terça-feira, 30 de setembro de 2014

Barroco


O período conhecido como Barroco, ou Seiscentismo, é constituído pelas primeiras manifestações literárias genuinamente brasileiras ocorridas no Brasil Colônia, embora diretamente influenciadas pelo barroco europeu, isto é, vindo das Metrópoles. O termo denomina genericamente todas as manifestações artísticas dos anos 1600 e início dos anos 1700. Além da literatura, estende-se à música, pintura, escultura e arquitetura da época.
"Vaidade" (sem data), de Domenico Piola

Contexto Histórico
Após o Concílio de Trento, realizado entre os anos de 1545 e 1563 e que teve como consequência uma grande reformulação do Catolicismo, em resposta à Reforma protestante, a disciplina e a autoridade da Igreja de Roma foram restauradas, estabelecendo-se a divisão da cristandade entre protestantes e católicos.
Nos Estados protestantes, onde as condições sociais foram mais favoráveis à liberdade de pensamento, o racionalismo e a curiosidade científica do Renascimento continuaram a se desenvolver. Já nos Estados católicos, sobretudo na Península Ibérica, desenvolveu-se o movimento chamado Contrarreforma, que procurou reprimir todas as tentativas de manifestações culturais ou religiosas contrárias às determinações da Igreja Católica. Nesse período, a Companhia de Jesus passa a dominar quase que inteiramente o ensino, exercendo papel importantíssimo na difusão do pensamento aprovado pelo Concílio de Trento.
O clima geral era de austeridade e repressão. O Tribunal da Inquisição, que se estabelecera em Portugal para julgar casos de heresia, ameaçava cada vez mais a liberdade de pensamento. O complexo contexto sociocultural fez com que o homem tentasse conciliar a glória e os valores humanos despertados pelo Renascimento com as ideias de submissão e pequenez perante Deus e a Igreja. Ao antropocentrismo renascentista (valorização do homem) opôs-se o teocentrismo (Deus como centro de tudo), inspirado nas tradições medievais.
Essa situação contraditória resultou em um movimento artístico que expressava também atitudes contraditórias do artista em face do mundo, da vida, dos sentimentos e de si mesmo; esse movimento recebeu o nome de Barroco. O homem se vê colocado entre o céu e a terra, consciente de sua grandeza mas atormentado pela ideia de pecado e, nesse dilema, busca a salvação de forma angustiada. Os sentimentos se exaltam, as paixões não são mais controladas pela razão, e o desejo de exprimir esses estados de alma vai se realizar por meio de antíteses, paradoxos e interrogações. Essa oscilação que leva o homem do céu ao inferno, que mostra sua dimensão carnal e espiritual, é uma das principais características da literatura barroca. Os escritores barrocos abusam do jogo de palavras (cultismo) e do jogo de ideias ou conceitos (conceptismo).

Temas frequentes na Literatura Barroca
- fugacidade da vida e instabilidade das coisas;
- morte, expressão máxima da efemeridade das coisas;
- concepção do tempo como agente da morte e da dissolução das coisas;
- castigo, como decorrência do pecado;
- arrependimento;
- narração de cenas trágicas;
- erotismo;
- misticismo;
- apelo à religião.        


www.soliteratura.com.br                           

Poema Negro - Augusto dos Anjos


sábado, 27 de setembro de 2014

Redação do Enem: há teses corretas e teses erradas?

O Enem está se aproximando e este é um bom momento para desmistificarmos algumas falácias acerca da sua prova de redação.
Uma ideia falaciosa que há muito tempo está entre alunos é a de que existem teses corretas, que devem ser colocadas em dissertações-argumentativas, e teses erradas, que devem ser evitadas. No que diz respeito ao Enem, muitos acreditam que teses que vão contra o Governo Federal não devem ser escritas, já que o exame é uma política pública de ensino e de acesso à universidade do Governo Federal.
Em vestibulares sérios e no Enem as bancas elaboradora e corretora não esperam uma determinada tese, já que qualquer opinião pode ser posta e defendida, desde que haja consonância entre a redação e a proposta e fundamentação consistente em argumentos e estratégias argumentativas.
Porém, isto não significa que toda e qualquer tese possui o mesmo peso em uma proposta de redação. Teses óbvias, pautadas no senso comum ou em preconceitos, por exemplo, não possuem um bom potencial, já que não são originais, são facilmente derrubadas e ferem os direitos humanos.
Assim, o candidato deve escolher uma tese defensável, mas que se distancie do senso comum, pois estas não demonstram uma adequada capacidade argumentativa. A tese ideal é aquela que se aprofunda no tema, desenvolvendo-o de uma maneira objetiva, mas completa; a tese ideal é aquela que explora o tema e o aproveita da melhor forma possível.
Elaborar teses a respeito de assuntos polêmicos ajuda a analisarmos e a refletirmos acerca dos nossos pontos de vista e do nosso embasamento argumentativo, já que o objetivo de uma dissertação-argumentativa é convencer o leitor.
Temas como descriminalização da maconha e demais drogas, legalização do aborto, diminuição da maioridade penal, casamento homoafetivo, racismo, preconceito religioso, estado laico etc estão em alta, principalmente neste período eleitoral, e devem ser tratados profundamente, sendo explorados em todas as suas instâncias e aspectos.
  • Você é a favor da descriminalização da maconha e demais drogas? Sim? Não? Por quê?
  • Você é a favor da legalização do aborto? Sim? Não? Por quê?
  • Você é a favor da diminuição da maioridade penal? Sim? Não? Por quê?
E por aí vai. Lembrem-se de pensar não apenas no seu principal argumento, mas também nos possíveis contra-argumentos para que haja o devido embate ideológico.

InfoEnem

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Entenda as diferenças dos porquês

  • Por que: Preposição por + pronome interrogativo que. Tem função de pergunta e equivale a Por qual razão? Por qual motivo?
  • Por quê: Deve ser empregado somente no fim da oração, tendo o mesmo significado de por que.
  • Porque: Conjunção utilizada para explicar ou mostrar a causa de algo citado anteriormente. Equivale a pois, já que.
  • Porquê: Substantivo masculino. Equivale a: o motivo, a razão, a causa.
Para fixar melhor o uso correto dessas palavras, veja a charge abaixo criada pelo ilustrador catarinense Alexandre Beck. Analise e relacione cada frase com sua respectiva explicação dada acima.
Imagem: Reprodução / Mundo Texto
Imagem: Reprodução / Mundo Texto
Ficou mais claro?
Veja que as primeiras frases são, respectivamente, uma pergunta (por que) e uma resposta (porque). Em seguida, a personagem realiza outra pergunta, só que dessa vez, com o por quê no final da frase, o que faz com a palavra receba acento circunflexo. Por último, porquê é utilizado como substantivo; observe que poderia ser substituído, sem perda de sentido, por: “O motivo eu não sei!”.


InfoEnem

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Produndissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Augusto dos Anjos

sábado, 13 de setembro de 2014

Aforismo

Aforismo é uma sentença concisa, que geralmente encerra um preceito moral.  

"O que seria do pobre vaga-lume, sem a escura noite?"
"O amor dinamita a ponte e manda o amante passar."
"Seria cômico, se não fosse trágico"
"Há quem tenha saudades da crítica literária, substituída pela crítica universitária."
"Não há felicidade que resista à continuação de tempos felizes."
"Somos humildes na esperança de um dia sermos poderosos."
"A inteligência superior vive em débito com os admiradores, que lhe exigem tudo."
"O otimismo é um cheque em branco a ser preenchido pelo pessimista."
"O sofrimento é repartido ao longo da vida e separado por blocos de esquecimento."
"A tradição é cultuada pelos que não sabem renová-la."
"A vida é breve, a velhice é longa."
"O verso é uma vitória sobre os limites da linguagem."
"É bom ler e é ótimo ter lido"
"O sonho é o pensamento em férias"

Carlos Drummond de Andrade


Wikipédia 

´Ser seu Amigo` de Vinicius de Moraes

Poesia: Ser seu Amigo de Vinicius de Moraes narrada por Rolando Boldrin.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Prosa e verso

Vou cantar a vida
Em verso e prosa
Vou me vestir de rosas
E me fazer toda prosa
Pra conquistar teu coração.


               (Letícia Thompson)



3.1. A distinção entre prosa e verso

     Os textos em prosa apresentam uma característica marcante: as linhas são contínuas e se agrupam em parágrafos. Quando você lê uma carta, uma crônica, uma notícia ou reportagem de jornal, um conto ou um romance, você está lendo textos em prosa.

     Nos textos em verso, as palavras são dispostas graficamente em linhas descontínuas chamadas versos, como nos poemas que aparecem no início desta parte ou no texto Cajueiro Pequenino, a seguir:

3.2. O verso: classificação

     Os versos podem ser de duas espécies:
     - verso medido ou tradicional
     - verso livre ou moderno

3.2.1. O verso medido ou tradicional é o verso que tem o mesmo número de sílabas em toda a estrofe ou em todo o poema.

     Observe o número de sílabas na primeira estrofe do poema Cajueiro Pequenino, de Juvenal Galeno:



     No verso medido ou tradicional, contam-se as sílabas até a última sílaba tônica. Os versos do poema Cajueiro Pequenino têm, portanto, sete sílabas.

     Duas ou mais vogais, quando se encontram no fim de uma palavra e no começo de outra e podem ser pronunciadas numa só emissão de voz, unem-se numa única sílaba.

     Observe o exemplo:

Tu és um sonho querido
De minha vida infantil.
Desde esse dia... Me lembro...
Era uma aurora de abril.


 
 
www.pucrs.br

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

10 aspectos fundamentais do tipo textual da redação do Enem

Todo candidato ao Enem ou a qualquer outro exame, vestibular ou concurso que peça, em sua prova de redação, uma dissertação-argumentativa, deve preocupar-se em, primeiramente, atender ao tema solicitado e à proposta elaborada; é repetitivo, mas este é o primeiro passo para sair-se bem em uma avaliação de produção escrita.
Antes fosse apenas isso com que se preocupar. Há outros fatores aos quais devemos nos atentar no momento de escrevermos uma dissertação-argumentativa. Em geral, podemos sintetizá-los em dez aspectos fundamentais e, portanto, muito importantes que todo o texto dissertativo-argumentativo deve ter e, consequentemente, com os quais os candidatos devem preocupar-se.
1. Estética: uso adequado das margens, das linhas e limpeza
Pode parecer bobagem, mas as professoras do Ensino Fundamental I, ao nos alfabetizarem e ao nos chamar a atenção para um texto limpo estavam pensando em nosso futuro, já que ainda temos de escrever à mão em provas, exames e vestibulares.
Apresentar um texto que use adequadamente as margens da folha (dando espaço aos parágrafos, separando as sílabas corretamente, não ultrapassando os limites impostos etc) é algo que apenas nos auxilia, pois não devemos desperdiçar linhas e devemos mostrar que sabemos aproveitar todo o espaço útil da folha da melhor maneira possível.
Escrever o texto tendo em mente a sua estética é essencial. Como nas avaliações como o Enem não podemos entrar portando corretivos, o correto, ao errar uma palavra, é riscá-la e, em seguida, escrevê-la corretamente. Obviamente é adequado não haver tantas rasuras; para isso, aconselhamos rascunhar o seu texto e depois passá-lo a limpo na folha oficial atentando-se às eventuais rasuras.
2. Título significativo e introdução que apresenta o tema com eficiência
O título na dissertação-argumentativa no Enem, segundo publicações oficiais dos organizadores do Exame, é um item opcional; a redação que não estiver intitulada não pode ser prejudicada por conta disso e a redação que estiver intitulada, por outro lado, não pode ser beneficiada por este fato.
Para quem optar por inserir um título, o ideal é que ele seja significativo, que tenha a ver com o tema e com a redação em si e deve ser diferente do tema da proposta, isto é, não devemos copiar o tema e colocá-lo como título do nosso texto. Além disso, ele deve vir na primeira linha, centralizado e ser iniciado com letra maiúscula; as aspas não são necessárias, a não ser que elas tenham a ver com alguma intenção do autor.
O leitor deve conhecer o tema da proposta por meio do seu texto; mais especificamente, devemos apresentar o tema, de forma eficiente, já na introdução da nossa redação. Não devemos pressupor que o leitor conheça o tema, a coletânea de textos motivadores e a proposta como um todo; nós devemos apresentá-los ao leitor e, na introdução, devemos introduzir o tema de forma clara e objetiva.
3. Adequação ao tema e à proposta com estabelecimento de relações com outras situações e leituras
Como já dissemos anteriormente, devemos adequar o nosso texto ao tema da proposta de redação; não devemos tangenciar e muito menos fugir do tema. Também devemos escrever o tipo textual (dissertação-argumentativa, narrativa, carta etc) ou ao gênero exigido, no caso do vestibular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Não atender ao tipo ou ao gênero solicitado zera a redação, assim como fugir do tema.
Estabelecer relações consistentes e pertinentes entre o tema e o nosso ponto de vista, por meio do uso de outras situações e leituras, mostra o quanto sabemos acerca daquele tema e o quanto somos capazes de irmos além da coletânea de textos motivadores.

4. Dados na dissertação: há escolha crítica dos elementos da proposta, argumentos críticos e relações consistentes
Para sustentarmos o nosso ponto de vista principal, isto é, nosso maior argumento, devemos recorrer às estratégias argumentativas e devemos escolhê-las da maneira mais crítica possível a fim de estabelecermos relações consistentes. Portanto, devemos escolher criticamente as estratégias argumentativas que usaremos, tendo a certeza de que elas tem a ver com o tema proposto e com a nossa tese.
5. No desenvolvimento, a utilização dos recursos coesivos é sofisticada, clara e diversificada
A coesão deve permear toda a dissertação-argumentativa, ou seja, o texto deve ter sentido do começo ao fim. No desenvolvimento, mais especificamente, a utilização dos recursos coesivos deve ser a mais sofisticada, clara e diversificada possível.
6. Há coerência interna e externa, ótima articulação e progressão adequada entre as ideias (paragrafação)
A dissertação-argumentativa deve ter coerência interna (sem contradições) e externa (verossimilhança) e uma progressão temática adequada, isto é, ter um começo, um meio e um fim coerentes; a paragrafação deve estar em consonância neste aspecto.
7. A concordância, regência e colocação estão de acordo com a norma culta da língua
Toda prova de redação de exames como Enem, de vestibulares e de concursos deve ser escrita de acordo com a norma culta da Língua Portuguesa e, portanto, obedecendo as normas de concordância, regência, acentuação, ortografia etc. Não são admitidos palavrões, gírias e demais inapropriações.
8. Vocabulário variado, demonstrando uso pessoal do léxico e boa adequação gramatical
Devemos mostrar que temos um vocabulário variado, sem repetições de palavras próximas e de modo excessivo, mostrando estilo ao recorrermos ao léxico e adequação gramatical.
9. A conclusão retoma a tese e explora adequadamente as estratégias de finalização
O parágrafo conclusivo deve, realmente, fechar o texto retomando a tese apresentada na introdução e, no caso do Enem, reforçar este percurso citando as propostas de intervenções sociais pertinentes ao tema da prova de redação.
10. Cumprimento do tipo e/ou gênero, com adequação à estrutura textual
Devemos cumprir integralmente a proposta de redação do vestibular ou exame que estamos prestando e isso relaciona-se com o tipo ou gênero exigido pela banca elaboradora. Cumprir com o tipo ou com o gênero significa escrever o que foi pedido de modo adequado e rigoroso, com as marcas genuínas do tipo ou do gênero solicitado.
Até o momento, em todas as suas edições, o Enem exigiu, apenas, dissertação-argumentativas e acreditamos que seguirá nesta linha, já que não vemos nenhum sinal de mudança.

InfoEnem

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Dicas para interpretar charges no Enem

Para interpretá-la, é necessário conhecimento de mundo e senso crítico. Geralmente, a charge é vinculada à imprensa sendo utilizada para realizar críticas político-sociais.
Antes de ver as dicas de interpretação, atente-se para essa regra geral:
Mantenha-se atualizado!
O tema abordado na charge pode estar ligado a um acontecimento de um período específico, o que mostra a importância de se manter informado quanto as atualidades do ano para ter conhecimentos prévios que te sirvam como base para descobrir qual fato ocorrido está sendo criticado na charge.
Se manter atualizado e ler bastante são regras da vida do vestibulando e úteis para todas as partes da prova, não é mesmo? Se você já pratica isso, veja agora as dicas específicas para analisar as charges.
1. Questione a charge
Para fazer uma leitura crítica da charge, é importante levantar perguntas como:
Qual o tema da charge?
Conheço o cenário ou as pessoas retratadas?
Pode haver ambiguidade, ou seja, mais de uma maneira de interpretar o desenho ou o texto?
2. Procure detalhes
Não há nada de excessivo na charge! Todo o conjunto é importante para entender a crítica do autor. Por isso, fragmente sua análise procurando detalhes que te sirvam como pista para responder a questão. Lembre, também, de se atentar à fonte para descobrir o local e a data de publicação.
3. Entenda o objetivo da charge
Pense nas questões sociais, políticas, culturais e ideológicas que envolvem o contexto da charge. Por que ela foi feita? Qual o público-alvo? Qual o objetivo do autor? Relacione, também, a imagem e o texto da charge. Ao fazer isso, você a aproxima de seu significado.
4. Relacione a charge com o enunciado da questão
Fazer uma leitura atenta de todo o enunciado e das alternativas da questão pode ser a melhor maneira de encontrar a pista final que fecha sua linha de raciocínio. Ao analisar a própria questão na qual a charge está inserida, você fica mais próximo de entender qual a mensagem transmitida.
Agora, que tal colocar em prática essas dicas? Veja no exemplo abaixo uma questão que já apareceu no Enem, seguida da resolução da professora Margarida.
Questão 96 – Enem 2012 – Caderno Amarelo
O efeito de sentido da charge é provocado pela combinação de informações visuais e recursos linguísticos. No contexto da ilustração, a frase proferida recorre à
a) polissemia, ou seja, aos múltiplos sentidos da expressão “rede social” para transmitir a ideia que pretende veicular.
b) ironia para conferir um novo significado ao termo “outra coisa”.
c) homonímia para opor, a partir do advérbio de lugar, o espaço da população pobre e o espaço da população rica.
d) personificação para opor o mundo real pobre ao mundo virtual rico.
e) antonímia para comparar a rede mundial de computadores com a rede caseira de descanso da família.
RESOLUÇÃO E COMENTÁRIOS
Alternativa A
A construção do humor se dá a partir da polissemia (característica de algumas palavras, que apresentam diferentes significações, em contextos diversos) da expressão “rede social”, que no âmbito da internet refere-se ao entrelaçamento de informações e relações no espaço virtual e o objeto ‘rede’, artefato que serve para dormir e na charge é ‘social’ pois é compartilhado com toda a família ao mesmo tempo.

InfoEnem

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Redação Enem 2014 - Temas possíveis

1 – A problemática dos animais abandonados e maltratados no Brasil
Quando vamos ao trabalho ou para a escola, muitas vezes já nem nos incomodamos com a quantidade de animais abandonados na rua. Isso acontece porque já estamos acostumados com isso no nosso dia a dia. Entretanto, o abandono de cães e gatos, além de violar o Artigo 32 da Lei Federal no. 9.605/98
que criminaliza atos de maus tratos contra animais, pode gerar problemas na saúde pública, como aparecimento de pragas.


2 – Racismo
Um problema que já vem sendo discutido há muito tempo, como por exemplo a questão das cotas, mas que agora ganhou mais destaque na mídia nacional, principalmente após o flagra das agressões feitas ao goleiro Aranha, do Santos. Quais seriam suas ideias para combater esse mal?

3- Conscientização em relação ao consumo de água
Embora o vasto recurso hídrico do nosso país, diversas cidades brasileiras estão sofrendo com falta de água. Parte da culpa, claro, é a falta de investimento dos órgãos públicos responsáveis. Mas o desperdício, no mínimo, agrava a situação. Assim sendo, uma redação propondo maneiras de conscientizar a população do consumo inteligente seria um ótimo tema para o Enem 2014.

4 – Estado laico X Espaço público
Caso não saiba, o Brasil é um estado laico. Em outras palavras, nosso país tem como princípio a imparcialidade em assuntos religiosos, não apoiando nem discriminando nenhuma religião. Entretanto, diversos espaço públicos, como prefeituras, fazem referência à alguma religião, principalmente as mais praticadas. Isso é certo? O que pensa a respeito?

5 – Intolerância Religiosa
Tema muito ligado ao anterior, mas que teria como foco discutir maneiras de garantir a liberdade religiosa, sem discriminação e/ou preconceito de qualquer grupo. Afinal, um estado laico deve se preocupar com a intolerância religiosa praticada por alguns membros mais extremistas.

6 – Burocracia x Fraudes
Todo mundo já está cansado de saber que nosso país é um dos mais burocráticos do mundo. Uma das explicações para isso é a tentativa de controle de fraudes, princialmente com o dinheiro público. Entretanto, a questão torna-se interessante e largamente discutível quando analisamos que, mesmo sendo extremamente burocrático, o Brasil também apresenta altíssimos índices de corrupção. Esses dados, por serem paradoxais, certamente formariam um belo tema de redação, não acha?

7 – Obsolescência planejada
Talvez você não saiba o que significa, mas certamente já foi vítima dela. Duvida? Caso tenha comprado um aparelho e depois de pouco tempo sentiu a necessidade de trocá-lo, pois já estava ultrapassado, saiba que armaram para você! Que tal pesquisar um pouco sobre o assunto? Assim, além de poder virar tema da redação do Enem, você estará mu pouco mais prevenido para não cair nessa silenciosa armadilha.

8 – A questão da esmola nas ruas
Não é fácil ver um semelhante pedindo ajuda para comprar comida ou remédio. Entretanto, alguns dados revelam que dar esmola estimula a permanência nas ruas. Elaborar uma redação sobre o assunto, não se esquecendo de respeitar os direitos humanos, é banstante desafiador, não é?

9 – Falência no sistema presidiário brasileiro

De acordo com a lei, o presídio tem como função reabilitar pessoas que realizaram algum time de ato considerado crime. Entretanto, na prática, sabemos que ocorre exatamente o oposto. As prisões, em sua grande maioria superlotadas, acabam piorando o detento. Quais medidas você acredita que seriam interessantes para, pelo menos, minimizar esse complexo e preocupante problema?

10 – Automedicação
Dentre tantos problemas da saúde, a automedicação merece um certo destaque. Por que será que tantas pessoas ainda insistem em correr esse risco? Falta de informação? Deficiência no Sistema Único de Saúde (SUS)? Burocracia? Um assunto que tem várias explicações e poucas políticas públicas eficientes que amenizem o problema.

InfoEnem

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Casimiro de Abreu

Vivendo três anos em Portugal, onde elaborou boa parte de Primaveras, Casimiro de Abreu desenvolveu o sentimento de exílio, que tanto perseguia os românticos. Inspirado em Gonçalves Dias, escreveu uma série de poemas impregnados de nostalgia da terra natal, denominados Canções do exílio. Neles, contudo, não chega a alcançar o nível de seu modelo.
No entanto, não é apenas a saudade do Brasil e a correspondente sensação de estar exilado que anima a sua lírica. O que o consagrou foi a nostalgia (tipicamente romântica) daquelas realidades pessoais que ficam para trás: a mãe, a irmã, o lar, a infância. Tornou-se, por excelência, o poeta da "aurora da vida", do tempo perdido, das emoções da meninice. Mesmo sabendo que a infância não significa o paraíso, sucumbiu à doçura dessas lembranças.
À parte isso, o poeta atrai o leitor com o ritmo fácil, a singeleza do pensamento, a ausência de abstrações, o caráter recitativo e o tratamento sentimental que empresta ao tema, garantindo a eternidade de pelo menos um poema, Meus oito anos: 

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã.
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
De camisa aberto ao peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora de minha vida (...)


educaterra.terra.com.br

domingo, 7 de setembro de 2014

Dia nebuloso

Hoje acordei, mas preferia estar dormindo,
Talvez preferisse não mais ter acordado.
Não há mais  motivo para minha existência:
Enterrarei no lado frio do meu coração
Aquela que por tanto tempo amei. 
Jogarei flores e rosas perfumadas,
Jogarei jasmim -- o perfume do nosso amor.
Queria ter ido contigo,
Pois assim  ficaria ao teu lado,
Para sempre amar e sentir-se  amado.
Hoje é um dia nebuloso para nós,
Tenho que enterrar uma parte de mim.
Vai em paz, minha amada;  e eu, talvez, resistirei.
Dilacerada esta parte fica;  a outra se foi.
Então o que fazer com  ela, senão enterrar?
Hoje é um dia nebuloso: fim do nosso eterno amor.

Joerlândio Cordeiro

ABAIXAR ou BAIXAR?



ABAIXAR - Usa-se em todos os casos: abaixar o volume do rádio; abaixar a voz, abaixar as calças, abaixar o tom de voz, abaixar o topete, exceto em dois outros, em que se dá preferência ao emprego de BAIXAR:
1. Usa-se quando não tem complemento:
- O custo de vida BAIXOU.
- O nível das águas do rio BAIXA dia a dia.
- BAIXOU o dólar.
- Tem de BAIXAR o preço da gasolina.

2. Quando o complemento é nome de economia, da
informática ou de parte do corpo:

- BAIXOU mil reais da sua poupança.
- BAIXAR uma música pela internet.
- BAIXE o dedinho, querida!


Pequenas Dicas de Português