segunda-feira, 25 de agosto de 2014

AMOR ADOLESCENTE - A FILA ANDA

Não, não ficarei aqui te esperando.
O tempo está passando,
Tenho que caminhar.
Te esperar,
 Agora não dá; Há tantas pessoas
Que preciso conhecer,
E, certamente, amar.
Volta, vai para mais longe,
Não tens mais o direito de me tocar,
Perdeste quando não me compreendias
Ou fingias não me entender;
Agora pertenço a mim mesmo.
Chorar, espera que não vais ver!
(JSC)

Minha fatalidade

Minha fatalidade é uma fatalidade de babel,
Onde sofro sombriamente,
Onde os meus olhos fúlgidos queimam.
Por isso sinto-me autômato
Que outrora tinha uma liberdade radiante e
Hoje meu corpo não passa de um pavilhão abandonado
Em uma órbita de um universo sem fim.


(JSC)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Putrefação da humanização


Povoa na micose do meu cérebro
Pensamento pútrido sobre
A nefasta negra cruz
O corvo que para o caixão seduz
Mesmo aquele que deseja viver.

Envolve o corpo de rama
Cava na escura lama
Mais uma cova fria para
Outra orgia dos vermes
Que querem comer. 

Com a chegada do nutriente,
Os germes indiferentes
Enfeitam-se para o banquete;
Abastado ou desprovido  
O corpo enrijecido serve de deleite.

Porta cerrada, depois da entrada,
Cadáver de caixa fechada,
Aberto à navalha da fome;
Só a carcaça tornar-se-á
Daquilo que foi homem.


Joerlândio Cordeiro


terça-feira, 19 de agosto de 2014

Vassala




 Mais uma vez vestida de luto
 Bruto o que assim te fez
 Arrancando mais um filho  teu
 Carregado pelo próprio rei.

Embriagada nestas trevas
Sustentada não sei pelo o quê
Despida de sua beleza
Caminha sem nada ver.

Escrava do dia e da noite
Que nem sombra consegue ter
Isolada de todos  os outros
Soturna  até o amanhecer.

A rainha branca voltou
Diferente do olho abrasador
Do insolente que teu filio arrastou
Traz-te  unguento, alivia  a dor.

Madruga com a ancila
Até o  majestoso voltar
e  de forma grandiosa
Sua cria a ela novamente dá.

Joerlândio Cordeiro


domingo, 17 de agosto de 2014

É não é




Nem todo o poema é poesia
Nem todo o riso é alegria
Nem todo o conto é fantasia.

Nem todo o quadro é  beleza
Nem todo o choro é tristeza
Nem todo o rei é realeza.

Nem todo o silêncio é esquecimento
Nem todo o  tempo é  momento
Nem toda a dor é sofrimento.

Nem toda a fome é por comida
Nem toda a sede é por bebida
Nem toda  a palavra  é pra ser  dita.

Nem toda a  esposa é uma mulher
Nem toda  a crença é fé
Nem tudo é o que é.

Joerlândio Cordeiro

sábado, 16 de agosto de 2014

Nóia

favela
vela
veia
vê-la
vi é ela
viela
vinha ela
lá tinha
latinha
latrina
tadinha

morreu.


(JSC)

Sonho branco


Comprado com amor,
Vestido por amor,
Tirado para o amor;
Antes do luxo,
Agora no lixo,
Cama  de bicho. 
Ruído por traças  
Jogado no cisco,
Sujo e desconhecido.
Vestido branco com pérola,
Outrora  uma linda história,
Agora sem o fim de novela.

(JSC)

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Amor Ressuscitado

Arranquem-me olhos
E deem a quem quer enxergar,
Cortem-me as mãos
Para o amputado que precisa usar.


Tirem-me os membros
Inferiores para o manco,
O fígado, os pulmões, rins,
Coração a quem precisar.


Se necessário, estudem minha massa.
Meus últimos dentes aos acadêmicos,
E não desfrutando do que sobrar,
Queimem e joguem ao mar.


Lá viajarei aos poucos
Até o resto da cinza afundar.
Se me enterrarem,
Também voltarei a amar.

(JSC)