domingo, 19 de julho de 2015

Aspectos da filosofia de Santo Agostinho


Caso seja um aluno antenado, já deve ter percebido que conteúdos de filosofia e sociologia estão aparecendo bastante na prova do Enem, principalmente no caderno de Ciências Humanas e suas Tecnologias. Que tal dar uma revisada num dos filósofos mais importantes da história? No artigo de hoje falaremos um pouco sobre o pensamento de Agostinho de Hipona, mais conhecido pela alcunha de Santo Agostinho, filósofo cristão que viveu entre 354 e 430 d.C.
Nascido em Tagaste, norte da África, região em que hoje se situa a Argélia, era filho de mãe cristã, porém se converteu ao cristianismo apenas depois de adulto, por volta dos trinta anos de idade. Tempos após sua conversão, tornou-se bispo de Hipona, o que dentro da estrutura religiosa da época era uma posição de destaque, a qual permitiu que seu pensamento fosse difundido. Dentre suas obras mais importantes, devemos citar “Confissões” e “A cidade de Deus”. Para entender o pensamento de Agostinho, devemos lembrar que, no período medieval, filosofia e religião estiveram intimamente ligadas, sendo a primeira influenciada pelo estudo dos filósofos gregos clássicos, como Platão e Aristóteles.
Um dos problemas filosóficos discutidos na obra de Agostinho é a existência do mal moral no mundo. Por mal moral devemos entender todo o mal causado pelo ser humano, aquele que não tem origem em fenômenos da natureza, como terremotos e erupções vulcânicas. Presente até hoje nas discussões sobre religiosidade, a crença em um deus onisciente, onipresente e onipotente pressupõem que este compactue com todo o mal moral existente. Porém, se o deus cristão é bom e onipotente, por que ele não age para impedir as más ações? Seria ele incapaz de impedir o mal, deixando assim de ser onipotente?
Bem, Agostinho abordou esta questão de duas formas. A primeira delas, ainda em sua juventude, baseava-se no maniqueísmo, vertente religiosa originada na Pérsia e difundida no Império Romano, cuja doutrina consistia basicamente em afirmar a existência de um conflito cósmico entre o Bem e o Mal, forças antagônicas, uma pertencente à alma e outra ao corpo, em batalha contínua. Desta forma, em alguns embates o Mal vencia e, por causa disso, os males morais ocorriam.
A segunda maneira de encarar o mal moral ocorreu a Agostinho após a rejeição do maniqueísmo, já em idade mais avançada. Acreditando na onipotência da vontade divina, Agostinho justifica a existência de atitudes más a partir do livre-arbítrio, ou seja, da capacidade humana de decidir o que fazer. A argumentação é simples: Deus permite que ajamos de acordo com nossa vontade, podendo seguir seus mandamentos ou não; quando nos afastamos destes, cometemos males morais. Caso não houvesse livre-arbítrio, seríamos apenas marionetes, governadas por um ventríloquo todo poderoso. A partir da divisão do ser humano em parte racional e parte emocional, Agostinho argumenta que ceder às emoções é deixar a razão de lado, o que nos distancia de deus e pode nos levar ao mal. Por fim, Agostinho também acreditava que a existência do mal moral estava relacionada à escolha de Adão e Eva por comer o fruto proibido. Ao traírem o deus cristão, o primeiro casal de humanos trouxe o pecado ao mundo, transmitindo-o de geração em geração a partir do ato sexual.
Para complementar seus estudos sobre este autor e se preparar para as questões de filosofia do Enem, recomendamos a leitura do capítulo Agostinho: a razão em progresso permanente, disponível no livro Antologia de Textos Filosóficos, organizado por Jairo Marçal.

Dica de leitura para o Enem: Palestina, de Joe Sacco


Novamente temos uma leitura para turbinar seus estudos para o Enem. Desta vez apresentamos a História em Quadrinhos (HQ) “Palestina”, escrita por Joe Sacco em dois volumes entre os anos de 1993 e 1996. Porém, a obra foi reeditada pela Editora Conrad em 2011 para uma versão especial de volume único.
Como explicitado pelo título da HQ, o livro apresenta a perspectiva do autor a partir de uma viagem feita ao Oriente Médio entre os anos de 1991 e 1992. Durante essa viagem, ele coletou histórias nas ruas, hospitais e escolas, entrevistando judeus e refugiados palestinos. A partir das histórias ouvidas e presenciadas, o autor retrata o cotidiano do povo palestino durante um período em que havia esperanças de um acordo de paz com o povo israelense. Denominado por alguns críticos como uma “reportagem em quadrinhos”, atribui-se ao autor, por vezes, certa parcialidade ao abordar o conflito. No entanto, os relatos retratados na HQ são semelhantes aos feitos por órgãos da imprensa internacional e repórteres independentes, o que valida o posicionamento do autor.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/939746-conrad-lanca-edicao-de-luxo-de-palestina-do-joe-sacco.shtml.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/939746-conrad-lanca-edicao-de-luxo-de-palestina-do-joe-sacco.shtml.
Depois de adentrar no mundo criado por Sacco, procure retomar o estudo da questão palestina. Para isso, tente responder às seguintes perguntas, sempre refletindo com o contexto histórico reproduzido na HQ: o quer é a Faixa de Gaza? Qual o contexto histórico entre israelenses e palestinos pela disputa deste pedaço de terra? Qual a diferença entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza? O que foi a primeira Intifada e qual sua motivação? O que foi a Organização pela Libertação da Palestina e qual seu papel no confronto entre Israel e Palestina? Qual a origem do Hamas e qual sua atuação durante o início da década de 1990? O que é a Autoridade Nacional Palestina e qual sua importância? O que é o “muro da vergonha” na Cisjordânia?
Após rever tais conceitos, recomendamos também a busca sobre a atualidade do conflito, bem como sobre eventos marcantes ocorridos na primeira década do século XXI. Entendendo o passado e o presente, temos certeza que questões envolvendo a Palestina se tornarão muito mais fáceis.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Como analisar um poema


Um Carnaval
 
Vem ao baile vem ao baile
Pelo braço ou pelo nariz
Vem ao baile vem ao baile
E vais ver como te ris

Deixa a tua tristeza roer
As unhas de desespero
Deixa a verdade e o erro
Deixa tudo vem beber

Vem ao baile das palavras
Que se beijam desenlaçam
Palavras que ficam passam
Como as chuvas das vidraças

Vem ao baile oh tens de vir
E perder-te nos espelhos
Há outros muito mais velhos
Que ainda sabem sorrir

Vem ao baile da loucura
Vem desfazer-te do corpo
E quando caíres de borco
A tua alma é mais pura

Vem ao baile vem ao baile
Pelo chão ou pelo ar
Vem ao baile baile baile
E vais ver o que é bailar.

                                          Alexandre O´Neil, Poesias Completas,
                                          Imp.Nac. - Casa da moeda

1.       Mancha gráfica do poema
  Observando o poema, facilmente se constata que este desenha uma mancha uniforme e regular sobre a folha, os versos iniciais estão grafados com maiúsculas e o único sinal de pontuação que apresenta é o ponto final que encerra o texto. O poema não cria efeitos visuais.

2.       Aspectos formais
A medida dos versos
Para determinar a medida dos versos, contam-se as suas sílabas métricas, isto é, aquelas que se pronunciam aquando da sua leitura.
Vem / ao / bai / le / vem / ao / bai /le = 7 sílabas métricas
   1       2      3      4      5        6       7
A contagem pára na última sílaba tónica ( que poderá ser a última palavra, a penúltima ou a antepenúltima)
De acordo com o número de sílabas métricas, os versos classificam-se em: monossílabos, dissílabos, trissílabos….

O que podemos concluir?
Ao nível de estrutura externa, o poema está escrito em versos. A maioria dos versos tem sete sílabas métricas (heptassílabos). Os versos, por sua vez, agrupam-se em seis estrofes, com um número invariável de versos (quatro), descrevendo, assim, uma estrutura regular constituída por seis quadras.
3.     
  Recursos fónicos
A rima: esquema rimático e classificação da rima.
Determinar o esquema rimático consiste em verificar, assinalando com uma letra, os sons que se assemelham no final de cada verso da estrofe do poema.
Vem ao baile vem ao baile    a
Pelo braço ou pelo nariz   b                                   rima cruzada
Vem ao baile vem ao baile      a
E vais ver como te ris  b

Deixa a tua tristeza roer  c
As unhas de desespero         d                                                                  interpolada        
Deixa a verdade e o erro       d             emparelhada
Deixa tudo vem beber    c

De acordo com os sons que se combinam no final de cada verso, classifica-se o tipo de rima de cada estrofe e / ou do poema:
1ª e última estrofes: rima cruzada
2ª, 3ª, 4ª e 5ª estrofes: rima emparelhada e rima interpolada.
O que podemos concluir?
O poema apresenta o seguinte esquema rimático : a b a b; c d c d ; e f f e ; g h h g; i j j i; a l a l, a rima é pois, cruzada, na primeira e última estrofes, e emparelhada e interpolada nas restantes. 

O ritmo

Lendo o poema, apercebemo-nos de que cada verso é lido como contendo dois segmentos, o que resulta da combinação de acentos tónicos e átonos. À cadência que resulta dessa leitura chamamos ritmo. O poema tem pois um ritmo binário.
Repara!
Vem ao baile /vem ao baile
Pelo braço  / ou pelo nariz
Vem ao baile /  vem ao baile
E vais ver / como te ris

Outros efeitos sonoros
·         a aliteração
A leitura da globalidade do poema deixa perceber a enfade que recai na aliteração dos sons /v/ e /b/ → Vem ao baile /vem ao baile

O que podemos concluir?
O ritmo binário sugere o embalar da música e o evoluir dos pares a dançar.
A aliteração, por seu lado, criando musicalidade, reforça a insistência no convite dirigido ao sujeito poético.

4.       Recursos morfossintácticos

·         tipos de frase

No poema predominam as frases do tipo imperativo veiculando um convite dirigido a um tu - Vem ao baile vem ao baile; Deixa a tua tristeza para trás.

·         Classes morfológicas predominantes
Sobressaem os verbos flexionados no modo imperativo, na segunda pessoa singular. Também na segunda pessoa do singular surgem vários pronomes pessoais: como te ris; perder-te nos espelhos, entre outros.
·         Anáfora
Repara no inicio destes dois versos seguidos: Deixa a verdade e o erro / Deixatudo vem beber

O que podemos concluir?
A mensagem do poema centra-se num tu, ao qual se dirige insistentemente um mesmo convite.

5.       Figuras de estilo
Personificação
Vem ao baile das palavras / Que se beijam desenlaçam
Comparação
Palavras que ficam passam / Como as chuvas das vidraças

O que podemos concluir?
Estas figuras de estilo sugerem a ideia dos encontros fortuitos que ocorrerão no baile.

6.       Tema 

O título - Um Carnaval
Embora o tópico apresentado pelo titulo não seja desenvolvido ao longo do poema, este leva-nos a supor que o baile para o qual se convida o tu será um baile de Carnaval
Campo lexical
Os vocábulos Carnaval, baile, bailar loucura, associados a formas verbais no imperativo, concorrem para o tema desenvolvido no poema. 

O que podemos concluir?
O tema do poema:
-um convite
-um baile de Carnaval

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Análise de Redação Nota Máxima no Enem 2014


Criança: futuro consumidor
A propaganda é a principal arma das grandes empresas. Disseminada em todos os meios de comunicação, a ampla visibilidade publicitária atinge seu principal objetivo: expor um produto e explicar sua respectiva função. No entanto, essa mesma função é distorcida por anúncios apelativos, que transformam em sinônimos o prazer e a compra, atingindo principalmente as crianças.
As habilidades publicitárias são poderosas. O uso de ídolos infantis, desenhos animados e trilhas sonoras induzem a criança a relacionar seus gostos a vários produtos. Dessa maneira, as indústrias acabam compartilhando seus espaços; como exemplo as bonecas Monster High fazendo propaganda para o fast food Mc Donalds. A falta de discussão sobre o assunto é evidenciada pelas opiniões distintas dos países. Conforme a OMS, no Reino Unido há leis que limitam a publicidade para crianças como a que proíbe parcialmente – em que comerciais são proibidos em certos horários -, e a que personagens famosos não podem aparecer em propagandas de alimentos infantis. Já no Brasil há a autorregulamentação, na qual o setor publicitário cria normas e as acorda com o governo, sem legislação específica.
A relação entre pais, filhos e seu consumo se torna conflituosa. As crianças perdem a noção do limite, que lhes é tirada pela mídia quando a mesma reproduz que tudo é possível. Como forma de solucionar esse conflito, o governo federal pode criar leis rígidas que restrinjam a publicidade de bens não duráveis para crianças. Além disso, as escolas poderiam proporcionar oficinas chamadas de “Consumidor Consciente” em que diferenciam consumo e consumismo, ressaltando a real utilidade e a durabilidade dos produtos, com a distribuição de cartilhas didáticas introduzindo os direitos do consumidor. Esse trabalho seria efetivo aliado ao diálogo com os pais.
Sérgio Buarque de Hollanda constatou que o brasileiro é suscetível a influências estrangeiras, e a publicidade atual é a consequência direta da globalização. Por conseguinte é preciso que as crianças, desde pequenas, saibam diferenciar o útil do fútil, sendo preparados para analisar informações advindas do exterior no momento em que observarem as propagandas.
Giovana opta por intitular sua dissertação-argumentativa com o título “Criança: futuro consumidor”, algo que pensamos ser incoerente com o tema que é, justamente, a publicidade infantil. Acreditamos que a criança já é uma consumidora e não o será apenas ao atingir a adolescência ou a fase adulta, pois já é um público-alvo da publicidade por meio da propaganda. Obviamente não é ela quem efetua a compra propriamente dita, já que são os adultos que compram suas roupas, seus brinquedos, seus alimentos, seus móveis dentre outros itens. Como a banca corretora do Enem não avalia títulos, pois para a banca elaboradora este é opcional, essa incoerência não prejudica em nada a nota da redação como um todo.
Na introdução, a autora contextualiza o papel da propaganda no mercado consumidor e já coloca a sua tese ao afirmar que este papel pode ser distorcido por meio de apelação que fazem com que as pessoas, principalmente as crianças, pensem que comprar é sinônimo de prazer. Deste modo, a candidata também já se posiciona contrariamente às propagandas infantis apelativas e inicia o seu desenvolvimento explicando o que seria, para ela, apelação, recorrendo de modo adequado à coletânea de textos motivadores: ídolos infantis, desenhos animados e trilhas sonoras.
A fim de comprovar o seu argumento, Giovana usa como estratégia argumentativa o exemplo da rede de fast food Mc Donald´s que utiliza, como brindes e propaganda, brinquedos como bonecas. A seguir, fazendo alusão ao gráfico da coletânea de textos motivadores, a autora cita mais um exemplo, agora do Reino Unido, de como neste país a publicidade infantil é regulamentada – proibição do uso de personagens famosos e restrição de horários de exibição – e o compara com a situação atual do Brasil, onde não há leis específicas, apenas normas. Apesar disso, a candidata deveria ter transcrito, entre parênteses, o significado da sigla OMS (Organização Mundial da Saúde), pois ela não deveria pressupor que seu leitor conheça o significado desta sigla.
No segundo parágrafo do desenvolvimento, Giovana aborda o papel dos pais nesta questão, já que o consumo pode tornar a relação conflituosa, segundo ela. A autora afirma, em seguida, que as crianças perdem a noção do limite por meio da mídia, mas nos perguntamos, como provocação, se as crianças, ao invés de perderem o limite, ainda não o têm por estarmos, justamente, em processo de formação no qual este senso de limite está sendo construído com o auxílio da família e da escola. A partir de que faixa etária podemos dizer que a criança já possui alguma noção de limite em relação ao consumo?
Neste mesmo parágrafo, a candidata já lista suas propostas de intervenções sociais, fugindo do modelo clássico de colocá-las na conclusão, algo possível que em nada prejudica seu domínio do tipo textual. Giovana sugere três soluções em três âmbitos diferentes: para ela, o o governo federal deveria formular uma legislação específica para a publicidade infantil a fim de haver uma restrição para propagandas de bens não duráveis; já as escolas, segundo a candidata, poderiam criar oficinas e distribuírem cartilhas didáticas e a família deveria, paralelamente, dialogar com seus filhos sobre o tema a fim de, na conclusão, ensiná-los a diferenciar o útil do fútil para serem analistas críticos das propagandas.
Ainda na conclusão, a autora recorre a uma citação de autoridade, Sérgio Buarque de Hollanda, para dar início ao fechamento de sua dissertação-argumentativa. Voltando um pouco às propostas de intervenções sociais, o detalhamento de cada uma delas foi fundamental para ela obter a máxima pontuação nesta competência.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Escolas Literárias Luso-Brasileiras – Arcadismo

Vamos abordar mais uma escola literária para ajudar nos estudos de Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias no ENEM. Neste artigo, estudaremos o Arcadismo, também conhecido por Neoclassicismo, presenciado no século XVIII (anos de 1701 a 1800) e a última escola literária do período colonial brasileiro.
O Arcadismo é um movimento que se contrapõe ao Barroco, pois busca um certo equilíbrio, uma vida mais amena e mais simples. O contexto histórico brasileiro é o seguinte:
  1. Ouro Preto (MG), então chamada de Vila Rica, é o centro cultural e econômico da época.
  2. Ciclo de Mineração (ouro).
  3. Inconfidência Mineira.
  4. Ideais do iluminismo francês.
As características principais do Arcadismo, que podemos perceber claramente nas obras escritas, são:
  • Busca da simplicidade
  • Idealização da natureza (bucolismo)
  • Imitação dos clássicos
  • Personagens mitológicos
  • Visão da cidade como sofrimento (fugere urbem)
  • Aproveitar a vida a cada dia (carpe diem)
Portanto, os árcades buscavam a racionalidade diante da vida, porém com simplicidade, apresentando como cenário pastores e ovelhas num mundo campestre.
Os principais autores desse movimento na poesia lírica são: Tomás Antonio Gonzaga, cujo pseudônimo é Dirceu, com sua mais famosa obra “Marília de Dirceu” que exalta seu amor por Maria Dorotéia Joaquina, pela qual era apaixonado; eCláudio Manuel da Costa que publicou sonetos. Na poesia épica vale lembrar de Basílio da Gama (O Uruguai) eSanta Rita Durão (Caramuru).
Diante do panorama social da época, a luta pela independência do Brasil, o qual foi um movimento intelectual e burguês, muitos escritores usavam pseudônimos para assinar suas obras literárias para não serem identificados e muitos deles foram assassinados pela Corte Portuguesa ou expulsos da Colônia, inclusive o líder Joaquim José da Silva Xavier, O Tiradentes.
Nos fins do século VXIII se encerra o Período Árcade e uma nova escola literária vai surgindo com a ascensão da classe social burguesa: O Romantismo, que veremos no próximo artigo da série de Literatura. Continue acompanhando e bons estudos!

Escolas Literárias Luso-Brasileiras – Romantismo


Dando continuidade aos estudos de Literatura para o Enem, disciplina que abora parte dos conteúdos de Linguagens e Códigos, veremos o primeiro movimento da literatura especificamente brasileiro. O Movimento Romântico começa no Brasil em meados de 1830, século XIX, logo após a Independência Brasileira que aconteceu em 1822. A primeira obra que marca esse início é “Suspiros Poéticos e Saudades” de Gonçalves de Magalhães. Na Europa, o Romantismo já se iniciara no século anterior e os moldes europeus influenciaram os autores brasileiros.
São três as gerações do Movimento Romântico brasileiro que se diferem em suas características:

1ª Geração:

Por ser o primeiro movimento depois de trezentos anos de Colônia Brasileira, há exaltação da Pátria e da natureza brasileiras e do primeiro habitante dessa terra: o índio.
A consagrada poesia de Gonçalves Dias, Canção do Exílio, é símbolo desse período e já foi parafraseada e parodiada por muitos outros poetas, inclusive no Hino Nacional Brasileiro. O poeta exalta o amor à sua terra, ao lugar onde nasceu, ao patriotismo, ao nacionalismo, pois, para aquele contexto histórico e social, é essencial a construção da identidade nacional.
Outra característica bastante importante é o Indianismo: o índio é exaltado como o grande guerreiro, o herói, o primeiro habitante dessa terra. Temos aqui as obras: o Guarani (prosa de José de Alencar) e I Juca Pirama (poema de Gonçalves Dias), nos quais o índio aparece idealizado, quase um caucasiano, dentro, claro, dos moldes europeus: forte, valente, gentil, poeta e conhecedor das normas cultas da língua.
Imagem da Obra Iracema, de José de Alencar.
Imagem da Obra Iracema, de José de Alencar.

2ª Geração:

É conhecida como Ultrarromantismo e Mal do Século, por suas características de melancolia, exaltação à morte, pessimismo e brevidade da vida. O poeta não encontra nenhuma perspectiva em relação à vida, não há motivos para viver, vive-se então num clima de intenso pessimismo. O maior poeta dessa geração é Alvarez de Azevedo, que foi tão fortemente influenciado por Lord Byron, poeta inglês. Dentre suas maiores obras estão “Noite na Taverna” (prosa) e “Lira dos Vintes Anos” (poesia). A mulher é vista pelo eu-lírico como alguém inatingível, coisas de amor platônico, e a necessidade de morrer é latente, como única forma de acabar com o sofrimento e a dor que a vida provoca.

3ª Geração:

Temos aqui já os princípios do próximo Movimento literário brasileiro (Realismo/Naturalismo). Conhecida porcondoreirismo (pela ave condor, que com suas enormes asas, expressam a liberdade), suas características são de cunho social. O poeta aqui em destaque é Castro Alves, que expressa em seu “Navio Negreiro” (poema) os horrores da escravidão no Brasil, o anseio desesperador do eu-lírico pela liberdade social.
De maneira resumida, temos aqui um panorama do Movimento Romântico Brasileiro, que foi o marco da nossa cultura. Iniciado na década de 1830, se finda em 1860, quando a sociedade anseia por novos parâmetros culturais literários, através da retratação da realidade nacional.

InfoEnem

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Dicas de Leitura – Notícias que Podem Cair no Enem


Linchamentos

Em 2014, houve uma onda de atentados a pessoas suspeitas de cometerem crimes por outros civis “justiceiros”. Na última semana, mais um linchamento aconteceu. No artigo da Revista Fórum, esse ato foi noticiado e comentado pela Dra. Ariadne Lima Natal, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Violência da USP.

Militarização de escola

Yahoo publicou recentemente a notícia de que uma escola com altos índices de violência, em Manaus, foi transferida para a PM. Desde lá, as regras mudaram, alguns alunos foram expulsos, professores que não se adaptaram ao modelo foram demitidos e o índice de avaliação externa (IDEB) aumentou.

Redução da maioridade penal

Atualmente, temos vivenciado o processo de votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que propõe reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. Na primeira votação da Câmara, a PEC foi negada. Após modificação no projeto, no dia seguinte, houve uma segunda votação em que a PEC foi aprovada. Houve denúncia sobre a manobra usada para colocar a PEC em votação novamente. A matéria da Folha UOL explica que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) negou a denúncia e o pedido para suspender a segunda votação, além de elucidar o caso.

Reforma política

A Câmara dos Deputados também votou (e aprovou a primeira versão) o projeto que traz mudanças no sistema político brasileiro. O texto ainda pode ser modificado e passará por novas votações. Leia essa publicação do Estadão para entender o que está em jogo nesse processo.
Boa leitura!

domingo, 12 de julho de 2015

Veja 4 Dicas Para Estudar Para o Enem nas Férias



  1. O primeiro passo é entender como anda sua preparação e quais suas necessidades neste momento. Está atrasado com os exercícios e com as matérias estudadas em sala de aula? Existe algum conteúdo que está, digamos, em defasagem?
  2. Uma segunda análise, mas ainda muito importante, é tentar prever se os professores, sejam eles de cursinho ou de ensino médio, conseguirão passar todos os conteúdos importantes até o Enem, que acontecerá nos dias 24 e 25 de outubro. Infelizmente, na maioria dos casos a resposta é negativa. Isso ocorre porque o exame acontece bem antes de terminar o ano letivo, o que faz com que matérias muito importantes possam aparecer na prova sem mesmo terem sido vistas em sala.
  3. Feitas as duas análises, é hora de montar um cronograma de estudo para suas férias. Pode ser aperfeiçoando matérias que já foram dadas, revisando pontos mal fixados ou mesmo correndo atrás de conteúdos que os professores não abordarão até o exame.
  4. Por fim, a última dica é, certamente, a mais importante de todas. Deixe a preguiça de lado e ESTUDE! Possivelmente você terá muitos convites para festas, churrascos e outras inúmeras distrações. Claro que não estamos propondo para que você não aproveite nada das férias escolares. Entretanto, tenha em mente que quanto mais tempo conseguir dedicar desse período para seus estudos, maior suas chances de atingir os objetivos no Enem 2015.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Escolas Literárias Luso-Brasileiras – Barroco


Para ajudar nos estudos de Literatura para o Enem, hoje daremos continuidade à nossa série sobre os Movimentos Literários Brasileiros, tratando do Barroco, também conhecido como Seiscentismo por estar situado no período do século VXII (anos de 1601 a 1700).
O Barroco influenciou as artes literárias, artes plásticas, pintura, escultura e música. Para entendermos melhor esse período, precisamos lembrar de seu antecedente: o Quinhentismo, influenciado pelo Renascimento Comercial e Cultural que rompeu com as ideias da Idade Média, valorizando as conquistas humanas e o antropocentrismo.
Já no século XVII, a sociedade vive um retorno às ideias religiosas (teocentrismo), ocasionado pela Contrarreforma da Igreja Católica em oposição à Reforma Protestante de Martin Lutero que questionou valores religiosos já não aceitáveis pela sociedade, como a venda de indulgências.
Isso causará uma dualidade e contrariedade de valores que serão marcantes nas obras literárias desse período histórico. O homem dessa época já reconhece o seu valor e os prazeres carnais, e nesse retorno ao campo espiritual, é tomado por sentimentos melancólicos em relação à vida, como um conflito interno de sentimentos entre os prazeres terrenos e o seguimento das ordens religiosas espirituais. Por isso, o barroco é também conhecido como a Arte da Contrarreforma.
Pintura da época do Barroco traz cores vivas e fortes.
Pintura da época do Barroco traz cores vivas e fortes.
Confira as principais características do Barroco são:
  • O uso de paradoxos, antíteses e dicotomias, por exemplo, corpo/alma, céu/inferno, deus/diabo;
  • O fluir do tempo (crises existenciais);
  • Tensão em relação aos sentimentos dualistas;
  • Preocupação com a morte (principalmente com a “vida após a morte”, preservação da “alma”);
  • Cultismo ou gongorismo: que se apresenta no texto através do formalismo, ou seja, utilizando a função poética e seus recursos estilísticos como jogo de palavras, linguagem rebuscada etc;
  • Conceptismo: em que se apresenta o jogo de ideias e conceitos, através de uma ordem rigorosa de organização das frases e raciocínio lógico.
Os dois autores mais relevantes do barroco são: Gregório de Matos Guerra, conhecido como Boca do Inferno, o qual possui uma obra dividida em três produções literárias: lírico/amorosa (exaltação da mulher amada), religiosa (perdão a Deus pelos pecados dos prazeres carnais) e satírica (críticas sociais, uso de ironia); e o Pe. Antônio Vieira, que escreveu obras de caráter religioso (catequético), constituídas de profecias, cartas e, principalmente, sermões, de cunho pedagógico, como o Sermão da Sexagésima, no qual critica a própria Igreja Católica.
Na escultura, temos a figura ímpar de Aleijadinho, que apesar de ter características barrocas, pertence ao próximo Movimento Literário Brasileiro (Arcadismo), que didaticamente se inicia no próximo século e do qual falaremos mais especificamente no próximo artigo da série.
Por hora, temos aqui um apanhado geral do Movimento Literário do Século XVII com a visão de uma sociedade angustiada pelo conflito dos sentimentos religiosos e terrenos numa constante crise da existência humana.

Temas Redação Enem 2015 – Regulação da Mídia


Alguns falam em “regulação da mídia”; outros, em “democratização da mídia” e vários atacam a proposta argumentando que se trata, na verdade, de “censura da mídia”. O fato é que a proposta que prevê uma regulação da mídia provoca debates acirrados entre empresários de jornais, revistas, rádio, TV e internet, políticos e o público em geral. As concessões para canais de rádio e TV são públicas e as normas que as regem são da época da Ditadura Militar, quando a empresa televisiva que hoje ocupa 70% do mercado apoiou o regime totalitarista e hoje diz que foi um erro. Afinal, neste cenário polêmico, onde estão os direitos e deveres dos empresários, da população e a liberdade de expressão?
Este tema tem sido discutido, não amplamente, é verdade, desde o ano passado quando, na época da campanha eleitoral, Dilma Rousseff afirmou que, se reeleita, se empenharia em debater mais a fundo a questão da regulação da mídia. Em contrapartida, o candidato da oposição, Aécio Neves, afirmou que se tratava de implantar censura à mídia e não uma regulação.
midiaPor se tratar de um tema que vem se arrastando há algum tempo, mas de maneira discreta, como a publicidade infantil, pensamos que há aí um potencial considerável para este ser o tema da proposta de redação do Enem 2015, mesmo se tratando de algo contextualizado e situado no âmbito político. Vale a pena estudar e refletir sobre isso não só para possíveis exames, mas para ter uma opinião e uma posição como cidadão.
Para quem é a favor da regulação da mídia, não se trata de censurar conteúdo, mas sim de combater monopólios e oligopólios a fim de haver uma maior variedade de informações e pontos de vista, já que é um mito dizer que a imprensa deve ser neutra, pois não é neutralidade porque todos nós e todas as instituições pensam algo sobre todas as coisas; somos seres ideológicos, as palavras possuem carga ideológica e dizer que é neutro também é uma posição ideológica. Basta analisar uma mesma notícia veiculada por diferentes meios de comunicação.
A democratização é algo defendido pela regulação. Segundo o FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação), apenas cinco emissoras de TV (Globo, SBT, Band, Record e Rede TV!) dominam o mercado televisivo brasileiro sendo que há, em todo o país, mais de 500 emissoras de televisão, incluindo as afiliadas regionais. A regulação respeitaria a diversidade regional e determinaria regras para a publicidade, inclusive a infantil, tema da proposta deredação do Enem 2014.
Outras determinações seriam a proibição de políticos serem donos de emissoras de rádio e TV, o aluguel de espaços e horários para grupos definidos, como Igrejas e grupos comerciais.
Quem é contrário à medida, afirma que já há uma certa regulação da mídia por meio de mais de 600 normas em forma de portarias, decretos ou leis que regulamentam o setor de comunicação social do país. Para Daniel Slaviero, presidente da Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão)
Quando se fala em regulação da mídia no sentido de acompanhar, fiscalizar, o conteúdo das emissoras, controle social da mídia, é óbvio que isso tem um viés de interferência no conteúdo, e conteúdo não pode sofrer intervenção. A mídia pode ser responsabilizada pelos eventuais excessos: tem Código Civil, Penal etc. Mas acho que qualquer iniciativa que, mesmo de forma indireta, interfira no funcionamento é uma interferência indevida.”
(Disponível em http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/11/141128_regulacao_midia_lab. Acesso em 08/07/2015).
Slaviero cita como exemplo a determinação de períodos mínimos de programação para determinadas faixas etárias, como o público infantil e infanto-juvenil:
Depois determinam para público infanto-juvenil, para jovens-adultos… , o que retiraria, assim, a liberdade da emissora de determinar sua própria programação. (idem).
Para quem quer se aprofundar ainda mais no assunto e deseja saber como outros países lidam com esta questão, sugerimos a leitura de uma matéria no site da BBC Brasil que mostra como Estados Unidos, Inglaterra, Venezuela e Argentina tratam a mídia.
Assim, é fundamental ter em mente todos os aspectos envolvidos nessa questão: econômicos, políticos, sociais, históricos e que o poder está cercando todo esse debate, além da liberdade de expressão.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Como Estudar Restando Quase Três Meses Para o Enem?


O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 acontecerá nos dias 24 e 25 de outubro. Pode até parecer que estamos longe, mas a pouco mais de três meses das provas muitos candidatos já começam a se preocupar com as matérias que provavelmente não terão tempo de estudar.
Antes de tudo, é importante manter o equilíbrio. Não adianta nada deixar a ansiedade e o desespero tomarem conta ao ponto de prejudicarem os estudos que ainda estão por vir.
Questões Enem
Com os nervos no lugar, faça uma análise das disciplinas mais importantes para o curso que pretende disputar e dos conteúdos nos quais acredita que pode conseguir uma melhora mais significativa. Essa reflexão ajudará você a focar seus esforços justamente no que mais precisa. E isso certamente pode fazer toda a diferença, afinal, muitas vezes a separação entre os que conseguem aprovação daqueles que “batem na porta” são pequenas pontuações.
Outra dica importante nesse momento é entender que, embora a teoria seja parte fundamental num processo de aprendizagem, estando tão perto da prova, fixar os conteúdos que você já entendeu pode garantir que seus esforços não sejam em vão. Por mais estranho que pareça, muitas vezes é mais interessante realizar diversas questões daquela matéria que já foi estudada do que tentar assimilar muita informação em tão pouco tempo.
Imagine, por exemplo, que você já tenha estudado um conteúdo A, mas não tenha praticado realizando exercícios. Caso tente compreender um conteúdo B, pode acontecer de errar os dois na hora da prova. Isso porque não “consolidou” nem A, nem B.
Portanto, certifique-se de ter fixado teorias estudas anteriormente para, aí sim, partir para novas informações. E como já ressaltamos muitas vezes, a melhor maneira para isso é através da resolução de itens de determinado assunto.

domingo, 5 de julho de 2015

Funções da Linguagem

Um dos conteúdos mais cobrados no Enem no caderno de Linguagens, Códigos e Suas Tecnologias são as funções da linguagem, que consistem em seis maneiras diferentes de utilizar a linguagem no momento de se comunicar. Como linguagem e comunicação estão estreitamente relacionadas, cada uma das funções da linguagem estão ligadas a um elemento da comunicação.

Função emotiva

Também conhecida como expressiva, essa função está ligada ao emissor e por isso expressa suas próprias emoções, opiniões, pensamentos, juízos de valor etc. As características dessa linguagem são o uso da 1ª pessoa do singular (eu) e pronomes pessoais (meu, minha). Exemplos de textos onde essa linguagem predomina são autobiografias, diários e blogs, entre outros.

Função conativa

Também chamada de função apelativa, tem como foco o receptor e busca criar vontade e convencê-lo de algo. Para isso, utiliza a 2ª pessoa do singular (você / tu), vocativos e verbos no imperativo (ordem, sugestão, pedido). É bastante comum em propagandas.

Função poética

Tem como foco a própria mensagem, ou seja, a construção do texto. Por isso, utiliza recursos estilísticos como figuras de linguagem, combinações visuais, jogos de palavras etc. Não necessariamente aparece em poemas (estrutura de texto na forma de estrofes e versos).

Função metalinguística

Uma das mais cobradas em provas, vestibulares e concursos, a metalinguagem trata-se do uso do código para falar sobre o próprio código. O exemplo mais claro é o dicionário, escrito no código de um idioma para se referir às palavras desse idioma. Fotos tiradas no espelho são outro exemplo, já que a fotografia mostra alguém tirando uma fotografia.

Função fática

Preocupa-se com o canal de comunicação, ou seja, tem como objetivo testar se o canal funciona. Um exemplo bastante comum é quando falamos “Alô” no telefone. A marca mais característica é o uso de interjeições.

Função referencial

Também chamada de função denotativa, é aquela que tem o objetivo de informar, transmitir conhecimento, como em livros didáticos, textos jornalísticos e na dissertação. O foco, portanto, é o contexto, a situação a qual a mensagem se referente, ou seja, o referente.