Vamos hoje tentar elucidar uma das dúvidas mais frequentes entre os alunos… “Quando devo usar ‘tinha chego’? E ‘tinha chegado’? ” “O certo é impresso ou imprimido? ”
Como nos artigos passados, vamos buscar a raiz do problema! Existem, em Língua Portuguesa, alguns verbos classificados como verbos abundantes. Isso quer dizer que tais verbos apresentam, em algum ponto da conjugação, duas formas possíveis, na maioria das vezes no particípio.
Existe, então, o particípio regular, com desinência ‘-ado’ ou ‘-ido’, como nos verbos:
comprar / comprado
vender / vendido partir / partido Também existe o particípio irregular, sem uma desinência específica, mas sempre mais curto do que o regular:
fazer – feito
escrever – escrito
E existem verbos que apresentam os dois! Um ‘longo’ e outro ‘curto’! Esses são os tais abundantes!
Entre os verbos que apresentam duplo particípio, podemos citar:
Esses são apenas alguns exemplos.
Bem, já sabemos da existência desses verbos generosos, que têm duas formas de particípio, agora vamos ao que interessa: Como usar? Quando usar uma e quando usar a outra forma? Podemos usar qualquer uma a qualquer momento?
O emprego não é aleatório, ou seja, não podemos usar qualquer uma das formas. Seu uso está condicionado ao verbo auxiliar com o qual eles formarão uma locução. Assim:
Na prática, quando a frase está na VOZ ATIVA e o verbo, conjugado num tempo composto, empregamos o particípio regular:
O fazendeiro tinha (havia) expulsado o lobo.
O fiel tinha (havia) acendido uma vela.
E quando tivermos uma frase na VOZ PASSIVA, em que se forma locução com o auxiliar ser, teremos o seguinte:
As ovelhas foram mortas pelo lobo.
A encomenda será entregue ainda hoje.
Use essas combinações MESMO QUE FIQUE ESTRANHO, como nos casos dos verbos ganhar, gastar ou pagar:
Eu tinha ganhado a aposta.
Eu tenho gastado muito tempo corrigindo provas. A conta foi paga? Sim, o chefe tinha pagado a conta. (às vezes as pessoas torcem o nariz para essa forma…)
Ah, eu ia me esquecendo… E quando usamos o tinha chego? E o tinha trago?
A resposta é… NUNCA!!!!
O verbo chegar não tem duplo particípio nem admite voz passiva, uma vez que é intransitivo (lembrem-se de que só podemos passar um verbo da Voz Ativa para a Voz Passiva se ele admitir um Objeto Direto), portanto será sempre “Eutinha chegado à reunião antes do chefe.”
E o trazer só tem o particípio regular, com o ser ou com o ter:
Eu tinha trazido os livros. Os livros serão trazidos para os alunos.
É isso!
InfoEnem
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domingo, 11 de outubro de 2015
“Chego ou chegado? Impresso ou imprimido?” Qual está certo?
sábado, 10 de outubro de 2015
Quando você tira 'xerox', qual sílaba é a tônica? Veja a resposta
Látex ou latex? Xérox ou xerox?
Temos aqui uma dupla de palavrinhas cuja pronúncia sempre gera confusão. Afinal, aquela substância extraída da seringueira se chama LÁTEX ou LATEX? E a fotocópia, é XÉROX ou XEROX?
Vamos começar pela primeira. A palavra que designa a matéria-prima da borracha é LÁTEX, com acento agudo no A, é paroxítona, ou seja, a sílaba mais forte é a penúltima: LÁ-tex.
A forma "latex" não existe, não tem registro.
LÁTEX também designa um tipo de tinta, usado em paredes.
Quanto a XÉROX ou XEROX, as duas pronúncias e duas formas de escrever são aceitas, fica a gosto do freguês.
Essa palavra é um daquelas marcas que acabaram dando o nome ao produto, como gilete, cotonete, bombril etc.
A pronúncia em inglês é paroxítona (e daí vem XÉROX), mas o produto ficou tão conhecido no Brasil que seu nome foi aportuguesado como oxítona (XEROX).
Foi diagnosticado com câncer?
Tem se tornado comum, em manchetes de jornais, internet e até na TV, frases como "Fulano FOI DIAGNOSTICADO com câncer".
Se você tivesse que relatar essa triste notícia a alguém, diria também que "Fulano foi diagnosticado"?
Bem, a verdade é que DIAGNOSTICADA É A DOENÇA, não a pessoa, por isso deveríamos evitar dizer que "Fulano foi diagnosticado".
Vamos olhar no dicionário? O que significa DIAGNOSTICAR?
É fazer o diagnóstico DE UMA DOENÇA. DIAGNÓSTICO, por sua vez, é a arte de reconhecer A DOENÇA por seus sinais e sintomas.
Portanto, em vez de dizer que "Fulano foi diagnosticado com câncer", deveríamos dizer que "Fulano RECEBEU O DIAGNÓSTICO de câncer", ou então que "Fulano TEVE O CÂNCER DIAGNOSTICADO", ou ainda que "FOI DIAGNOSTICADO O CÂNCER de Fulano."
Não que seja errado dizer que "Fulano foi diagnosticado", mas é bom evitar.
MÚSICO tem feminino?
Como devemos nos referir a uma mulher que toca algum instrumento?
Claro, podemos nos basear no instrumento que ela toca. Se toca piano, é pianista, "A" pianista. Caso toque violão, é "A" violonista.
Quando o profissional é homem, essa dúvida não existe, e nem precisamos saber que instrumento ele toca. Nós o chamamos de "O" músico, e está resolvido.
Mas dá para chamar a mulher instrumentista de... "A" música? Fica muito estranho, não fica? É capaz de alguém perguntar "que música?", "quem toca?"
Os dicionários permitem esse uso. Se procurarmos a palavra MÚSICA no dicionário, veremos que também é o feminino de músico.
Mas também podemos usar a forma "o músico" tanto para homens quanto para mulheres.
Quando isso acontece, o substantivo é chamado de sobrecomum, isto é, um único gênero que serve aos dois sexos. Observe outros exemplos: a criança, a vítima, o indivíduo, etc.
Encarar de frente?
Sempre que alguém está em crise, um time de futebol em má fase, uma empresa com dificuldade para saldar os compromissos, lá vem a frase: "É preciso ENCARAR DE FRENTE os problemas" ou então "ENFRENTAR DE FRENTE os problemas".
O que há de errado nessa frase? Gramaticalmente, nada. Mas, cá entre nós, você conseguiria encarar alguma coisa ou alguém de lado? Ou de costas? E enfrentar? Essa então é terrível, pois ENFRENTAR já tem na origem a palavra FRENTE.
Isso é uma espécie de PLEONASMO. É a redundância, o excesso de palavras para dizer a mesma coisa.
Outro exemplo, bastante comum, é SORRISO NOS LÁBIOS. Às vezes, essas duas expressões vêm na mesma frase: "É preciso ENFRENTAR DE FRENTE os problemas, mantendo um SORRISO NOS LÁBIOS". Seria possível sorriso nas orelhas?
Veja como ficaria a frase sem essas redundâncias: "É preciso enfrentar os problemas mantendo um sorriso."
Sentiu falta de alguma coisa? Nem eu.
Sérgio Nogueira
Referências ocultas que poucos percebem nos discursos de Dilma
O vento podia ser isso também, mas você não conseguiu ainda tecnologia para estocar vento. Então, se a contribuição dos outros países, vamos supor que seja desenvolver uma tecnologia que seja capaz de na eólica estocar, ter uma forma de você estocar, porque o vento ele é diferente em horas do dia. Então, vamos supor que vente mais à noite, como eu faria para estocar isso?
Este breve discurso é uma alusão ao famoso poema É uma brisa leve, de Fernando Pessoa:
É uma brisa leve
Que o ar um momento teve
E que passa sem ter
Quase por tudo ser (…)
Que o ar um momento teve
E que passa sem ter
Quase por tudo ser (…)
E parece sugerir que a vida humana não é mais do que uma brisa, um instante que passa, “como eu faria para estocar isto?”
E, finalmente, a Alice me deu uma ideia. Ela disse que, nesse caso, a gente podia saudar, nesse caso nós podemos saudar os conterrâneos e os subterrâneos, porque os subterrâneos é o metrô. Só fazendo esse aparte aqui.
Vemos aqui uma clara referência a Notas do Subterrâneo (traduzido também como “Memórias do Subsolo” no Brasil), de Dostoievski. O trecho apresenta uma dessas metáforas em que nossa presidente é brilhante. Observe com que cuidado o existencialismo se combina com a inauguração do metrô na Bahia:
(…) pegamos a pá, fomos lá, subterraneamente, desenterramos a cabeça do jegue, e tenho certeza que, de agora em diante, ninguém vai olhar para ninguém e falar: “Xi, o metrô da Bahia, xi.”
Se o subterrâneo é o subconsciente humano, o metrô seria a via que o liga ao consciente. Que bela imagem! Mas o que é a cabeça do jegue soterrada? A nossa presidente não subestima a inteligência da plateia. E em vez da aguardada explicação, temos, ao final do discurso, uma maravilhosa explosão de ternura poética: “Xi, o metrô da Bahia, xi.”
Em um país pacífico, como é o nosso, em um país que pretende cada vez mais se desenvolver considerando a capacidade de distribuir seu desenvolvimento com a sua população, transformar o mundo significa, necessariamente, levar a cada uma das pessoas as melhores condições de vida. E é isso que a ciência faz, né, Aldo, desde a Arca de Noé.
A referência, sem dúvida, é do Antigo Testamento. Não me recordo, no entanto, de nenhum Aldo cuja existência vale mencionar aqui. Ou será que Rousseff está falando de Sant’Aldo, eremita que viveu no século VIII?
Então, é para que o bode sobreviva que nós vamos ter de fazer também um Plano Safra que atenda os bodes que são importantíssimos e fazem parte de toda tradição produtiva de muitas das regiões dos pequenos municípios aqui do estado.
Interessantíssima associação que só mais tarde, com a porta da geladeira aberta, fui perceber. Rousseff cita a Crítica da Razão Pura, de Kant, na qual encontramos a célebre frase do filósofo prussiano:
Um ordenha o bode enquanto o outro segura a peneira.
Ao citar a frase de Kant, a presidente está propondo um exercício bastante oportuno aos prefeitos do Ceará: procurar descobrir se uma questão é pertinente antes mesmo de formulá-la. Ora, todo o esforço em formular uma pergunta ou hipótese (o trabalho de segurar e ordenhar um animal) perderia seu objetivo sem ter como base um substrato experiencial, de maneira que os prefeitos do Ceará poderiam estar falando sobre um nada (o leite na peneira) se puxassem a presidente (o bode) para um canto sem souberem direito o que querem.
Um grande varejista uma vez disse o seguinte, disse uma coisa muito simples e de fácil entendimento, que é muito difícil para o conjunto da população ou para muitas camadas da população, comprar à vista, mas que quando se compra a prazo, tudo fica mais viável.
Talvez uma alusão a Georg Simmel, sociólogo alemão; autor do ensaio A Filosofia do Dinheiro(Philosophie des Geldes). A relação entre Dilma e Simmel (1900) é algo que, estou cada vez mais certo, levou às chamadas pedaladas fiscais.
Se hoje é o Dia das Crianças, ontem eu disse que criança… o dia da criança é dia da mãe, do pai e das professoras, mas também é o dia dos animais. Sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás, o que é algo muito importante.
Essa passagem me faz lembrar a célebre palestra de Brian Greene, um dos maiores especialistas contemporâneos em cosmologia e física de partículas, na Columbia University. O cachorro faz aqui uma aparição simbólica, oculto, por assim dizer, por trás de uma criança - que representaria todas as crianças do Universo. É de lamentar que a presidente não tenha se utilizado dos fundamentos da relatividade no resto do discurso, poupando a platéia de outras figuras ocultas explicativas.
Eu estou muito feliz de estar aqui em Bauru. O prefeito me disse que eu sou, entre os presidentes, nos últimos tempos, uma das presidentes, ou presidentes, que esteve aqui em Bauru.
Muitos sem dúvida terão dificuldades de entender os discursos de Rousseff sem antes ter lido o básico de mecânica quântica. A força de sua fala está na repetição das palavras, como se cada coisa estivesse presente em um multiverso diferente e, ao mesmo tempo, no mesmo lugar. Um antigo físico disse certa vez que “tudo é relativo”, mesmo o tempo (nos últimos tempos) e o espaço (aqui em Bauru).
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Enem 2015 - Passo a passo >Dúvidas frequentes Dúvidas frequentes
Como posso saber meu local de provas?
O local de prova consta no cartão de
confirmação da inscrição, disponível na Página do Participante, pelo link:http://enem.inep.gov.br/Participante.
No ato da inscrição, informei um município, mas durante o ano me mudei
para outro estado ou município. Onde terei que fazer as provas?
Você deverá se deslocar por conta
própria para o município que declarou na inscrição. Mudanças do local indicado
para a realização das provas foram possíveis somente no período de inscrições.
Logo, não é possível fazer nenhuma alteração.
O que acontece se o local de provas designado for longe da minha casa?
Confira com antecedência o local de
provas e, se possível, compareça ao lugar para ter uma ideia de quanto tempo
levará para chegar, a fim de não se atrasar. Não é possível alterar o local
indicado para a realização do exame.
Que documento preciso levar no dia da prova?
Segundo o edital, é obrigatória a
apresentação de documento de cédula de identidade (RG) expedida pelas
Secretarias de Segurança Pública, pelas Forças Armadas, pela Polícia Militar, e
pela Polícia Federal; identidade expedida pelo Ministério da Justiça para
estrangeiros; identificação fornecida por ordens ou conselhos de classes que
por lei tenham validade como documento de identidade; Carteira de Trabalho e
Previdência Social (CTPS), emitida após 27 de janeiro de 1997; Certificado de
Dispensa de Incorporação; Certificado de Reservista; passaporte; Carteira
Nacional de Habilitação com fotografia, na forma da Lei nº 9.503, de 23 de
setembro de 1997; e identidade funcional em consonância com o Decreto nº 5.703,
de 15 de fevereiro de 2006.
Posso apresentar fotocópia (xerox) do documento?
Não. Somente os documentos de
identificação originais (com foto) são aceitos para realização das provas do
Enem.
E se meus documentos tiverem sido roubados ou extraviados?
O participante que não tiver o
documento de identificação original, com foto, no dia do exame, por motivo de
extravio, perda, furto ou roubo, deve apresentar Boletim de Ocorrência expedido
por órgão policial com data de, no máximo, 90 dias anteriores à realização da
primeira prova. Ele será encaminhado à identificação especial, que compreende a
coleta de dados e da assinatura do participante em formulário próprio e, assim,
poderá realizar as provas.
O que acontece se o documento de identidade estiver vencido?
O participante que apresentar documento
de identificação original, com foto, com a validade vencida, que não permita a
identificação dos seus caracteres ou suscite dúvidas quanto à sua assinatura,
poderá, sim, realizar as provas, desde que se submeta a identificação especial,
que compreende a coleta de dados e de sua assinatura em formulário próprio.
Preciso conferir o nome e o número de inscrição no caderno de prova?
Sim. É responsabilidade do participante
ler e conferir os dados registrados nos cartões-resposta, na folha de redação,
na lista de presença e nos demais documentos do exame. O participante também
deve marcar no cartão-resposta a cor do caderno de questões e transcrever a
frase apresentada na capa do caderno de questões. São itens de segurança do
exame. Se seus dados não estiverem corretos, você deve notificar o chefe de
sala.
Como devo me vestir nos dias das provas? Posso ir de short? Posso usar
chinelos?
Vá com uma roupa confortável. Short,
bermuda e chinelos são permitidos.
Qual é o material utilizado para fazer as provas?
O participante deverá utilizar caneta
esferográfica de tinta preta, fabricada em material transparente.
Posso usar algum outro material, como lápis, celular e calculadora?
Não. De acordo com o edital, o
participante não pode portar: lápis, caneta de material não transparente,
lapiseira, borracha, livros, manuais, impressos, anotações e dispositivos
eletrônicos. São vedados: máquinas calculadoras, agendas eletrônicas ou similares,
telefones celulares, smartphones, tablets, ipods, pen drives, mp3 ou similares,
gravadores, relógios, alarmes de qualquer espécie, receptores ou qualquer
transmissor, gravador ou receptor de dados, imagens, vídeos e mensagens.
Tampouco é permitido portar armas de qualquer espécie, mesmo com documento de
porte.
Que acessórios posso utilizar: boné, relógio, celular?
Não é permitido utilizar óculos
escuros, relógios, nem artigos de chapelaria – boné, chapéu, viseira, gorro e
similares.
O que faço com meu celular e outros equipamentos?
O participante deverá guardar, antes do
início do exame, em embalagem porta-objetos fornecida na sala de prova, o
telefone celular e quaisquer outros equipamentos eletrônicos desligados e
outros objetos proibidos. A embalagem porta-objetos deverá ser lacrada e
mantida embaixo da carteira do participante até o final das provas.
Posso levar comida e água?
Pode. Água e comida não são proibidas.
De quanto tempo disponho para responder às questões?
No primeiro dia de provas (24 de
outubro), você tem quatro horas e trinta minutos para responder às questões de
Ciências Humanas e suas Tecnologias e Ciências da Natureza e suas Tecnologias.
No segundo dia de provas (25 de outubro), serão cinco horas e trinta minutos -
uma hora a mais que no primeiro dia - para responder às questões de Linguagens,
Códigos e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias e elaborar uma
redação. No segundo dia, também é feita a prova de língua estrangeira, segundo
a opção feita pelo participante no momento da inscrição no Enem.
Depois de quanto tempo posso sair do local de provas?
A saída definitiva dos locais de provas
está autorizada após duas horas do início do exame.
Posso levar o caderno de questões para casa?
O participante tem que esperar até 30
minutos antes do término da prova para levar o caderno de questões para casa.
HORÁRIOS
Os portões de acesso aos locais de
provas serão abertos às 12h e fechados às 13h (horário oficial de Brasília),
sendo proibida a entrada do participante após o fechamento dos portões.
A aplicação das provas terá início às 13h30 (horário oficial de
Brasília), em todos os estados (UF). A partir das 13h os participantes deverão
aguardar em sala de provas até que seja autorizado o início da aplicação, que
será às 13h30, após procedimento de segurança, sob pena de eliminação do exame.
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
A Correção da Redação no Enem
A correção de qualquer prova ou vestibular é, na verdade, uma avaliação orientada por critérios (estabelecidos pela banca avaliadora) descritos na grade de correção que, no caso do Enem, é organizada em torno de cinco competências:
Cada competência, por sua vez, possui seis faixas de notas e o corretor, no momento da correção, avaliará em qual faixa de nota, de cada competência, determinada redação se encaixa. As notas, em cada competência, variam de 0 (zero) a 200 (duzentos) pontos; como há cinco competências, a nota máxima pode chegar aos 1000 (mil) pontos.
Como cada redação é corrigida por dois corretores distintos e às cegas, isto é, um corretor não fica sabendo da nota atribuída pelo outro, a nota final do candidato será a média aritmética das notas totais atribuídas pelos dois corretores. É de fundamental importância que um corretor não saiba a nota dada pelo outro para a correção ser o mais imparcial possível.
Como os corretores são seres humanos passíveis de erros, a banca avaliadora prevê as discrepâncias, ou seja, divergências ou diferenças entre as notas atribuídas pelos dois corretores. No Enem, as discrepâncias ocorrem em dois casos:
Quando ocorre uma discrepância, a redação é corrigida uma terceira vez, também às cegas, e essa terceira correção é realizada por um corretor mais experiente que só faz terceiras correções; normalmente se trata de um professor que é coordenador de um determinado grupo de corretores. Neste caso, a nota final do candidato será a média aritmética das duas notas mais próximas, portanto, a terceira nota, a mais distante, é descartada.
Porém, pode haver uma nova discrepância entre a correção dos dois primeiros corretores e a terceira correção. Quando isso acontece, a redação é corrigida uma quarta vez, mas agora por uma banca especial composta por três corretores e a decisão tomada por eles é absoluta, sendo descartadas as demais notas.
O ideal é que haja menor número de terceiras e quartas correções possível e que elas sejam realizadas nos textos corretos, isto é, nos textos que geram dúvidas nos corretores; quanto menos terceiras e quartas correções, mais afinados estão os corretores entre si e em relação à grade de correção.
As médias aritméticas são calculadas pelo sistema de computação do Enem, já que não cabe aos corretores calcularem essas notas, mas apenas atribui-las em cada competência.
É importante salientar que os corretores são orientados a não considerar linhas que contenham cópias integrais ou parciais dos textos motivadores da coletânea ou de questões objetivas; caso o texto esteja intitulado, a linha que contém o título é considerada linha escrita, apesar de o título ser um elemento textual opcional para o Enem.
Além disso, há casos em que haverá anulação de redação:
InfoEnem
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quarta-feira, 7 de outubro de 2015
Autoridade ou autoritarismo - professor versus aluno e vice-versa
A relação aluno/professor sempre foi um campo minado no ambiente
educacional. De um lado temos aqueles que tentam desempenhar suas funções de
educadores acreditando e defendendo os métodos tradicionais, e aqueles que
procuram novas estratégias para um melhor desempenho de suas funções em sala de
aula fazendo um sistema de parceria e igualdade. No primeiro caso ocorre a
assimetria que consiste em uma forma de diálogo onde não existe democracia entre
os interlocutores, o educador detém a ação ativa da fala; o aluno apenas ouve sem
questionar. O modelo seguinte abre espaço para o diálogo de forma simétrica podendo
facilitar o convívio em sala de aula (SANTOS, 1999, p. 32).
O problema que segue a partir da escolha do método é que, em ambos, o
educador pode controlar as formas de pensar dos alunos direta ou indiretamente de
forma passiva ou ativa. O professor detém o conhecimento, é ele quem gerencia a
situação, atribui notas, organiza aquilo que o aluno expressa verbalmente ou escrito e
isso, claro, é assimétrico por natureza. Cria-se então, para o aluno, a sensação de
redução. Ele vê o mestre pejorativamente como aquele que dita as regras e estas
devem ser seguidas de forma passiva ou forçada, mesmo esporadicamente (SANTOS,
1999, pp. 8-9).
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Compreenda a Diferença Entre Ética e Moral
Os termos “ética” e “moral” são constantemente utilizados tanto no dia-a-dia quanto nas provas do Enem, em vários cadernos. Inclusive, já foi assunto da redação no ano de 2009, com o tema: “O indivíduo frente a ética nacional”.
Afinal, essas palavras são sinônimas? Não! Então vamos ver a diferença entre seus conceitos.
Segundo o filósofo Paul Ricoeur, a ética vem antes da moral e está ligada à liberdade individual. A moral, construída posteriormente, é advinda das leis e normas sociais.
A palavra ética vem do grupo ethos, que possui duas formas de grafias diferentes. Êthos (com eta) significa a casa do homem, a morada, abrigo estável. Éthos (com épsilon) refere-se ao comportamento resultante da repetição constante de um mesmo ato, que se torna um hábito. O ethos, então, designa o lugar (morada do indivíduo) onde hábitos são formados. A palavra latina mores (a qual originou moral) foi uma tradução do grego ethos, o que explica a difícil distinção entre esses conceitos.
Podemos entender que a ética é o costume de um indivíduo frente às suas escolhas individuais realizadas no exercício de sua liberdade. Já moral é o costume que venceu dentro de um contexto social, tornando-se habitual, um consenso que transforma-se em norma. Algumas normas se expressam em forma de leis, adentrando o campo jurídico.
No senso comum, essas palavras se confundem e são utilizadas sem a denotação filosófica adequada. E isso é preocupante porque uma mesma ação pode ser analisada legalmente, socialmente e individualmente. Quando essas áreas são misturadas, a crítica sobre a ação gera diversos problemas.
Um exemplo disso foi o ocorrido no caso dos ataques ao jornal francês Charlie Hebdo no início deste ano. Em um primeiro momento, o mundo parou em apoio ao jornal, em um processo de identificação (Je Suis Charlie = Somos todos Charlie) como solidariedade pelas mortes ocorridas, em nome da liberdade de expressão. Isso ocorreu por uma análise moral, já que é um hábito da sociedade dos países ocidentais a valorização da liberdade de expressão. É muito famosa, inclusive, a frase atribuída a Voltaire: “Posso não concordar com uma palavra que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las”.
Passado o impacto imediato do ocorrido, outras perspectivas ganharam voz na análise do caso, ligadas muito mais à ética, ao pensar o indivíduo. Realmente tudo pode ser dito, mesmo que ofenda o outro? A liberdade de expressão é um valor a priori da construção social? Onde ficam os outros ideais inerentes à democracia como não violência, tolerância, liberdade, igualdade, fraternidade (aceitação da diferença)?
A violência não é justificável, mas pode ser entendida. Afinal, ilustrar (com a bunda para cima!) o profeta de uma religião que tem como preceito não representar com imagens seus líderes religiosos é, no mínimo, intolerante!
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E para quem acha que o problema se resume a confrontos religiosos, analise a charge do mesmo jornal, sobre o recente caso da criança morta em praia turca na crise migratória.
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*Tradução livre. À esquerda: (A prova de que a Europa é cristã: os cristãos marcham sobre as águas; os muçulmanos afundam) À direita: (Bem-vindos, migrantes. Tão perto… Promo! 2 menus infantis pelo preço de um).
Analisando casos como esse, é possível perceber a importância de separar aspectos individuais daqueles determinados como uma convenção do conjunto social para realizar análises críticas dos eventos que vivenciamos.
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domingo, 27 de setembro de 2015
Como Usar Corretamente Pronomes Demonstrativos – parte 1
A dúvida, ‘ou isto ou aquilo’, pairava também sobre Cecília Meireles, mas não sobre o emprego correto… A dúvida dela era mais existencial:
Já o dilema dos que precisam escrever textos em geral é entre ‘este ou esse’. Vozes em coro bradam: “Ora, mas não é a mesma coisa? Não se pode usar um pelo outro? Mas a gente nem ouve a diferença!”
Pois é… na língua falada não se percebe bem a distinção, mas, na escrita, quanta diferença! E para que a diferença fique clara, vamos relembrar alguns conceitos relacionados com a estrutura e com os elementos da comunicação.
Para que a comunicação se estabeleça, precisamos da presença e da interação de alguns elementos:
Isso posto (olha um deles aí!), vamos ao emprego de tais (olha outro!) palavras. Os pronomes servem para substituir os nomes/substantivos ou ainda acompanhá-los acrescentando mais algum tipo de informação e os demonstrativos são bastante versáteis, por isso acabam dando nó: eles podem situar as informações no espaço, no tempo ou ainda no texto!
Quando falamos em ESPAÇO, neste caso, é o lugar, espaço físico e os demonstrativos vão indicar a proximidade de algo em relação às pessoas do discurso, assim:
Este computador que estou usando já está velho.
Essa tela em que você está lendo meu texto é luminosa.
Aqueles quadros do MASP são dignos de muitas visitas.
Para dar uma ajudinha e evitar mal-entendidos, acabamos reforçando esse emprego com os advérbios de lugar: este aqui, esse aí e aquele lá. Esse é talvez o uso que menos cria dúvidas nos falantes de língua portuguesa.
Em relação ao TEMPO, além dos advérbios específicos para isso (ontem, hoje, amanhã p.e.), podemos situar as informações também pelo emprego adequado dos pronomes demonstrativos. Vejamos como:
Esta semana o artigo trata dos pronomes. (a semana em curso); “Parabéns a você, nesta data querida (…)” (o próprio dia do aniversário).
Agosto já começa a anunciar a primavera. Nesse mês, os ipês já estavam florindo. (estamos em setembro, agosto acabou de passar).
1922 foi muito intenso. Naquele ano, comemorou-se o Centenário da Independência e aconteceu a Semana de Arte Moderna.
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quinta-feira, 24 de setembro de 2015
Temas Redação Enem: Aumento da AIDS Entre os Jovens
Na década de 1980, o mundo todo descobriu o vírus HIV, causador da AIDS, e todos se assustaram muito com o número de mortos pela doença que, naquela época, era praticamente uma sentença de morte. Pessoas famosas mundialmente e anônimas começaram a descobrir que estavam infectadas, o vírus ganhou as páginas dos jornais e das revistas e espaço na televisão e os sintomas e a velocidade das mortes apavoraram todo o planeta. Com tudo isso, o preconceito e a discriminação em torno desses indivíduos nasceram como barreiras quase intransponíveis, pois os chamados grupos de risco foram denominados como os que mais corriam riscos de serem contaminados pelo HIV.
Ao longo dos anos, a medicina evoluiu e o conhecimento sobre a AIDS aumentou, assim como a sua prevenção e o seu tratamento. Casos em que pessoas se contaminavam por meio de transfusões sanguíneas diminuíram, o coquetel de remédios foi criado e passou a fazer parte dos sistemas de saúde e campanhas a favor do uso de preservativos e do teste foram realizadas em toda a mídia mundial.
Atualmente, a contaminação por meio de transfusões de sangue estão praticamente erradicadas, assim como a transmissão de mãe para filho durante o parto ou a amamentação; também não se fala mais em grupos de risco, mas sim em comportamento de risco, ou seja, relações sexuais sem o uso de preservativo masculino ou feminino e o coquetel de remédios proporciona ao soro positivo uma vida relativamente normal e longa, salvos os efeitos colaterais.
Todos esses avanços contribuíram para o aumento do conhecimento acerca do HIV e da AIDS (inclusive uma vacina está sendo testada), na diminuição da transmissão e no crescimento da qualidade de vida dos portadores. No entanto, há um lado negativo, o qual é o tema do texto de hoje: o aumento do número de jovens contaminados pelo vírus.
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Devido aos avanços sobre a AIDS, muitos jovens brasileiros subestimam o HIV e não o consideram uma sentença de morte como ocorria no século XX. Apesar da quantidade imensa de remédios que devem ser tomados diariamente e dos respectivos efeitos colaterais, vários jovens pensam que basta tomar o coquetel e seguir com a vida que está tudo bem, mas não é certo pensar deste modo, já que a AIDS ainda é uma doença sem cura.
Os números de contaminados pelo HIV estavam diminuindo no Brasil já há algum tempo, mas dados da UNAIDS (Programa Conjunto da ONU sobre HIV/AIDS) relevaram que os casos de AIDS cresceram 11% entre 2005 e 2013 no nosso país e entre os jovens o número de contaminados é maior: entre os meninos de 15 a 19 anos, o número de casos cresceu 50% na última década.
Esses resultados nos mostram que, apesar de todas as informações acerca da AIDS, os casos da doença tendem a aumentar entre os jovens, ou seja, parece que o conhecimento não consegue barrar o crescimento da doença entre as pessoas ditas mais informadas. Um estudo realizado com mais de 35 mil meninos de 17 a 20 anos revelou que o aumento de contaminação entre os jovens pelo vírus HIV está relacionado ao baixo grau de escolaridade.
Dados da página do governo federal sobre a AIDS confirmam que a faixa etária na qual há maior contágio é entre 25 e 49 anos, em ambos os sexos, mas na faixa entre 13 e 19 anos a incidência é maior entre as meninas desde o ano de 1998. A cada dia que passa, os jovens estão explorando cada vez mais a sua sexualidade, das mais variadas formas, mas sem a devida proteção. Além disso, ao estarem em relacionamentos mais sérios, como namoros duradouros, o uso do preservativo é deixado de lado baseado na confiança no parceiro e é aí que muitos se contaminam, como ainda acontece com mulheres adultas casadas.
Por se tratar de um tema eternamente importante que impacta a sociedade brasileira, pensamos que o aumento dos casos de AIDS entre os jovens brasileiros é dos possíveis temas da proposta de redação do Enem, até porque a maioria dos candidatos está na faixa etária na qual os casos cresceram.
A mídia comunica, o governo realiza campanhas comunitárias de conscientização acerca da prevenção e dos testes, além de oferecer preservativos e o coquetel no Sistema Único de Saúde (SUS), a escola esclarece… O que mais precisa se feito para que o número de casos de AIDS diminua entre os jovens brasileiros?
Página recomendada:
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segunda-feira, 21 de setembro de 2015
Gregório de Matos Guerra
Gregório de Matos Guerra nasceu em Salvador (BA) e morreu em Recife (PE).
Recebeu o apelido de Boca do Inferno, graças a sua irreverente obra satírica.
Cultivou a poesia lírica, satírica, erótica e religiosa.
Em vida, Gregório não publicou suas obras.
Recebeu o apelido de Boca do Inferno, graças a sua irreverente obra satírica.
Cultivou a poesia lírica, satírica, erótica e religiosa.
Em vida, Gregório não publicou suas obras.
O poeta religioso
A preocupação religiosa do escritor revela-se no grande número de textos que tratam do tema da salvação espiritual do homem. No soneto a seguir, o poeta ajoelha-se diante de Deus, com um forte sentimento de culpa por haver pecado, e promete redimir-se. Observe:
Soneto a Nosso Senhor
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinquido
Vos tem a perdoar mais empenhado.
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinquido
Vos tem a perdoar mais empenhado.
Se basta a voz irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história.
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história.
Eu sou, Senhor a ovelha desgarrada,
Recobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.
Recobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.
O poeta satírico
Gregório de Matos é amplamente conhecido por suas críticas à situação econômica da Bahia, especialmente de Salvador, graças à expansão econômica chegando a fazer, inclusive, uma crítica ao então governador da Bahia Antonio Luis da Camara Coutinho. Além disso, suas críticas à Igreja e a religiosidade presente naquele momento. Essa atitude de subversão por meio das palavras rendeu-lhe o apelido de "Boca do Inferno", por satirizar seus desafetos
Triste Bahia
Triste Bahia! ó quão dessemelhante
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi abundante.
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi abundante.
A ti tricou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando e, tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando e, tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.
O poeta lírico
Em sua produção lírica, Gregório de Matos se mostra um poeta angustiado em face à vida, à religião e ao amor. Na poesia lírico-amorosa, o poeta revela sua amada, uma mulher bela que é constantemente comparada aos elementos da natureza. Além disso, ao mesmo tempo que o amor desperta os desejos corporais, o poeta é assaltado pela culpa e pela angústia do pecado.
À mesma d. Ângela
Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós, se uniformara:
Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós, se uniformara:
Quem vira uma tal flor, que a não cortara,
De verde pé, da rama fluorescente;
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus o não idolatrara?
De verde pé, da rama fluorescente;
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus o não idolatrara?
Se pois como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.
Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.
Mas vejo, que por bela, e por galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.
O poeta erótico
Também alcunhado de profano, o poeta exalta a sensualidade e a volúpia das amantes que conquistou na Bahia, além dos escândalos sexuais envolvendo os conventos da cidade.
Necessidades Forçosas da Natureza Humana
Descarto-me da tronga, que me chupa,
Corro por um conchego todo o mapa,
O ar da feia me arrebata a capa,
O gadanho da limpa até a garupa.
Busco uma freira, que me desentupa
A via, que o desuso às vezes tapa,
Topo-a, topando-a todo o bolo rapa,
Que as cartas lhe dão sempre com chalupa.
Que hei de fazer, se sou de boa cepa,
E na hora de ver repleta a tripa,
Darei por quem mo vase toda Europa?
Amigo, quem se alimpa da carepa,
Ou sofre uma muchacha, que o dissipa,
Ou faz da mão sua cachopa.
http://www.soliteratura.com.br/
Corro por um conchego todo o mapa,
O ar da feia me arrebata a capa,
O gadanho da limpa até a garupa.
Busco uma freira, que me desentupa
A via, que o desuso às vezes tapa,
Topo-a, topando-a todo o bolo rapa,
Que as cartas lhe dão sempre com chalupa.
Que hei de fazer, se sou de boa cepa,
E na hora de ver repleta a tripa,
Darei por quem mo vase toda Europa?
Amigo, quem se alimpa da carepa,
Ou sofre uma muchacha, que o dissipa,
Ou faz da mão sua cachopa.
http://www.soliteratura.com.br/
Onde e Aonde
ONDE é um pronome relativo e serve para ligar uma oração principal a uma subordinada adjetiva ao mesmo tempo que substitui um termo da oração principal, evitando a repetição.
Mas CUIDADO:
Ele só pode substituir um termo que indique LUGAR, ESPAÇO FÍSICO!!! Assim, não são possíveis construções como:
“A entrevista onde o ministro anunciou corte de custos repercutiu em todas as mídias”
uma vez que, nessa frase, o pronome está retomando entrevista, que não é um lugar!!!
Como sair dessa situação embaraçosa (não a entrevista, mas a construção que destoa da norma culta)? A correção mais simples e eficaz (e que pode ser usada em inúmeras situações de dúvida a respeito do onde) é substituir o tal pronome pela combinação em que, assim:
“A entrevista em que o ministro anunciou corte de custos repercutiu em todas as mídias”
Isso posto, vamos à distinção entre ONDE e AONDE!
Já sabemos que só podem aparecer indicando lugar. Agora vamos observar como se comporta esse tal lugar e aí entramos também no assunto Regência Verbal.
O pronome ONDE será usado, nas condições já mencionadas (ou seja, para referir-se a um lugar) quando, na oração, não há ideia de movimento, de deslocamento, isto é, o lugar está parado e os agentes do verbo também!
“A casa onde morou Machado de Assis fica em Cosme Velho, no Rio de Janeiro.”
O verbo ‘morar’ não implica deslocamento, por isso empregamos o ‘onde’. E, em caso de dúvida cruel, troque:
“A casa em que (ou na qual) morou Machado de Assis fica em Cosme Velho, no Rio de Janeiro.”
Se, no entanto, o verbo indicar movimento ou deslocamento, usaremos uma preposição regida (exigida) pelo verbo (por isso mencionei a tal Regência). Se o verbo indicar movimento no sentido da IDA, a preposição será A (confira o artigo anterior em que abordo os casos de crase). Veja como Manuel Bandeira brinca com o movimento, com as figuras de sonoridade (assonância, paronomásia) e usa acertadamente o AONDE:
A ONDA
Manuel Bandeira
a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda
Assim como o poeta, empregaremos o AONDE em construções que impliquem movimento de ida:
Podemos também usar outras preposições antes do ONDE, como fez Zeca Baleiro nesta música:
Por onde andará Stephen Fry
Zeca Baleiro
Por onde andará Stephen Fry
Por onde andará … Stephen
Ninguém sabe do seu paradeiro
Ninguém sabe para onde ele foi
prá onde ele vai
Stephen may be feeling all alone
Stephen never do this again
come back home
Se correr o bicho pega Stephen se ficar o bicho come
Link: vagalume.com.br/zeca-baleiro/por-onde-andara-stephen-fry-2.html#ixzz3mHS0kFeJ Acesso em 17/09/2015)
Resumindo:
ONDE – sem deslocamento
AONDE – com deslocamento no sentido de IDA
DE ONDE – com deslocamento no sentido da VOLTA
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