sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Amor Ressuscitado

Arranquem-me olhos
E deem a quem quer enxergar,
Cortem-me as mãos
Para o amputado que precisa usar.


Tirem-me os membros
Inferiores para o manco,
O fígado, os pulmões, rins,
Coração a quem precisar.


Se necessário, estudem minha massa.
Meus últimos dentes aos acadêmicos,
E não desfrutando do que sobrar,
Queimem e joguem ao mar.


Lá viajarei aos poucos
Até o resto da cinza afundar.
Se me enterrarem,
Também voltarei a amar.

(JSC)

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Produndissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Augusto dos Anjos

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Cafetina




Preciso vender este, moço.
Preciso vender este moço.
Preciso vender para
Manter o  bolso.
Preciso do  troco
Que troco pelo moço.
Esse relógio é bom, moço?
Dê a mim, moço;
Não ao  moço.
Do moço só o  almoço.
Leve-o e goze o tempo,
Quanto mais, mais me sustento.
Se deste não apreciar,
Tratarei de outro encontrar.


Joerlândio Cordeiro

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Licença poética

Licença poética é uma incorreção de linguagem permitida na poesia. Em sentido mais amplo, são opiniões, afirmações, teorias e situações que não seriam aceitáveis fora do campo da literatura.
A poesia pode fazer uso da chamada licença poética, que é a permissão para extrapolar o uso da norma culta da língua, tomando a liberdade necessária para utilizar recursos como o uso de palavras de baixo-calão, desvios da norma ortográfica que se aproximam mais da linguagem falada ou a utilização de figuras de estilo como a hipérbole ou outras que assumem o carácter "fingidor" da poesia, de acordo com a conhecida fórmula de Fernando Pessoa ("O poeta é um fingidor"). A licença poética é permitida para que o escritor tenha toda a liberdade para manipular as palavras, para que ele possa passar tudo o que pensa ao leitor.

Wikipedia

Lembre-se que "A licença poética é uma porta, não uma porteira". 

(JSC) 

VERSO LIVRE

No fazer poético, os versos livres, também chamados de versos irregulares, não utilizam os esquemas métricos, nem as rimas, ou qualquer outro padrão musical, mas preocupam-se tão somente com o ritmo e a musicalidade natural da fala ou leitura. Alguns poetas e estudiosos afirmam que os versos livres possuem afinidades com a prosa, enquanto outros enxergam uma grande autonomia e distinção nessa forma poética. De qualquer forma, é inegável que os versos livres garantem ao poeta uma maior licença para se expressar e possuir maior controle sobre o desenvolvimento da sua obra. Consequentemente, os versos livres produzirão uma poesia espontânea e individualizada.

A consagração e fama desse verso no país viria, contudo, com o livro Pau-Brasil (1925), que não é só a obra de estreia em poesia do escritor Oswald de Andrade (1890 - 1954), como também um dos mais inovadores de toda a poesia produzida até então no país. O livro trazia versos livres em tom de prosa e uma linguagem simples e coloquial muito ousada para os padrões poéticos vigentes (e até mesmo se comparada aos versos livres de Guerra Duval). É notória tal ousadia no poema "Prenominais", que se encontra na segunda parte do livro, chamada "Poemas da colonização":

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da nação brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.

 http://www.edtl.com.pt

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Como Ler e Escrever Poesia

(...)
 Transcrevemos dois poemas (cuja autoria foi omitida). Pedimos que faça uma avaliação: atribua a cada um deles um conceito - ótimo, muito bom, bom, regular ou fraco.
     Trata-se, evidentemente, de um teste: ele pode servir para avaliar a noção que você tem acerca de poesia.


LUAR
A lua majestosa
passeia
no tapete das nuvens
na imensa quietude
do universo.


E com seus raios argentinos
rompe o véu negro da noite
com claridade branda e suave,
e faz da terra
um manto branco de virgem.


LUA CHEIA
Boião de leite
que a noite leva
com mãos de treva
pra não sei quem beber.
E que, embora levado
muito devagarinho,
vai derramando pingos brancos
pelo caminho.


Como você avaliou o primeiro poema - "Luar"? Ótimo? Muito bom? Pois saiba que ali não há poesia. Não há poesia nesse poema simplesmente porque não existe ali a função poética, a linguagem poética, a maneira peculiar, diferente, nova, artística, criativa de expressar. A linguagem do poema "Luar" é um amontoado de lugares-comuns - palavras e expressões que andam na boca de todo mundo ou de um escritor ou poeta principiante. "Lua majestosa", "tapete de nuvens", "imensa quietude do universo", "raios argentinos", "véu negro da noite", "claridade branda e suave" e "manto branco de virgem" são expressões gastas pelo uso, surradas, sem originalidade, sem criatividade. E poesia é justamente a antítese de lugar-comum.

     A primeira pessoa que assim tivesse se expressado seria poeta, e seu poema poderia ser classificado de poesia.

     O poema "Luar" é de autoria de Gil Dumont Vêneto. Trata-se de um poema "ad hoc" (escrito para esse fim), para exemplificar o que não é poesia.


     O segundo poema - "Lua Cheia" - é de Cassiano Ricardo. Observe como o poeta é original ao identificar a lua cheia com um boião de leite, isto é, com um recipiente de vidro, cheio de leite. Trata-se de uma metáfora. Originalíssima. Criativa. Poética. Surpreendente. Observe também que Cassiano Ricardo considera a noite uma pessoa (personificação): "que a noite leva com mãos de treva". Há, finalmente, mais uma metáfora: o poeta concebe os raios do luar como se fossem "pingos brancos", que caem do "boião de leite".

     Não bastasse, o autor imprimir ritmo ao seu poema: há o predomínio de versos com quatro e seis sílabas, com acentuação bem definida.

     Em resumo, as metáforas originais, a personificação, o ritmo e a acentuação dão ao poema "status" de poesia.

 (...)
PucRS

sábado, 9 de agosto de 2014

Pobre poeta

Apodrecem os livros de poesias
na prateleira do poeta que partiu;
ninguém lê, ninguém vê... 

Poeira, traças, moscas e mofo
fazem  companhia do arsenal de riqueza
guardado com tanta  delicadeza; nobreza.

Pobre poeta morto; morto do encosto
do mau gosto da massa manipulada
por palavras empobrecidas e de fácil digestão. 


Lê-lo é  como catar feijão,
é digerir as palavras entrelaçadas
do  código de uma linguagem abandonada. 


Como é tênue a sua poesia para o fino leitor!
mas, há quem não veja esplendor. 
Pobre do pobre leitor. 

Sem nenhuma página virada,  
Esquecido ao tempo,
livro de boca fechada.

As  folhas  amareladas cobrem seu túmulo, 
as palavras enfeitam apenas sua lápide;
caso encerrado, livro mudo.



(JSC)

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

O grande segredo de uma redação

A importância de saber ler e escrever nos é revelada antes mesmo de começarmos a ser alfabetizados e nos é intrínseca, já que desde muito cedo brincamos com a linguagem por meio de lápis, caneta, papel, revistas, livros e, com o advento tecnológico, com celulares, computadores e tablets. A linguagem e as línguas fazem parte da nossa evolução como espécie.
Quando entramos na escola, a escrita passa a ser ensinada em seus aspectos formais – ortografia, gramática normativa, pontuação, estrutura textual, tipos textuais, gêneros, sintaxe, semântica etc – a fim de que os estudantes aprendam a escrever no dia a dia segundo suas necessidades e objetivos.
A partir do final do Ensino Fundamental II, passando pelo Ensino Médio, a escrita é colocada pelos professores como fator primordial para que seus alunos sejam aprovados nos vestibulares que, por sua vez, são, no Brasil, o tipo de seleção de candidatos mais utilizado pelas universidades e faculdades, algo muito criticado, inclusive, mas isso é outra história.
Neste cenário, a escrita passa a ser vista pelos, agora, candidatos ao Enem e às demais provas, como obrigação, assim como as demais disciplinas escolares. A impressão que se tem é que devemos escrever adequadamente apenas um tipo textual – a dissertação-argumentativa, já que ela é a maior exigência em exames de produção de texto, como se só existisse este tipo e não os inúmeros gêneros que circulam nas mais variadas esferas sociais – para obtermos a nota mínima para conseguirmos a tão sonhada vaga no curso universitário desejado. E isso é errado.
Devemos ler e escrever de modo autônomo e proficiente para a vida, para sermos cidadãos atuantes e protagonistas de nossos pensamentos. Quem pensa em, apenas, atingir a nota de corte pensa de maneira medíocre.
Por muitos estudantes pensarem deste modo, a escrita e a leitura passam a ser vistos como obrigação; o não incentivo, na infância, à leitura e à escrita contribuem para este cenário, pois ambas devem ser hábitos prazerosos na rotina de todas as pessoas e, para tanto, o acesso ao conhecimento deve ser liberado e estimulado. Estes fatores em conjunto favorecem a ideia de que a Língua Portuguesa é chata e muito difícil – o que é mentiroso – e a falsa sensação de que escrever é um bicho de sete cabeças.
Obviamente, devemos levar em conta que cada indivíduo possui habilidades e preferências diferentes: uns se saem melhor nas exatas, outros nas biológicas e outros nas humanas e, ainda, há aqueles que se saem bem em todas as áreas. O problema de sair-se mal em produção de texto e em leitura, por exemplo, são as consequências para toda a vida, já que nos comunicamos oralmente e por escrito no ambiente de trabalho, na esfera íntima, na academia… ou seja, em todos os segmentos.
Os alunos que possuem dificuldades em escrever e não têm isto como um hábito, ao se depararem com a pressão da escola e/ou com a necessidade de “passarem” em um Enem ou em um outro vestibular, por exemplo, ficam desesperados em busca de uma receita perfeita – ou, quem sabe, mágica – para escrever um texto. Mas esta receita não existe.
Há, apenas, um grande truque, um segredo para escrever bem e para terminar de escrever um trabalho escolar, uma dissertação de mestrado, uma tese de doutorado ou qualquer outro tipo ou gênero: escrever.
A escrita deve ser parte integrante da rotina de um estudante que está se preparando para prestar o Enem ou um outro vestibular e não apenas em relação aos estudos da Língua Portuguesa e da redação; as demais disciplinas devem ser estudadas através da escrita por meio da produção de rascunhos, resumos, relatórios, projetos, resenhas, respostas dissertativas, dentre outros.
Todos que lidam, em seu dia a dia, diretamente com a escrita devem se programar e organizar suas rotinas para escrever. Os candidatos ao Enem e aos vestibulares, por exemplo, em relação à redação, devem realizar suas leituras, discussões e pesquisas antes de fazerem as propostas. Após esta primeira parte é o momento de escrever.
Sentem-se, de maneira confortável, em uma cadeira, de frente para uma mesa, em um cômodo agradável e quieto, sem distrações como internet, celulares, televisão, rádio etc. Disponham-se a cumprir a proposta de redação de dois modos, alternadamente: sem preocupar-se com o tempo e controlando-o, como se fosse, realmente, o dia da prova.
Estudantes e candidatos devem se comprometer a escrever todos os dias e, pensando em redação, a fazer, pelo menos, uma proposta por semana. Este é o mínimo. Caso seja possível escrever mais de uma redação por semana, perfeito!
Theresa MacPhail, professora assistente do Stevens Institute of Technology, nos Estados Unidos, em seu blog, defende – com razão – que escrever é pensar. Ela afirma, corretamente, que enquanto escrevemos as ideias vão aparecendo e que, infelizmente, momentos geniais são raros e que se a escrita fosse encarada como um desafio, principalmente por aqueles que torcem o nariz para ela, seria muito mais fácil haver uma melhora. Para MacPhail, devemos nos comprometer com o processo da escrita e não pensar, apenas, em termos uma nota mínima para atingirmos a nossa meta.
Apostamos que candidatos que obtém notas máximas no Enem e em demais vestibulares possuem, desde crianças, o gosto pela leitura e pela escrita e encaram esta como um processo de aprendizagem eterna e não fazem o mínimo para terem a nota mínima; pelo contrário, eles fazem o máximo para obterem a nota máxima e, acima de tudo, para serem proficientes e dominarem a escrita.
Claro que há diferentes estilos de escrita, mas a disciplina com o processo é de fundamental importância. MacPhail ressalta que haverá, nesta rotina, bons e maus momentos: haverá dias em que a escrita deslanchará e haverá outros em que ela parecerá travada, mas isto é normal. Sempre temos nossos bons e nossos maus dias. A sua dica é escrever, do mesmo modo, maus dias para, inclusive, aprendermos a lidar com as nossas frustrações e dificuldades.
Nesta parte do processo, os rascunhos e as revisões são importantíssimos. Como já dissemos em outras publicações, autores consagrados como Guimarães Rosa dedicavam grande parte de seu tempo à revisão de seus livros e devemos fazer o mesmo com as nossas redações reescrevendo-as até elas ficarem do modo como queremos.

InfoEnem

O troco

Em uma reunião de uma grande Rede de Lojas...

- Olha, Zé, aquele novato que chegou!
- Ele  é novato na empresa?!
- É... e já chegou atrasado.
- Hahaha!!
- Vamos lá tirar uma "casquinha" dele?!
- Vamos!
- Ei, novato... como é teu nome?
- Marcos.
- Trouxe a marmitex?! Chegou atrasado e não trouxe nada pro almoço? Não vem pedir do meu que eu não dou, não.  E tem mais, novato tem que trazer o almoço dele e o meu por uma semana, senão eu boto pra correr...
Ao microfone, o  gerente da loja...
- Atenção, senhores e senhoras!  Com vocês, esse que chegou por último e está sentado entre  vocês, o presidente de nossa Rede de Lojas, sr Marcos Guerra... .  uma salva de palmas para ele!
(JSC)

-> Antes de humilhar, veja onde está pisando.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Persistir, insistir, jamais desistir

Um certo dia, uma distribuidora de produtos alimentícios abriu uma vaga para vendedor externo. Como se tratava de uma  boa empresa, apareceram  diversos candidatos.
No primeiro dia, a empresa recolheu todas as carteiras dos candidatos, e pediu que eles retornassem no dia seguinte. Como combinado, todos estavam lá. A empresa devolveu todas as certeiras, sem explicação, pediu novamente que retornassem no dia seguinte. 
No dia seguinte faltaram muitos candidatos, pois era um sábado, Então, os que apareceram, após esperar por mais de uma hora, do horário combinado pela empresa, desistiram de esperar e foram embora. Depois de duas horas de espera, o vigilante saiu na portaria e disse que eles não seriam atendidos naquele dia, e pediu que  viessem no dia seguinte. 
Era um domingo, estava chovendo muito. Uma  hora depois da hora marcada,  o vigilante meio incrédulo  olhou no portão, e viu que havia um homem.  Imediatamente, o vigilante ligou para dentro da empresa informando que havia um dos candidatos ao emprego, e recebeu a ordem para mandá-lo entrar.
Lá dentro, o único candidato foi recebido pelo dono. -Parabéns! - disse o dono. - O senhor é a pessoa certa para esse cargo. Pegue este cheque. Amanhã, antes de vir pro trabalho, passe no banco e receba seu salário. Todos desistiram, mas o senhor enfrentou sol e chuva; teve paciência. Passou por nosso teste. Sua carteira será assinada desde o primeiro dia em que esteve aqui.

(JSC)

domingo, 20 de julho de 2014

Amigo?!


- Oi! Sabia que hoje é o dia do amigo?
- Sabia.
- Quantos amigos você tem?
- Mais de quinhentos.
- Poxa! você tem essa quantidade toda, e ainda não conseguiu os dois reais da passagem?!

>> Ainda existem pessoas que trocam amizade real por virtual. Então, nas horas difíceis, ela fica offline.
(JSC)

sábado, 19 de julho de 2014

5 dicas para resolver as questões objetivas da prova do Enem 2014

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Diário de um drogado

Ontem fumei maconha. Na hora não gostei muito, não. Mas tô sentindo falta dela. Vivi toda minha vida sem experimentar, por isso não sentia essa vontade. Fiquei curioso e  experimentei. Agora tô louco para experimentar novamente. Ontem me deram. Será que hoje vão me dar novamente? Tô liso. Escutei uma conversa entre meus amigos que seria só a primeira vez que iriam me dar. E se eu fosse lá e dissesse que tava a fim? Vou lá... É, voltei. Eles não me deram. Disseram se eu quisesse teria que comprar. Eu não trabalho,  apenas estudo.  Acho que vou roubar. Não, não vou roubar. Vou vender meu aparelho de som... hoje vou vender meu tênis... e hoje vou vender meus livros... desculpe, mas estas são as últimas palavras porque vou ter que parar por aqui: vou vender este computador para comprar drogas.


(JSC)