domingo, 27 de setembro de 2015

Como Usar Corretamente Pronomes Demonstrativos – parte 1

A dúvida, ‘ou isto ou aquilo’, pairava também sobre Cecília Meireles, mas não sobre o emprego correto… A dúvida dela era mais existencial:
Ou Isto ou Aquilo
Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!
Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!
(…)
Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo…
e vivo escolhendo o dia inteiro!
Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranquilo.
Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.
(In: http://www.jornaldepoesia.jor.br/ceci28.html Acesso em 25-09-2015)
Já o dilema dos que precisam escrever textos em geral é entre ‘este ou esse’. Vozes em coro bradam: “Ora, mas não é a mesma coisa? Não se pode usar um pelo outro? Mas a gente nem ouve a diferença!”
Pois é… na língua falada não se percebe bem a distinção, mas, na escrita, quanta diferença! E para que a diferença fique clara, vamos relembrar alguns conceitos relacionados com a estrutura e com os elementos da comunicação.
Para que a comunicação se estabeleça, precisamos da presença e da interação de alguns elementos:
  • o emissor: a 1ª pessoa do discurso, ou seja, quem transmite uma mensagem,
  • o receptor: a 2ª pessoa do discurso, ou seja, quem recebe a mensagem,
  • o referente: a 3ª pessoa do discurso, ou seja, o assunto da mensagem.
Isso posto (olha um deles aí!), vamos ao emprego de tais (olha outro!) palavras. Os pronomes servem para substituir os nomes/substantivos ou ainda acompanhá-los acrescentando mais algum tipo de informação e os demonstrativos são bastante versáteis, por isso acabam dando nó: eles podem situar as informações no espaço, no tempo ou ainda no texto!
Quando falamos em ESPAÇO, neste caso, é o lugar, espaço físico e os demonstrativos vão indicar a proximidade de algo em relação às pessoas do discurso, assim:
  • ESTE: indica que algo está próximo de quem fala;
  • ESSE: indica que algo está próximo de quem ouve;
  • AQUELE: indica que algo está distante dos dois envolvidos na comunicação. Assim:
Este computador que estou usando já está velho.
Essa tela em que você está lendo meu texto é luminosa.
Aqueles quadros do MASP são dignos de muitas visitas.
Para dar uma ajudinha e evitar mal-entendidos, acabamos reforçando esse emprego com os advérbios de lugar: este aqui, esse aí e aquele lá. Esse é talvez o uso que menos cria dúvidas nos falantes de língua portuguesa.
Em relação ao TEMPO, além dos advérbios específicos para isso (ontem, hoje, amanhã p.e.), podemos situar as informações também pelo emprego adequado dos pronomes demonstrativos. Vejamos como:
  • ESTE: indica tempo presente;
  • ESSE /AQUELE: indicam passado. Esse sugere um passado próximo e aquele, um passado remoto. Observe:
Esta semana o artigo trata dos pronomes. (a semana em curso); “Parabéns a você, nesta data querida (…)” (o próprio dia do aniversário).
Agosto já começa a anunciar a primavera. Nesse mês, os ipês já estavam florindo. (estamos em setembro, agosto acabou de passar).
1922 foi muito intenso. Naquele ano, comemorou-se o Centenário da Independência e aconteceu a Semana de Arte Moderna.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Temas Redação Enem: Aumento da AIDS Entre os Jovens

Na década de 1980, o mundo todo descobriu o vírus HIV, causador da AIDS, e todos se assustaram muito com o número de mortos pela doença que, naquela época, era praticamente uma sentença de morte. Pessoas famosas mundialmente e anônimas começaram a descobrir que estavam infectadas, o vírus ganhou as páginas dos jornais e das revistas e espaço na televisão e os sintomas e a velocidade das mortes apavoraram todo o planeta. Com tudo isso, o preconceito e a discriminação em torno desses indivíduos nasceram como barreiras quase intransponíveis, pois os chamados grupos de risco foram denominados como os que mais corriam riscos de serem contaminados pelo HIV.
Ao longo dos anos, a medicina evoluiu e o conhecimento sobre a AIDS aumentou, assim como a sua prevenção e o seu tratamento. Casos em que pessoas se contaminavam por meio de transfusões sanguíneas diminuíram, o coquetel de remédios foi criado e passou a fazer parte dos sistemas de saúde e campanhas a favor do uso de preservativos e do teste foram realizadas em toda a mídia mundial.
Atualmente, a contaminação por meio de transfusões de sangue estão praticamente erradicadas, assim como a transmissão de mãe para filho durante o parto ou a amamentação; também não se fala mais em grupos de risco, mas sim em comportamento de risco, ou seja, relações sexuais sem o uso de preservativo masculino ou feminino e o coquetel de remédios proporciona ao soro positivo uma vida relativamente normal e longa, salvos os efeitos colaterais.
Todos esses avanços contribuíram para o aumento do conhecimento acerca do HIV e da AIDS (inclusive uma vacina está sendo testada), na diminuição da transmissão e no crescimento da qualidade de vida dos portadores. No entanto, há um lado negativo, o qual é o tema do texto de hoje: o aumento do número de jovens contaminados pelo vírus.
aids
Devido aos avanços sobre a AIDS, muitos jovens brasileiros subestimam o HIV e não o consideram uma sentença de morte como ocorria no século XX. Apesar da quantidade imensa de remédios que devem ser tomados diariamente e dos respectivos efeitos colaterais, vários jovens pensam que basta tomar o coquetel e seguir com a vida que está tudo bem, mas não é certo pensar deste modo, já que a AIDS ainda é uma doença sem cura.
Os números de contaminados pelo HIV estavam diminuindo no Brasil já há algum tempo, mas dados da UNAIDS (Programa Conjunto da ONU sobre HIV/AIDS) relevaram que os casos de AIDS cresceram 11% entre 2005 e 2013 no nosso país e entre os jovens o número de contaminados é maior: entre os meninos de 15 a 19 anos, o número de casos cresceu 50% na última década.
Esses resultados nos mostram que, apesar de todas as informações acerca da AIDS, os casos da doença tendem a aumentar entre os jovens, ou seja, parece que o conhecimento não consegue barrar o crescimento da doença entre as pessoas ditas mais informadas. Um estudo realizado com mais de 35 mil meninos de 17 a 20 anos revelou que o aumento de contaminação entre os jovens pelo vírus HIV está relacionado ao baixo grau de escolaridade.
Dados da página do governo federal sobre a AIDS confirmam que a faixa etária na qual há maior contágio é entre 25 e 49 anos, em ambos os sexos, mas na faixa entre 13 e 19 anos a incidência é maior entre as meninas desde o ano de 1998. A cada dia que passa, os jovens estão explorando cada vez mais a sua sexualidade, das mais variadas formas, mas sem a devida proteção. Além disso, ao estarem em relacionamentos mais sérios, como namoros duradouros, o uso do preservativo é deixado de lado baseado na confiança no parceiro e é aí que muitos se contaminam, como ainda acontece com mulheres adultas casadas.
Por se tratar de um tema eternamente importante que impacta a sociedade brasileira, pensamos que o aumento dos casos de AIDS entre os jovens brasileiros é dos possíveis temas da proposta de redação do Enem, até porque a maioria dos candidatos está na faixa etária na qual os casos cresceram.
A mídia comunica, o governo realiza campanhas comunitárias de conscientização acerca da prevenção e dos testes, além de oferecer preservativos e o coquetel no Sistema Único de Saúde (SUS), a escola esclarece… O que mais precisa se feito para que o número de casos de AIDS diminua entre os jovens brasileiros?
Página recomendada:

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Gregório de Matos Guerra

Gregório de Matos Guerra nasceu em Salvador (BA) e morreu em Recife (PE).
Recebeu o apelido de Boca do Inferno, graças a sua irreverente obra satírica.
Cultivou a poesia lírica, satírica, erótica e religiosa. 
Em vida, Gregório não publicou suas obras.


O poeta religioso
A preocupação religiosa do escritor revela-se no grande número de textos que tratam do tema da salvação espiritual do homem. No soneto a seguir, o poeta ajoelha-se diante de Deus, com um forte sentimento de culpa por haver pecado, e promete redimir-se. Observe:
Soneto a Nosso Senhor
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
Da vossa alta clemência me despido;
Porque quanto mais tenho delinquido
Vos tem a perdoar mais empenhado.
Se basta a voz irar tanto pecado,
A abrandar-vos sobeja um só gemido:
Que a mesma culpa que vos há ofendido,
Vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma ovelha perdida e já cobrada
Glória tal e prazer tão repentino
Vos deu, como afirmais na sacra história.
Eu sou, Senhor a ovelha desgarrada,
Recobrai-a; e não queirais, pastor divino,
Perder na vossa ovelha a vossa glória.

O poeta satírico
Gregório de Matos é amplamente conhecido por suas críticas à situação econômica da Bahia, especialmente de Salvador, graças à expansão econômica chegando a fazer, inclusive, uma crítica ao então governador da Bahia Antonio Luis da Camara Coutinho. Além disso, suas críticas à Igreja e a religiosidade presente naquele momento. Essa atitude de subversão por meio das palavras rendeu-lhe o apelido de "Boca do Inferno", por satirizar seus desafetos
Triste Bahia
Triste Bahia! ó quão dessemelhante 
Estás e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi abundante.
A ti tricou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim foi-me trocando e, tem trocado,
Tanto negócio e tanto negociante.

O poeta lírico
Em sua produção lírica, Gregório de Matos se mostra um poeta angustiado em face à vida, à religião e ao amor. Na poesia lírico-amorosa, o poeta revela sua amada, uma mulher bela que é constantemente comparada aos elementos da natureza. Além disso, ao mesmo tempo que o amor desperta os desejos corporais, o poeta é assaltado pela culpa e pela angústia do pecado.
À mesma d. Ângela
Anjo no nome, Angélica na cara!
Isso é ser flor, e Anjo juntamente:
Ser Angélica flor, e Anjo florente,
Em quem, senão em vós, se uniformara:
Quem vira uma tal flor, que a não cortara,
De verde pé, da rama fluorescente;
E quem um Anjo vira tão luzente,
Que por seu Deus o não idolatrara?
Se pois como Anjo sois dos meus altares,
Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda,
Livrara eu de diabólicos azares.
Mas vejo, que por bela, e por galharda,
Posto que os Anjos nunca dão pesares,
Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda.

O poeta erótico
Também alcunhado de profano, o poeta exalta a sensualidade e a volúpia das amantes que conquistou na Bahia, além dos escândalos sexuais envolvendo os conventos da cidade.
Necessidades Forçosas da Natureza Humana
Descarto-me da tronga, que me chupa,
Corro por um conchego todo o mapa,
O ar da feia me arrebata a capa,
O gadanho da limpa até a garupa.
Busco uma freira, que me desentupa
A via, que o desuso às vezes tapa,
Topo-a, topando-a todo o bolo rapa,
Que as cartas lhe dão sempre com chalupa.
Que hei de fazer, se sou de boa cepa,
E na hora de ver repleta a tripa,
Darei por quem mo vase toda Europa?
Amigo, quem se alimpa da carepa,
Ou sofre uma muchacha, que o dissipa,
Ou faz da mão sua cachopa.


http://www.soliteratura.com.br/

Onde e Aonde


ONDE é um pronome relativo e serve para ligar uma oração principal a uma subordinada adjetiva ao mesmo tempo que substitui um termo da oração principal, evitando a repetição.
Mas CUIDADO:
Ele só pode substituir um termo que indique LUGAR, ESPAÇO FÍSICO!!! Assim, não são possíveis construções como:

“A entrevista onde o ministro anunciou corte de custos repercutiu em todas as mídias”
uma vez que, nessa frase, o pronome está retomando entrevista, que não é um lugar!!!

Como sair dessa situação embaraçosa (não a entrevista, mas a construção que destoa da norma culta)? A correção mais simples e eficaz (e que pode ser usada em inúmeras situações de dúvida a respeito do onde) é substituir o tal pronome pela combinação em que, assim:

“A entrevista em que o ministro anunciou corte de custos repercutiu em todas as mídias”

Isso posto, vamos à distinção entre ONDE e AONDE!
Já sabemos que só podem aparecer indicando lugar. Agora vamos observar como se comporta esse tal lugar e aí entramos também no assunto Regência Verbal.
O pronome ONDE será usado, nas condições já mencionadas (ou seja, para referir-se a um lugar) quando, na oração, não há ideia de movimento, de deslocamento, isto é, o lugar está parado e os agentes do verbo também!

“A casa onde morou Machado de Assis fica em Cosme Velho, no Rio de Janeiro.”

O verbo ‘morar’ não implica deslocamento, por isso empregamos o ‘onde’. E, em caso de dúvida cruel, troque:

“A casa em que (ou na qual) morou Machado de Assis fica em Cosme Velho, no Rio de Janeiro.”

Se, no entanto, o verbo indicar movimento ou deslocamento, usaremos uma preposição regida (exigida) pelo verbo (por isso mencionei a tal Regência). Se o verbo indicar movimento no sentido da IDA, a preposição será A (confira o artigo anterior em que abordo os casos de crase). Veja como Manuel Bandeira brinca com o movimento, com as figuras de sonoridade (assonância, paronomásia) e usa acertadamente o AONDE:
A ONDA
Manuel Bandeira
a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda

Assim como o poeta, empregaremos o AONDE em construções que impliquem movimento de ida:
A praia aonde costumo IR nas férias é muito linda.

Podemos também usar outras preposições antes do ONDE, como fez Zeca Baleiro nesta música:


Por onde andará Stephen Fry
Zeca Baleiro
Por onde andará Stephen Fry
Por onde andará … Stephen
Ninguém sabe do seu paradeiro
Ninguém sabe para onde ele foi
prá onde ele vai
Stephen may be feeling all alone
Stephen never do this again
come back home
Se correr o bicho pega Stephen se ficar o bicho come

Resumindo:
ONDE – sem deslocamento
AONDE – com deslocamento no sentido de IDA
DE ONDE – com deslocamento no sentido da VOLTA

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Extinto(r)

O filho chega para o pai, e diz:
- Pai!
- Que é, meu filho?
- O que é isso no carro?
- Um extintor?
- Pra que serve?
- Agora não sei mais não. Mas, antes diziam que era um acessório de segurança que servia pra apagar incêndio.
                                                                              (JSC)

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Questão com Poesia em Língua Inglesa no Enem


Hoje, reproduzimos para nossos leitores uma questão que apareceu na edição do Enem do ano passado, resolvida e comentada por um especialista. Veja:
ENEM 2014 – QUESTÃO 95
The Road Not Taken (by Robert Frost)
Two roads diverged in a wood, and I —
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.

Disponível em: www.poetryfoundation.org. Acesso em: 29 nov. 2011 (fragmento).

Estes são os versos finais do famoso poema The Road Not Taken, do poeta americano Robert Frost. Levando-se em consideração que a vida é comumente metaforizada como uma viagem, esses versos indicam que o autor

a) festeja o fato de ter sido ousado na escolha que fez em sua vida.
b) lamenta por ter sido um viajante que encontrou muitas bifurcações.
c) viaja muito pouco e que essa escolha fez toda a diferença em sua vida.
d) reconhece que as dificuldades em sua vida foram todas superadas.
e) percorre várias estradas durante as diferentes fases de sua vida.


RESOLUÇÃO: Alternativa A
Na seção literatura/poesia, o Enem trouxe a bela passagem do poema: The road not taken (A Estrada Não Percorrida), de Robert Frost.
Esta passagem do poema nos conduz a uma bifurcação e o autor ressalta que ele optou pelo lado menos explorado. Ele finaliza dizendo que esta decisão fez toda a diferença.
Certamente, trata-se da questão mais clara da prova, pois as três frases da poesia são, relativamente, fáceis de entender:
Two roads diverged in a wood, and I
Dois caminhos se iniciavam em uma floresta e eu

I took the one less traveled by

Eu escolhi aquela menos explorada

And that has made all the difference.

E isso tem feito toda a diferença.
A prova do inglês do Enem 2014 se alinha, ainda que apenas no formato, às provas de proficiência (TOEFL, IELTS etc.) e no quesito interpretação de texto. Isto se mostra na opção de variar no número de textos e ressaltar assuntos relevantes aos propósitos da prova. Uma iniciativa mais que válida, dada a acessibilidade aos programas de estudo internacionais oferecidos para os universitários brasileiros atualmente.
A resolução acima foi desenvolvida por Vitor Muller Junior, professor com vasta experiência em ensino de inglês para o ensino médio e cursinhos pré-vestibulares, responsável por todas as questões de inglês das apostilas do infoEnem.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Vieram MARCHAR ou DESFILAR?

Lembro-me bem, quando criança, a professora dizia para acompanharmos com o pé o som mais forte da batida que vinha da banda. `Escute a batida mais forte e bata o pé direito mais forte... olhe para o colega da frente... mantenha a distância` e assim íamos por várias ruas, e muitas vezes, saíamos do nosso bairro. Treinávamos entre duas e três horas para quando chegássemos lá, representar nossa escola com uma marcha de verdade. 
Hoje, essa ideia acabou; não há mais treinamentos. Apenas as bandas fazem isso. Lógico, com algumas ressalvas.
Então, durante esse último desfile, percebi que as pessoas que deveriam marchar, não faziam, simplesmente caminhavam durante o percurso. 
Uma placa, uma bandeira, um estandarte, uma roupa colorida... um percurso de pessoas caminhando (desfilando na passarela); não marchando.
Para não dizer que vi gente só caminhando, vi marchando a Polícia Militar, o Exército, Bombeiro, os Aventureiros e Desbravadores da Igreja Adventista. 
Bem, se você só desfilou, está na hora de aprender marchar. Se marchou, então está de parabéns, pois está fora da grande parcela.
Ah, e tem mais: não havia o `só vou desfilar se me der nota`.

(JSC)