terça-feira, 16 de abril de 2013

NEGÓCIOS E NEGOCIANTES



A  senhora Antônia era uma mulher solteira, muito pobre, porém muito bonita. Aos domingos  costumava ir à feira de troca de aves,  conquistava um dos frequentadores e o levava para a sua casa. Também  só era convidado aquele que ainda tinha a mercadoria: Um frango, uma galinha, um passarinho... Imediatamente ela colocava a pobre ave em sua pequena caixa para garantir o almoço.
Um certo dia de domingo...
-- Dona Antônia... Sua boceta é muito pequena. ..
-- Pequena?!
-- Sim. Sua boceta é tão pequena que não cabe o meu pinto.
-- Cabe sim!
-- Não cabe...  Você não está vendo que o bichinho está sufocando!
-- Com um jeitinho cabe.
-- Você acha que cabe?
-- Claro que cabe... A semana passada eu levei a pomba de seu Joaquim.
-- Uma pomba?!...  Uma pomba é muito pequena!
--Pois,  essa não era. Ela era muito gordinha, até!
-- Mas, mesmo assim...
-- Mas mesmo assim nada! Uma pomba gorda é como um pinto!
-- Uma pomba gorda não pesa  meio quilo, mas meu pinto está com quase um quilo.
-- Só que seu pinto não tem ovo. Bem diferente da pomba de seu Joaquim que tinha dois ovos. Comi a pomba com os ovos e tudo. Se eu soubesse que ia dar essa confusão toda por causa de um pinto, eu tinha deixado para comer os ovos da pomba de seu Joaquim hoje.
-- O meu pinto está crescendo e  você pode até deixá-lo crescer muito mais, e quando estiver um galo, você pode comer por vários dias.
-- Você está com muitas voltas... Vai ou não vai botar o pinto?... Vamos tentar botar de novo!
-- Poxa, sua boceta é muito pequena... Está vendo que não cabe?  Vai matar o pinto sem fôlego!
-- Ô, homem mole! Bota logo!
-- O meu pinto vai morrer aí dentro. Não vou botar o meu pintinho, que cuidei desde novinho,  dentro de uma boceta tão apertada... Deixa que eu levo o meu pinto na mão até a sua casa. Se eu chegar com o pinto morto em sua casa não terá  nenhuma valia para nós.
Após tanta confusão, Dona Antônia caiu fora soltando fogo pelo nariz e  o dono do pinto arrependido, concluiu:
-- É melhor matar o pinto na boceta do que vê-lo crescer na minha mão... Dona Antônia, venha cá!!


Joerlândio Cordeiro
 Vocabulário
 boceta: s.f. Pronuncia-se: /bocêta/. Pequena caixa redonda, oval e alongada

sábado, 13 de abril de 2013

TOC, TOC, TOC!




Toc, toc, toc!
-Quem é?
- É o ladrão!
-Não deixo entrar, não!
 Meu Deus, o ladrão está lá fora!
Não...  o ladrão já está aqui dentro!
Quem abriu a porta?
Meu Deus... Eu criei o ladrão.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

FORGAÇA, O HOMEM PROIBIDO



 Quando Forgaça chegava aos bordéis, sempre era uma grande apreensão entre as mulheres.  Muitas corriam... Para longe dele, amedrontadas. Aparentemente não havia nada de diferente dos outros homens que frequentavam  os prostíbulos. Tomava a sua bebida, comia alguns tira-gostos  e chamava uma daquelas mulheres para o prazer.
 Uma noite, quando Forgaça chegou ao bordel, não percebeu tanto alvoroço.  Foi recebido por  Xana, uma dessas mulheres fogosas,com mais de 15 anos de experiência e que, um homem só, era pouco. Então, ela  foi logo atendê-lo. Novata naquele prostíbulo, era seu primeiro dia,  e queria mostrar serviço na casa.
-- Boa noite, amorzinho!
Forgaça estranhou aquele gesto, pois sempre percebia, com sua chegada, um empurra-empurra entre as mulheres, mas mesmo assim a cumprimentou:
-- Boa noite!
-- Então, o que vai beber?
-- Uma cerveja bem geladinha!
Xana  virou-se e foi buscar a bebida; enquanto isso era acompanhada pelos olhos sedentos de Forgaça.
Após colocar a cerveja sobre a mesa, ela fez a pergunta de sempre:
-- Gostaria de acompanhante?
-- Com certeza! – Respondeu imediatamente.
Xana sentou-se à mesa e lá para as tantas da noite, Forgaça fez o convite,  e Xana aceitou. Os dois foram para o quarto.
-- Desligue a lâmpada, Xana!
Após desligar a lâmpada, Xana foi para cama; Forgaça já estava lá. Xana pegou  no membro  dele  e percebeu algo estranho. Deu um pulo de cima da cama e acendeu a lâmpada.
-- Meu Deus! 
Xana estranhou ao ver o que a natureza tinha propiciado a Gozola.
Forgaça não tinha percebido ainda que a lâmpada estava acesa. Quando escutou Xana falando de forma espantada, despertou-se do transe e tentou esconder o que cometia tanto espanto, entre as prostitutas, com o lençol.
-- Não precisa esconder,  Forgaça!
Ele, já acostumado com àquela situação, esperava que ela vestisse a roupa e fugisse como viu muitas fazendo assim.
Forgaça  tinha um pênis. Não, dois pênis. Bem, era um pênis que bifurcava  em “Y”, isso mesmo:  trinta centímetros cada um dos  pênis e espessura de 5cm cada membro. Era um pênis, do tipo jumento, com duas cabeças. Forgaça era um privilegiado, mas isso era o que espantava as mulheres, menos Xana.
-- Agora eu estou feita!
Para a alegria de Forgaça,  Xana pulou de volta para cima da cama e concluiu:
-- Agora é lá e lô de uma vez sóoooo!




Joerlândio Cordeiro

Para entender Fernando Pessoa


Álvaro de Campos, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Bernardo Soares ou Fernando Pessoa, ele mesmo? O professor universitário de Fernando Segolin fala do grande poeta da língua portuguesa

Fernando Segolin, 70 anos, é um dos mais respeitados especialistas de Fernando Pessoa dentro e fora do Brasil. Para este professor de Literatura e Crítica Literária da PUC-SP, a paixão começou aos 16 anos, no colégio, quando pela primeira vez leu um poema do poeta português - assinado pelo heterônimo Alberto Caeiro. "Fiquei impressionado com aquele à vontade da poesia de Caeiro, poesia simples, mas bastante intrigante no sentido de propor uma tese, a de não pensar, a de se livrar de toda e qualquer linguagem para assim chegar à verdade."

Caeiro era considerado mestre por todos os heterônimos de Pessoa, criador, por sua vez, de uma poesia revolucionária, na qual a presença de outros "eus" pode ser entendida como "... manifestações textuais por meio das quais o poeta procura concretizar suas múltiplas indagações com a realidade, o problema da existência, de sua razão de ser e de seu significado", realça Segolin. Assim, cada heterônimo ganhou uma identidade - e um jeito de pensar, sentir, reagir. "O signo poético de Pessoa é uma busca de novos caminhos que levam a surpreender paisagens até então insuspeitadas... Por força dessa inclinação experimentadora, a poesia de Pessoa é um gesto transgressor."

Autor de "Fernando Pessoa: poesia, transgressão e utopia", leitura fundamental para quem investiga o assunto, Fernando Segolin confessa que sonha vez por outra com o poeta português. "Sou um heterônimo dele com certeza... E o que Pessoa não viveu por meio dos heterônimos, digo que eu vivi." 

quarta-feira, 10 de abril de 2013

COESÃO


Coesão é a conexão, ligação, harmonia entre os elementos de um texto. Percebemos tal definição quando lemos um texto e verificamos que as palavras, as frases e os parágrafos estão entrelaçados, um dando continuidade ao outro.
Os elementos de coesão determinam a transição de ideias entre as frases e os parágrafos.
Observe a coesão presente no texto a seguir:
“Os sem-terra fizeram um protesto em Brasília contra a política agrária do país,porque consideram injusta a atual distribuição de terras. Porém o ministro da Agricultura considerou a manifestação um ato de rebeldia, uma vez que o projeto de Reforma Agrária pretende assentar milhares de sem-terra.”
JORDÃO, R., BELLEZI C. Linguagens. São Paulo: Escala Educacional, 2007, p. 566
As palavras destacadas têm o papel de ligar as partes do texto, podemos dizer que elas são responsáveis pela coesão do texto.
Há vários recursos que respondem pela coesão do texto, os principais são:
- Palavras de transição: são palavras responsáveis pela coesão do texto, estabelecem a inter-relação entre os enunciados (orações, frases, parágrafos), são preposições, conjunções, alguns advérbios e locuções adverbiais.

terça-feira, 9 de abril de 2013

CANETA




Na mão
Uma arma
Com poder avassalador,
Apontada para o alvo
Imóvel,
Sem palavras,
Branco;
Esperando apenas
O comando:
Faça!
Destrua seu inimigo,
Use sua imaginação...









PAPO BOM



Tô vendendo um terreno no céu.
Pode ir todo mundo,
Lá vai estar Papai Noel.
Você quer ir prá lá?
Você tem dinheiro?
Então, me compre uma vela.
Essa é diferente, tem papel
Que diz que vai te abençoar.
Ah, tem outra coisa mais,
Se você quer uma cura,
Tem um copo com água.
Não é qualquer água não,
É uma água santa, meu irmão.
Fui naquele monte, lá orei,
Chorei,  me ajoelhei...
Agora é sua vez.
Você tem dinheiro?
Não precisa ser muito...
Por enquanto não.




POEIRA


Palavra, poesia: poeira
Que asneira!
Limão é limão.
Coração é coração...
Por que criar,
Se não há
Ninguém
Ali,
Lá,
Acolá
Para interpretar?