamanquinhos, Cecília Meireles)
(…) Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno! 
Forte espasmo retido dos maquinismos em fúria! 
Em fúria fora e dentro de mim, 
Por todos os meus nervos dissecados fora, 
Por todas as papilas fora de tudo com que eu sinto!  (…)”

(Ode triunfal, Fernando Pessoa)
(…) Sino de Belém, pelos que ainda vêm!
Sino de Belém, bate bem-bem-bem.
Sino da paixão, pelos que ainda vão!
Sino da paixão, bate bão-bão-bão.
Sino do Bonfim, por que chora assim?(…)”

(Os sinos, Manuel Bandeira)
A abelha-mestra
E as abelhinhas
Estão todas prontinhas
Para ir para a festa
Num zune que zune
Lá vão pro jardim (…)”

(As abelhas, Vinícius de Moraes)
Nos textos acima podemos observar que há situações em que as sequências de letras apenas funcionam como a representação de um determinado som – essa é a FIGURA DE LINGUAGEM denominada onomatopeia.
No entanto, ocorrem também alguns casos em que, a partir da representação dos sons, criam-se palavras, que figuram nos dicionários, como verbos ou substantivos, as quais podem ser flexionadas. Estamos, então, diante de um PROCESSO DE FORMAÇÃO DE PALAVRAS denominado onomatopeia, que dará origem a palavras onomatopaicas.
É o caso do verbo tilintar, das HQs do Tio Patinhas, e do verbo zunir, no poema de Vinicius de Moraes e na tirinha do Fernando Gonsales, que serviu de base para uma questão da Unicamp da semana passada:
onomatopeia4
O barulho produzido pelo bater das asas das abelhas deu origem ao verbo zunir, que, no poema, foi empregado para se referir ao movimento frenético desses insetos, que não param um minuto, sempre de flor em flor recolhendo pólen, e, na tirinha, foi empregado criativamente para fazer uma relação intertextual com o “Manifesto Comunista”, de Marx e Engels. (Em tempo: o cartunista errou a acentuação, pois oxítonas terminadas em ‘i’ não são acentuadas…)
Assim, onomatopeia pode denominar tanto a figura de linguagem, na Estilística, como o processo de formação de palavras, na Gramática.

Orações condicionais – sobre a dupla de conjunções “se/caso”


Entre os diversos mecanismos que podemos empregar em um texto dissertativo para reforçar a persuasão está a condição, expressa por estruturas que, na análise sintática, classificamos como orações subordinadas adverbiais condicionais. As mães são especialistas em empregar essas estruturas… Quem nunca ouviu “Você só vai sair SE arrumar seu quarto!”
As orações subordinadas adverbiais condicionais, como as coordenadas, as subordinadas substantivas e outras subordinadas adverbiais, são iniciadas (quando são desenvolvidas) por conjunções ou locuções conjuntivas, e as mais usuais são o ‘se’ e o ‘caso’. É frequente, entretanto, ouvirmos um ‘reforço’ inadequado na indicação da condição: algumas pessoas empregam essas duas conjunções ao mesmo tempo, resultando em duas impropriedades: a redundância, uma vez que um conectivo apenas basta para expressar a relação semântica de condição; e um problema de inadequação de tempos verbais.
O emprego redundante pode, talvez, ser ocasionado pela audição distraída de uma estrutura que aparece, por exemplo, na música Folhetim, de Chico Buarque:
“Se acaso me quiseres
Sou dessas mulheres
Que só dizem sim
Por uma coisa à toa
Uma noitada boa
Um cinema, um botequim (…)”
(https://www.letras.mus.br/chico-buarque/85968/ )
Aparece também empregada por Lupicínio Rodrigues:
“Se acaso você chegasse
No meu chatô encontrasse aquela mulher
Que você gostou
Será que tinha coragem
De trocar nossa amizade
Por ela que já te abandonou(…)”
(https://www.vagalume.com.br/lupicinio-rodrigues/se-acaso-voce-chegasse.html )
E o Wesley Safadão, para minha surpresa (só porque ele não faz parte da minha lista de artistas preferidos), também contribuiu com um bom exemplo:
“(…)Eu vou pagar pra ver até onde esse amor vai dar
Só tente lembrar, enquanto durar
Eu vou te amar intensamente
Se acaso acontecer, amanhã você me deixar(…)
Não vá se culpar, já tô preparado
Que na vida nem tudo é pra sempre”
(https://www.vagalume.com.br/wesley-safadao/eu-vou-pagar-pra-ver.html )
A proximidade sonora e gráfica do advérbio acaso com a conjunção caso pode ser a fonte desse problema de redundância. Nos exemplos das canções, o emprego está correto: temos uma conjunção seguida de um advérbio de dúvida, por isso, é preciso cuidado com a pronúncia e com a grafia nessas construções.
No segundo caso, o problema é que cada uma dessas conjunções exige os verbos em tempos diferentes. Empregando a conjunção SE, o verbo deverá aparecer conjugado no Futuro do Subjuntivo:
  • Se você trouxer os ingredientes, faremos o bolo. (sem esquecer que esse tempo requer atenção quando empregamos verbos irregulares)
E, ao empregarmos a conjunção CASO, o verbo deverá estar no Presente de Subjuntivo:
  • Caso você traga os ingredientes, faremos o bolo.
E lembre-se de que “Se caso… não fico solteira(o)!”
Portanto NÃO use “Se caso chover”, nem “Se caso chova”… O adequado é “Se chover” ou “Caso chova”!

Eu e Me


Hoje eu vou sair para me visitar. Talvez eu me encontre por aí, quem sabe em algum lugar brincando, sorrindo, lendo bons livros, assistindo bons filmes; conversando com pessoas inteligentes. Eu vou me cuidar; Eu vou levar-me para onde eu quiser. Eu vou fazer-me tudo para eu ser feliz. Eu preciso entender que para eu amar, eu tenho que amar-me primeiro.



JSC

sábado, 7 de janeiro de 2017

Os copos

Os copos, sobre a mesa,
nem sempre representam os amigos que você tem.

JSC

Vi...

Vi uma mulher
Vi uma mulher bonita
VI uma mulher bonita e escultural
Vi apenas uma mulher...
Respeito é tudo que elas querem.

                                                                                                                                           JSC

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

É engraçado

É engraçado que todos sabem de tudo, mas se tudo dá errado, todos não sabem de nada.

                                                                                                                             JSC