domingo, 9 de agosto de 2015

Crase

Crase ‘pra’ que?
Antes de chegar a uma resposta para essa questão, vamos esclarecer um ponto importante:
Crase NÃO é o acento que colocamos sobre o A!
Então, é o quê, afinal? Bem, para entender o conceito, vamos fazer uma ‘regressão’ para conhecer a origem do termo:
CRASE vem da palavra grega κράσις (krásis), que significa ‘fusão’, ou seja, a junção de elementos e, no caso específico da Língua Portuguesa, a junção de duas vogais iguais. Pode ocorrer ao longo da evolução das palavras (num recorte diacrônico do idioma), como observamos na passagem de algumas palavras do Latim ao Português:
Color> coor> cor (pela fusão dos dois ‘o’)
Ou ainda num recorte sincrônico (observando só a versão atual do idioma), quando ‘encavalamos’ as duas vogais e pronunciamos só uma:
“Querida amiga” acaba sendo pronunciado “queridAmiga” – essa é a crase no plano da sonoridade.
Existe também a crase na poesia. Quando separamos as sílabas poéticas de um verso (a chamada ‘escansão’ do verso), pode ocorrer de duas vogais, uma tônica e uma átona, de palavras diferentes, ficarem na mesma sílaba. Observe estes versos de Vinícius de Moraes:
(…) Mai/o/r a/mor/ nem/ mai/s es/tra/nho e/xis/te
Que o/ meu/, que/ não/ so/sse/ga a/coi/sa a/ma/da (…)
Aqui temos duas crases, o final de ‘sossega’ que ‘gruda’ no artigo ‘a’ e o final de ‘coisa’ que emenda com o início de ‘amada’.
Agora, a crase que tira o sono de muita gente é a crase gramatical. Essa pode ser a fusão:
  • da preposição A com o artigo A; ou
  • da preposição A com o pronome demonstrativo A; ou ainda
  • da preposição A com a primeira letra dos pronomes demonstrativos AQUELE(S)/ AQUELA(S)/ AQUILO.
Podemos então responder à (crase!) pergunta inicial, ou melhor, reformular a pergunta inicial e então responder:
Acento grave ‘pra’ quê? Para indicar que ali existem duas letras iguais que se fundiram e passamos a escrever e a pronunciar como se fosse somente uma (sim! Pronunciamos como uma só!!! Não fale ‘vou AA feira’, pois já fundimos as duas justamente para ‘economizar o esforço’ de pronunciar duas coisas iguais!)
Esclarecidos os fundamentos – a diferença entre o conceito e o acento, já estamos aptos a passar para os casos práticos… na próxima semana!

InfoEnem

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Como se escreve?

1. Manteguera – a forma correta é “manteigueira”. A vogal “i” é omitida na pronúncia, mas está na palavra original (manteiga) e no sufixo “eira”, que indica local.
2. Xuxu – o correto é “chuchu”.
3. Apartir – deve vir separado, sem crase nem acento agudo: “a partir”. Assim como “a gente” (no sentido de “nós”).
4. Esteje – o certo é “esteja”. O professor já constatou o mesmo erro com os verbos “ser” (“seje” em vez de “seja”, o correto) e até “ter” (que vira “teje”, em vez da forma correta “tenha”).
5. Menas –  “menos” é sempre com “o”.

Gramática Para Quê?

capim o comeu boi 

É claro que você entendeu a minha mensagem aí em cima, certo? Não? Ora, mas as palavras que eu queria dizer estão todas ali! Por que será que você não compreendeu? Será um problema seu? Ou meu?
Bem, o problema é da frase: nela falta uma ordem lógica (a sintaxe), que estabelece o ‘rumo’ da mensagem, a função e o significado dos termos, em linguagem técnica, falta o que se chama ‘gramaticalidade’. E que diabos é ‘gramaticalidade’?
Segundo o dicionário Houaiss, é “característica de uma sentença gramatical, ou seja, aquela que foi gerada pelas regras da gramática de uma língua”.
Isso quer dizer que não é possível apenas amontoar as palavras de qualquer jeito para construirmos nossas mensagens. Com isso concorda Othon Moacir Garcia, ao afirmar que: “Nossa liberdade de construir frases está, assim, condicionada a um mínimo de gramaticalidade – que não significa apenas nem necessariamente correção (há frases que, apesar de, até certo ponto, incorretas, são plenamente inteligíveis). Carentes da articulação sintática necessária, as palavras se atropelam, não fazem sentido – e, quando não há nenhum sentido possível, não há frase, mas apenas um ajuntamento de palavras.”1
“Então preciso saber de cor todas as regras da Gramática para escrever bem?” você poderá perguntar. E a resposta é “Não necessariamente!” Se eu afirmasse que sim, seria o mesmo que garantir que após decorar toda a Gramática do italiano, por exemplo, eu estaria habilitado a sair por aí me comunicando em italiano e sabemos que isso não acontece. Só o conhecimento da Gramática ou a aplicação automática das suas regras não garante a produção de um bom texto, mas podemos dizer que a gramática é o esqueleto do idioma.
Fazendo uma analogia com a construção civil: alguém pode até levantar uma casa apenas assentando tijolo sobre tijolo e colocando um telhado por cima, mas sem os cálculos estruturais, possivelmente a obra iria ao chão mais cedo ou mais tarde. A Gramática é essa estrutura que serve para manter firme a mensagem e comunicar claramente para o receptor (leitor ou ouvinte) aquilo que temos em mente.
Outro exemplo? Compare as frases abaixo:
O mecânico cheirava a gasolina.
E
O mecânico cheirava à gasolina.
O que dizer delas? Ambas erradas? Ambas correta? Uma certa e outra errada?
Acertou que disse que ambas estão corretas. Mas elas não dizem a mesma coisa. Para informar que o mecânico sentia o cheiro da gasolina eu não uso o acento de crase, mas para dizer que o mecânico exalava o odor da substância, eu preciso acrescentar o acento. E é a Gramática que vai me ajudar a decidir.
Nesta coluna, nosso objetivo não é fornecer as regras da Gramática, pois isso pode ser obtido em qualquer bom livro sobre o assunto. A intenção é abordar as principais dificuldades que surgem no momento em que estamos redigindo, além de mostrar a aplicação prática de alguns tópicos que geralmente são abordados nas aulas de gramática de maneira isolada, sem sentido para o aluno na maior parte das vezes.

Por Margarida Moraes

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A Estética da Redação no Enem

Primeiramente, gostaria de agradecer pelo carinho e apoio que recebi de alguns leitores por conta do falecimento de minha avó: muito obrigada! Foi muito bom ler palavras tão doces.
Em nossa coluna sobre a redação no Enem, abordamos questões complexas como organização, planejamento, cumprimento do tema, domínio da dissertação-argumentativa, coesão, coerência, norma culta da Língua Portuguesa, fluidez e por aí vai. Assim, algumas vezes, nos esquecemos de prestarmos atenção em detalhes estéticos que podem parecer banais, mas que no fundo também contribuem muito para com um bom desempenho em uma prova de produção textual.
Desde o momento em que somos alfabetizados, a professora do Ensino Fundamental nos lembra de escrevermos com letra legível, a não sujar a folha do caderno (algumas até proíbem o uso de corretivos quando os alunos passam a escrever à caneta), a rasurar o menos possível o texto, a obedecer as margens e as linhas e a respeitar o limite de linhas imposto.
Tudo isso pode parecer bobagem ou ter menos importância, mas na realidade conta muito e diz bastante sobre o autor de uma redação. A letra legível, de fôrma, técnica ou cursiva, é fundamental para que o leitor compreenda o que está escrito e em uma situação de avaliação oficial, como no Enem e nos demais vestibulares, é essencial para que a correção seja feita integralmente, pois o corretor não tem todo o tempo de mundo para tentar adivinhar o que está escrito se a letra não é legível; ele simplesmente vai pular aquela palavra indecifrável e seguir em frente.
Treinar Redação
Já as questões da sujeira e das rasuras dizem respeito ao cuidado e à atenção empregadas pelo candidato no momento da escrita da redação. Muitas pessoas, pelo nervosismo, ansiedade e pressa, acabam escrevendo errado por pura falta de atenção, o que acarreta em perda de pontos na competência número um que avalia o domínio da norma culta da língua em sua variedade escrita formal. Além disso, eventuais sujeiras e rasuras podem atrapalhar a leitura do corretor, assim como a letra ilegível, e não é possível fazer mais nada se ambos os corretores tiveram dificuldades para ler o texto.
Em relação à obediência às margens da folha definitiva, é curioso como muitos candidatos não aproveitam todo o espaço disponibilizado ao não escrever até o fim da margem direita, o que pode acarretar em outro grave problema: extrapolar o limite de 30 linhas. Corretores de vestibulares são orientados pela banca elaboradora a não considerarem o que está escrito além do limite estipulado e textos que ultrapassam as 30 linhas, escrevendo nas margens, no verso da folha ou embaixo serão muito prejudicados. Sabemos que, dependendo do tema, a vontade é a de escrever sobre muitas coisas e mostrar conhecimento, mas aqui planejamento e organização são fundamentais.
Outro detalhe que muitos se esquecem: o texto deve ser escrito à tinta, ou seja, à caneta. Textos escritos à lápis não são corrigidos em vários vestibulares e em concursos públicos.

infoEnem

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Escolas Literárias Brasileiras – Parnasianismo


Dando continuidade aos estudos de Literatura para o caderno de Linguagens e Códigos do Enem, abordaremos a escola literária do século XIX, o Parnasianismo, que teve seu marco inicial no Brasil em 1882, com a publicação de “Fanfarras” de Teófilo Dias.
É preciso ressaltar que diferentemente do Realismo e Naturalismo que abordam temas com crítica à realidade, o parnasianismo representou na poesia um retorno ao clássico, o princípio do belo na arte, a busca do equilíbrio e a perfeição do formal.
parnasianismoOs parnasianos acreditavam que a arte reside nela mesma e não no mundo exterior. Estudando as escolas literárias, percebe-se que o homem está sempre rompendo com o que considera ultrapassado e propondo algo “novo”. Esse “novo” tem algumas de suas características no Arcadismo. Em oposição à revolução romântica, formou-se na escola parnasiana novos valores artísticos, que desejavam restaurar a poesia clássica que os românticos rejeitaram.
O Movimento Parnasiano distancia-se da realidade e não tem como objetivo artístico tratar de problemas sociais e humanos e sim, alcançar a perfeição na sua construção: rimas, métrica, equilíbrio, imagens e vocabulário culto. Com referências a personagens da mitologia e o equilíbrio formal, o conteúdo dessa arte não passava de uma pintura artificial com o objetivo de ganhar prestígio entre as classes letradas da sociedade brasileira. A letra do Hino Nacional Brasileiro, escrita por Joaquim Osório Duque Estrada, segue o estilo parnasiano, o que justifica a presença de uma linguagem culta e inversões sintáticas, que dificulta a compreensão.

Principais características da poesia parnasiana

  • Quanto à forma: busca da perfeição formal, descrições, soneto, vocabulário culto.
  • Quanto ao conteúdo: objetivismo, racionalismo, apego ao tradicionalismo clássico, presença da mitologia greco-latina, universalismo, arte pela arte.

Principais autores e obras

  1. Olavo Bilac (Poesias-1888, Crônicas e novelas-1894, Crítica e fantasia-1904, Tratado de Versificação- 1910).
  2. Raimundo Correia (Primeiros Sonhos-1879, Sinfonias-1883, Poesias-1898).
  3. Alberto de Oliveira (Meridionais-1884, Céu, Terra e Mar- 1914, O culto da Forma na Poesia Brasileira-1916).

Análise de Questão Sobre Variações Linguísticas no Enem


Vimos que as variações linguísticas podem ocorrer por diversos fatores. Desta forma, é importante para o vestibulando em fase de preparo para o Enem conhecer e saber identificar estas modificações. Para demonstrar a atualidade do conteúdo, selecionamos uma questão do caderno de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias do Enem de 2014. A questão foi resolvida e comentada pela professora Margarida dos Santos Marques Moraes, que possui graduação e mestrado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP).
Enem 2014 – Caderno Rosa – Questão 100
Óia eu aqui de novo xaxando
Óia eu aqui de novo para xaxar

Vou mostrar pr’esses cabras
Que eu ainda dou no couro
Isso é um desaforo
Que eu não posso levar
Que eu aqui de novo cantando
Que eu aqui de novo xaxando
Óia eu aqui de novo mostrando
Como se deve xaxar

Vem cá morena linda
Vestida de chita
Você é a mais bonita
Desse meu lugar
Vai, chama Maria, chama Luzia
Vai, chama Zabé, chama Raqué
Diz que eu tou aqui com alegria

BARROS, A. Óia eu aqui de novo. Disponível em: www.luizluagonzaga.mus.br. Acesso em: 5 maio 2013 (fragmento).
A letra da canção de Antônio de Barros manifesta aspectos do repertório linguístico e cultural do Brasil. O verso que singulariza uma forma característica do falar popular regional é:
a) “Isso é um desaforo”.
b) “Diz que eu tou aqui com alegria”.
c) “Vou mostrar pr’esses cabras”.
d) “Vai, chama Maria, chama Luzia”.
e) “Vem cá morena linda, vestida de chita”


RESOLUÇÃO E COMENTÁRIOS
Alternativa C
A letra da música remete ao universo nordestino já no início, quando menciona o xaxado, ritmo originário do interior de Pernambuco, cujo nome alguns estudiosos atribuem ao som do arrastar dos pés durante a execução da dança. Além disso, no verso transcrito na alternativa C, encontra-se o termo cabra, empregado na região como sinônimo de ‘indivíduo’.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Curso Gratuito Para Professor

Todos os cursos desta lista são grátis, mas alguns cobram para emitir certificado ou para fornecer alguma vantagem para o interessado; outros emitem certificados gratuitos.

  • Portal do Professor - Oferece 13 cursos para professores e gestores e que são realizados pelo MEC ou por instituições parceiras.

sábado, 1 de agosto de 2015

Redação no Enem: Objetividade e Clareza


Ao longo do trabalho de avaliação e correção no Curso de Redação do infoEnem, venho percebendo algumas tendências equivocadas de alguns alunos ao escreverem suas dissertações-argumentativas e, duas delas, é a falta de objetividade e de clareza ao tratarem dos temas das propostas de redação.
Vários alunos pensam que empregar palavras pouco usuais ou escrever de modo “difícil” e rebuscado é o mais adequado, pois pode chamar a atenção do corretor e demonstrar uma possível complexidade, mas isso é um equívoco. Na grande maioria das vezes, essa escrita complicada resulta em falta de objetividade e clareza, pois o texto fica circular, isto é, não nos diz nada no fim das contas e deixa o leitor com lacunas e dúvidas.

Treinar Redação

Primeiramente, o candidato ao Enem ou a qualquer outro exame ou vestibular não deve pensar no corretor no momento de escrever a sua redação, seja ela de que tipo textual ou gênero for. Um leitor universal deve ser imaginado, ou seja, qualquer pessoa deve ser capaz de ler e de compreender o texto que está sendo escrito e, por isso, a objetividade e a clareza são tão importantes, já que o leitor pode ser qualquer um e de qualquer lugar.
Neste sentido, mesmo que brevemente, por questões de espaço, tudo deve ser explicado e justificado ao seu leitor; o candidato nunca deve pressupor que seu leitor saiba do que está sendo posto nem é obrigado a adivinhar o que o autor quis dizer. Para tanto, organização e planejamento são fundamentais para que a dissertação-argumentativa desenvolva profundamente, sem ultrapassar o limite de linhas, a tese do autor de modo objetivo e claro ao leitor.
Outro equívoco cometido por alguns alunos é escrever de um modo muito abrangente, quase filosófico quando, na verdade, normalmente, os temas das propostas de redação do Enem são temas situados no contexto social, histórico, político e cultural brasileiro e não no âmbito mundial, internacional. O mais adequado é contextualizar o tema no cenário brasileiro e não falar em “sociedades humanas”, em “civilização”, “ser humano” etc.
As primeiras propostas de redação do Enem eram, de fato, abrangentes, mas já há muito tempo elas são mais específicas e restritas ao Brasil e isso deve ser levado em consideração no momento da produção textual a fim de cumprir o tema e de demonstrar compreensão da proposta de redação como um todo.
Portanto, simplicidade, objetividade, clareza e contextualização são quatro aspectos essenciais que não podem e não devem ser esquecidos pelos candidatos ao Enem 2015.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

A Importância das Variações Linguísticas para o Enem


Todos os falantes de um idioma sabem, empiricamente, as regras de funcionamento da língua. No entanto, conforme vivemos e convivemos, também descobrimos que essas normas não são utilizadas igualmente por todos os indivíduos, e isso ocorre por diversos fatores, como a faixa etária e o grupo social a qual pertence o falante. Essas diferenças recebem o nome de variedades ou variações linguísticas.
Por ser um tema atual que desperta debates na sociedade, tal assunto é abordado em um item da matriz de referências para o caderno de Linguagens, códigos e suas tecnologias. Neste artigo iremos abordar as causas mais comuns destas variações.

Variação Histórica

Ocorre por conta da transformação do idioma através do tempo. Como sabemos, a língua portuguesa não é estática e imutável e, durante sua utilização ao longo dos anos, pode haver a modificação da grafia de palavras, do significado e contexto para a utilização de expressões e até mesmo a forma de se falar. Para exemplos deste tipo de variação, veja na imagem abaixo como as palavras “crianças”, “farmacêutico”, “remédio” e “farmácia” estão grafadas.
variacao_historica

Variação Geográfica

Corresponde às variações ocorridas por causa da cultura regional do falante, influenciando não apenas a utilização de palavras, mas também a pronúncia característica de uma região, o que chamamos de sotaque.
Imagine o equipamento de trânsito utilizado pelas autoridades públicas para controlar o tráfego de veículos nas vias públicas. Dependendo da região em que você se encontra, esse equipamento poderá receber o nome de semáforo, sinaleiro ou sinal de trânsito. O mesmo ocorre quanto ao uso do termo biscoito e/ou bolacha para a denominação de doces recheados (caso você se sinta intrigado sobre esse assunto, recomendamos a leitra desta matéria.
Fonte: http://super.abril.com.br/blogs.
Fonte: http://super.abril.com.br/blogs.

Variações Socioculturais

São aquelas que ocorrem por causa das condições sociais dos indivíduos, já que estas influem diretamente no modo de se expressar. Pode-se dizer que o pertencimento a determinado grupo faz com que tenhamos um repertório específico, que se demonstra na maneira de falar e nas palavras escolhidas. Por exemplo, podemos citar as gírias utilizadas por adolescentes e os jargões profissionais – este último ilustrado na charge abaixo e explicado neste artigo sobre jargões corporativos.
Fonte: http://www.curseduca.com.br/blog/wp-content/uploads/2014/01/jarg%C3%B5es.jpg

Pobre Poeta

 Pobre Poeta: Apodrecem os livros de poesias na prateleira do poeta que partiu; ninguém lê, ninguém vê...  Poeira, traças, moscas e mofo fazem  com...

Exemplo de Questão sobre Escolas Literárias no Ene...

 Exemplo de Questão sobre Escolas Literárias no Ene...: Como vimos em nossa nova série de artigos sobre as escolas literárias luso-brasileiras, o  Quinhentismo  foi um movimento literário imp...

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dicas de Leitura sobre Maioridade Penal para o Enem


Como já alertamos diversas vezes, estar por dentro dos principais assuntos da atualidade, principalmente daqueles que envolvem uma problemática social brasileira, é de fundamental importância para todos que almejam uma boa nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Nos últimos meses, um dos debates mais acalorados certamente é a discussão da redução da maioridade penal. Um assunto que tem como plano de fundo a violência urbana brasileira e que, ainda por cima, traz diversos ingredientes do nosso conturbado cenário político atual. Ou seja, um receita ótima para aparecer no Enem, seja na parte objetiva ou mesmo como tema da redação da prova. Aliás, esse foi justamente o tema de redação do último vestibular da Unesp (clique aqui e veja a matéria!)
Afinal, um jovem de 16 anos deve responder à seus atos criminosos exatamente como um adulto?
Independente do seu posicionamento, separamos alguns artigos e matérias para que você possa fazer uma análise mais profunda sobre essa questão. Talvez, essas matérias reforcem suas convicções. Ou talvez, o faça repensá-las!
Vamos lá?

Matéria muito interessante do jornal Folha de São Paulo que revela como TODOS estamos discutindo a questão da redação sem, ao menos, ter um mapa sobre os crimes cometidos por jovens no país.

Uma frase muito comum em debates, dita principalmente pelos que são a favor da redução, é que um jovem de 16 anos sabe exatamente o que está fazendo e por isso deve responder pelos seus atos. Será mesmo? Que tal ler esta matéria, publicada pela revista Galileu, sobre o funcionamento do cérebro humano nessa fase da vida?

Esse assunto é tão importante que até nossa colunista de redação, a Professora Camila Dalla Pozza, já tratou de analisá-lo. E já que estamos tocando de novo nessa tecla, recomendamos que releia este artigo, no qual a professora levanta vários dados e pontos de vista, na tentativa de organizar a discussão de uma maneira sensata e coerente.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Escolas Literárias Luso-Brasileiras – Realismo

Para continuar os estudos em Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias do Enem, vamos apresentar uma nova escola literária, o Realismo/Naturalismo, que se inicia na segunda metade do século XIX, nos anos de 1881, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, do memorável Joaquim Maria Machado de Assis. Vale lembrar que Machado tem uma fase no Romantismo e outra no Realismo, sendo considerado um autor dos dois movimentos literários.
O Realismo foi um movimento artístico e cultural, abordando um tratamento objetivo da realidade, reagindo ao subjetivismo do Romantismo. Suas principais características foram:
  1. Abordagem de temas sociais e a objetividade da realidade do ser humano.
  2. Forte caráter ideológico.
  3. Linguagem política e de denúncia dos problemas sociais, como: miséria, pobreza, exploração, corrupção, dentre outros.
  4. Linguagem clara e objetiva.
  5. Crítica às classes sociais dominantes.
  6. Racionalismo/Impessoalidade.
  7. Cientificismo/Verossimilhança/Psicologismo.
  8. Universalismo.
O Realismo e Naturalismo têm os mesmos princípios científicos, artísticos e filosóficos, divergindo apenas que o Naturalismo tem um aspecto mais intenso das teorias científicas vigentes na época, principalmente o determinismo. (O determinismo biológico atribui as capacidades físicas e psicológicas do ser humano à sua etnia, nacionalidade ou o grupo ao qual pertence).
Vale lembrar, portanto, características exclusivas do Naturalismo:
  1. Homem = animal = instinto
  2. Preferência por temas sobre anomalias humanas, patologias sexuais, focando a classe mais baixa da sociedade.
Contexto histórico e social:
  • Abolição da escravatura (1988).
  • Proclamação da República (1989).
  • Revoltas Militares.
  • Especulação na Bolsa de Valores.
  • Surgimento das primeiras escolas de direito.
  • Entrada da filosofia positivista.
Os principais autores desse movimento, indicados abaixo, pertencem respectivamente ao Realismo e ao Naturalismo:
  • Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro etc.
  • Aluísio Azevedo: O Cortiço, Casa de Pensão e O Mulato.
Temos ainda, no Realismo português, Eça de Queiroz e suas maiores obras, como: O crime do padre Amaro, O Primo Basílio, Os Maias, A Cidade e as Serras.
O próximo movimento na literatura brasileira será o último do século XIX: O Parnasianismo e o Simbolismo, que se desenvolveram concomitantemente