terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Vida de jogador



 Fim de campeonato

Pênalti marcado

Logo eu pensei:

Agora é minha vez.

 

Chute ao gol,

 Povo gritando

Lance de craque,

Outros pulando.

 

Microfones à frente,

Repórter perguntando:

Como foi?

Como se sentiu?

 

Já tinha pensado

Ganhar  o campeonato?

Lindo gol!

Dinheiro na mão,

Que linda mansão.

 

Frustração,

 Errei...

Vi o goleiro

Com a bola na mão.

 

Do outro lado do campo

Havia gente cantando,

Da torcida adversária...

A vida continua e não para.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Pronto para a partida

 



Triste noite calada.

Agora na madrugada

Sinto-me alma penada.

 

Corpo cansado,

Músculo enrijecido,

Todos dormindo,

Eu zumbindo.

 

Olhando o tempo,

Vendo o escuro,

Estrela brilhando

Aqui estou mudo.

 

Pensamento distante,

Lembranças quase perdidas,

Vindo a mim enfraquecidas.

 

Coçou-me a ferida

Desta vida perdida,

Pronto para a partida.

 

Progresso regresso

 

Tudo era muito lindo e calmo

Do nascer do dia ao alvorecer

Mas da janela do meu quarto

Vi uma estrada aparecer.

 

Do nada, carros e mais carros

Do raiar ao por do sol

Não vejo o verde nesse lugar

O sol não voltou mais a brilhar.

 

Poeira e muita poeira.

Não vejo mais ninguém

Que costumava ver passar.

Lá da via, alguém me cumprimenta

Não sei quem é, não consigo avistar.

 

Barulho e mais barulho

Passarinho não ouço cantar

Devido a esse progresso

Também daqui vão me expulsar.

 

Alucinação Viciosa

 


.

Essa noite viajei

Depois que cheirei

Acho que louco fiquei

Algo estranho olhei

E me espantei.

 

Depois desse momento

Não consegui fugir

Desse tormento.

 

Era como um morcego  

Trocou meu cérebro

Por isso não nego

Que  agora entendo

O mal deste veneno

Que me enlouqueceu.

 

Escarrei na minha própria sorte

Durante muito tempo

Agora fujo dessa morte.

 

 

Joguem essa carcaça ao lixo,

 Corroam esse corpo os bichos

Impregnado ao vício.

Chame o Cristo

Que renascer é  preciso.

 

domingo, 14 de janeiro de 2024

Democracia relativa

 


No meio de uma confusão

Foram levado dois no camburão

Ao chegar à delegacia

O delegado um conhecia

Só o da esquerda; o da direita não.

 

- Seu delegado,

Vou lhe confessar minha inflação

Fui eu que roubei as jóias

Desviei o dinheiro

Sou um ladrão,

Tinha revólver na mão.

 O delegado respondeu:

- Que isso, amigo

Você não é bandido,

Apenas se confundiu

Tirou dinheiro do lugar

As jóias  ninguém viu.

Pode ir embora da delegacia

Aqui é só alegria.

 

O segundo preso falou:

-  Não sou  ladrão, senhor.

Tinha  ferramenta de trabalho na mão.

O delegado duro falou:

- Que isso, bandido

Você não é trabalhador

É um invasor

É anarquista,  um terrorista

É  desalmado, um  fingidor

Vai ficar preso,

E não me peça favor.

Aqui não tem alegria

Só a minha democracia.

O que é poesia?

 



Poeta, o que é a poesia, poeta?

A poesia é o olhar

 Para um belo lugar

Cedo poder respirar

O frescor da manhã                                     

 As lindas rosas beijar.

 

Em uma moldura

uma bela pintura admirar

No filme uma linda cena

Uma boa  música apreciar.

 

É a beleza do poema

Ao expressar a dor

Dor de amigo

Dor de amor.

 

O lado sem cor

Sem o cheiro da flor

É o açúcar amargo

É o desamor.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

Marcela



De nome Marcela
Cresceu  na favela
Usava seringa na veia
Tinha cachimbo e galera.

 

Ela cresceu, está magricela
Não é a mesma, triste vê-la
De longe vi que era ela
Naquela escura viela.

Pena que não só ela
Havia muitos dela
 Lá no fim da ruela
A vida pra ela megera.

 

Como uma fina fivela
A vida de Marcela
Cheio de sequelas
Chega ao fim sem vela.

JSC

Mundo Animal

 


Sai da toca seu Tatu

Sai da toca seu maloca

O polícia  Zeca Urubu

Não veio atrás de tu.

 

Veio prender João Gavião

 Deu uns tiros em Zé Carneiro

Lá na buraco  do seu Peru

Passou aqui voando com arma na mão.

 

Também passou o delegado

Seu Bambi  embriagado

Na cintura um cinto  rosa

E um coldre sem pistola.

 

Essa cidade não é pra amador

Aqui  gato que não late

Apanha de qualquer roedor

Se sai vivo agradece ao Cão Pastor.


JSC

 

Amor proibido

Na fúria da beleza, A natureza construiu Diversos monumentos, Mas há um em que me contento Em todo esse infinito, Entre eles o mais bonito: És tu quem mais admiro. Despojada em cabelos pretos, Cintura bela, Que lindas pernas! Mulher, o que te falta mais?! Pele linda e macia, Jeito meigo e sorridente, Voz suave e eloquente. Estou completamente perdido. Fui abduzido, talvez seduzido. Entendo, deusa-mulher, Que é um amor proibido. Mas desafio o perigo,

Prefiro assim fazer Do que aos poucos morrer E nunca ter coragem de dizer Tudo o que há em mim. Fingindo não ser assim Sofreria muito mais Nas lembranças de um belo passado. Nesse tempo todo afastado Do teu corpo inteiro desgarrado Não consegui nem teu cheiro esquecer. Assim me provocas sem quereres me provocar. Infinita ilusão! Até quando essa situação Conseguirei aguentar?! Às vezes tímida, delicada De beijos ardentes, direta e compreensiva, Apaixonada, romântica e devotada. Oh, Oh, Oh!


JSC

Clamando misericórdia

 



Deus,  estou em oração

Com a alma ferida e coração

Estou perdendo o ânimo de lutar

Está indo embora minha força de enfrentar.

 

Deus,  sei que és o poder

Por mim podes tudo fazer

Minhas forças restaurar

Do inimigo podes me ajudar.

 

Deus,  estou clamando misericórdia

Não suporto mais tanta discórdia

Que o Mal em nós traz

Tenho lutado muito, mas estou  fraco demais.


JSC

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Lembranças

 


Voltei aquele bar

Em que a gente ía namorar

Vi nosso cantinho

Em que costumava ficar.

 

Cadeiras  vazias

Mesa  vazia

Coração cheio de nostalgia

E de saudade  tua.

 

Ainda fui à igreja

Subi  no altar em que trocamos

Alianças para nos casar

E todos nossos sonhos

 Que tínhamos realizar.

 

Chorei e em planto caí

Quando em lembrança te vi

Na igreja tu entrando

De lá apaixonado te admirando.

Venha brincar

 


Êi, êi, êi,

Ô, ô, ô

 

Dá um pulo e sai do chão!

Dá um pulo e sai do chão!

 

Êi, êi, êi!

Ô, ô, ô!

 

Venha pro axé

Venha se mexer

Olha como é

Nesse balanço

Não me canso.

 

Venha brincar

Venha se divertir

Venha soltar sua alegria

Aqui não vai parar

No ritmo da Bahia.

JSC

Deterioração


Lá na favela
Cachimbo e vela
Seringa na veia
Triste vê-la
Vi que era ela
Naquela viela
Nunca só ela
Mas lá tinha
Muita latinha
Sua latrina
Tadinha
morreu.