quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Caminho

Nesse caminho
Caminho devagar
Nesse caminho
Há tantos caminhos
Nesse caminho
Quero este caminho 
Nesse caminho
Sempre haverei de  amar
Nesse caminho
Sorrirei para todos que eu poder sorrir
Nesse caminho
Abraçarei cada um por mais tempo possível
Nesse caminho
Ajudarei a quem necessitar
Nesse caminho
Chorarei com os que sofrem
Nesse caminho
Vários caminhos
Nosso caminho
Fim do caminho.

 Joerlândio Cordeiro

domingo, 16 de novembro de 2014

Sonho branco


Comprado com amor,
Vestido por amor,
Tirado para o amor;
Antes do luxo,
Agora no lixo,
Cama  de bicho. 
Ruído por traças  
Jogado no cisco,
Sujo e desconhecido.
Vestido branco com pérola,
Outrora  uma linda história,
Agora sem o fim de novela.

JSC

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Inversão

Madrugada, a turma da Lei Seca faz uma blitz.

- Senhor, por favor, sopre aqui.
- Sou Juiz, não vou soprar,
- Desculpe, senhor, pode ir...
  Alguns minutos depois...
- Senhor, a habilitação, por favor.
- Por quê? eu sou Juiz.
- Desculpe, senhor, pode ir.
Minutos depois...
- O carro tá sem placa, o senhor não tem habilitação, está sem o documento do carro... além do mais mais, ainda está bêbado.
- Eu sou Juiz. E quem está errado aqui é você. Vou prendê-lo por desacato, injúria, difamação, obstrução de via pública...
- Me perdoe, Deus. Se eu soubesse que era o senhor, eu não tinha nem parado seu carro.
- Não tem, perdão. Amanhã, você receberá uma multa de R$ 5.000,00. 


JSC

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Putrefação da humanização


Povoa na micose do meu cérebro
Pensamento pútrido sobre
A nefasta negra cruz
O corvo que para o caixão seduz
Mesmo aquele que deseja viver.

Envolve o corpo de rama
Cava na escura lama
Mais uma cova fria para
Outra orgia dos vermes
Que querem comer. 

Com a chegada do nutriente,
Os germes indiferentes
Enfeitam-se para o banquete;
Abastado ou desprovido  
O corpo enrijecido serve de deleite.

Porta cerrada, depois da entrada,
Cadáver de caixa fechada,
Aberto à navalha da fome;
Em carcaça tornar-se-á
Daquilo que foi homem.

Joerlândio Cordeiro



Dia Nebuloso

Hoje acordei, mas preferia estar dormindo,
Talvez preferisse não mais ter acordado.
Não há mais  motivo para minha existência:
Enterrarei no lado frio do meu coração
Aquela que por tanto tempo amei. 
Jogarei flores e rosas perfumadas,
Jogarei jasmim -- o perfume do nosso amor.
Queria ter ido contigo,
Pois assim  ficaria ao teu lado,
Para sempre amar e sentir-se  amado.
Hoje é um dia nebuloso para nós,
Tenho que enterrar uma parte de mim.
Vai em paz, minha amada;  e eu, talvez, resistirei.
Dilacerada esta parte fica;  a outra se foi.
Então o que fazer com  ela, senão enterrar?
Hoje é um dia nebuloso: fim do nosso eterno amor.

Joerlândio Cordeiro

É não é




Nem todo o poema é poesia
Nem todo o riso é alegria
Nem todo o conto é fantasia.
Nem todo o quadro é  beleza
Nem todo o choro é tristeza
Nem todo o rei é realeza.
Nem todo o silêncio é esquecimento
Nem todo o  tempo é  momento
Nem toda a dor é sofrimento.
Nem toda a fome é por comida
Nem toda a sede é por bebida
Nem toda  a palavra  é pra ser  dita.
Nem toda a  esposa é uma mulher
Nem toda  a crença é fé
Nem tudo é o que é.
Joerlândio Cordeiro


Vassala




 Mais uma vez vestida de luto
 Bruto o que assim te fez
 Arrancando mais um filho  teu
 Carregado pelo próprio rei.

Embriagada nestas trevas
Sustentada não sei pelo o quê
Despida de sua beleza
Caminha sem nada ver.

Escrava do dia e da noite
Que nem sombra consegue ter
Isolada de todos  os outros
Soturna  até o amanhecer.

A rainha branca voltou
Diferente do olho abrasador
Do insolente que teu filio arrastou
Traz-te  unguento, alivia  a dor.

Madruga com a ancila
Até o  majestoso voltar
e  de forma grandiosa
Sua cria a ela novamente dá.

Joerlândio Cordeiro


Funeral do Amor

Apaguem o sol
Empacotem a lua
Desliguem as estrelas
Calem as crianças
Silenciem os tambores
Desliguem os rádios
Tirem do leão a presa
Privem a água do peixe...
Pensava  que o amor era eterno;
Chame o coveiro,
E enterre-o  na cova  de minha dor.

Joerlândio Cordeiro