Posted: 03 Jun 2020 08:16 AM PDT
Na proposta de redação do Enem PPL (para pessoas privadas de liberdade e segunda aplicação) de 2017, mais uma vez nos deparamos com um assunto que tem grande relevância no contexto atual: a busca pelo encaixe em padrões de beleza específicos e idealizados. Relembremos o tema:
TEXTOS MOTIVADORESTEXTO IA beleza parece caminhar em uma linha tênue entre as escolhas do indivíduo e a imposição coletiva. Se, por um lado, cada um pode buscar a beleza da maneira que considerar melhor para si, por outro, cuidar da beleza torna-se um imperativo. Modelos funcionam como fonte de comparação social e a exposição às imagens idealizadas da mídia tem como efeito uma redução no nível de satisfação dos indivíduos com relação à própria imagem. Este processo de comparação social também influencia fortemente a autoestima do indivíduo. A percepção de uma discrepância acentuada entre o eu real e o eu ideal gera ansiedade e sentimento de insatisfação com relação ao seu autoconceito e, consequentemente, uma redução na sua autoestima. Na tentativa de atingir um ideal estético socialmente aceito, muitos se dedicam a uma luta incansável para esculpir o corpo perfeito e aproximar-se de um padrão de beleza.
FONTES, O. A.; BORELLI, F. C.; CASOTTI, L. M. Como ser homem e ser belo? Um estudo exploratório sobre a relação entre masculinidade e o consumo de beleza.
Disponível em: http://seer.ufrgs.br. Acesso em: 22 jun. 2015 (adaptado).
Texto II![]() TEXTO IIIOs transtornos alimentares mais relevantes em nosso contexto sociocultural são a anorexia e a bulimia nervosas. A anorexia nervosa se caracteriza pelo pavor descabido e inexplicável que a pessoa tem de engordar, com grave distorção da sua imagem corporal. Para atingir esse padrão de “beleza” inatingível, o anoréxico se submete a regimes alimentares bastante rigorosos e agressivos. Já a bulimia nervosa se caracteriza pela ingestão compulsiva e exagerada de alimentos, geralmente muito calóricos, seguida por um enorme sentimento de culpa em função dos “excessos” cometidos. Não podemos perder de vista que a formação da autoimagem corporal de cada pessoa está fortemente influenciada pela maneira como a sociedade “impõe” o que é ter um corpo esteticamente apreciável.
SILVA, A. B. B. Bullying: mentes perigosas nas escolas.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2010 (adaptado).
PROPOSTA DE REDAÇÃOA partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema “Consequências da busca por padrões de beleza idealizados”, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.Desenvolvimento da redaçãoOs textos motivadores tratam exclusivamente de problemas relacionados à busca de padrões estéticos impostos e expostos socialmente. No primeiro, há a menção à busca por padrões incentivados por uma exposição às redes sociais e suas imagens perfeitamente construídas (trataremos da questão dessas redes mais adiante). Na imagem que representa o texto dois, podemos ver a inconveniência da imposição de padrões no exemplo do questionamento ao casal em questão, que coloca em pauta para o relacionamento até mesmo a altura dos dois, que seriam os únicos a quem tal questionamento deveria interessar, se interessar. No terceiro excerto já conferimos algo um pouco mais específico, os distúrbios alimentares que a busca por um corpo perfeito imposto socialmente pode causar.A partir da leitura atenta dos textos motivadores, como sempre precisamos buscar e selecionar conteúdos além deles. No caso do tema de 2017, essa tarefa pode ser bastante simples, já que há exemplos midiáticos constantes de problemas relacionados à busca de padrões de beleza. Infelizmente, há muitos casos de pessoas que sofrem com os riscos de cirurgias puramente estéticas, além daqueles que se arriscam nas mãos de “profissionais” que não poderiam realizar procedimentos estéticos que só são autorizados para cirurgiões, como o caso famoso do “Dr. Bumbum”. Pode-se mencionar também a criação das redes sociais como o Instagram e o Facebook, nas quais normalmente retrata-se uma imagem e vida perfeitas, o que, muitos teorizam, pode colaborar para a insatisfação com a auto imagem do observador. Após a leitura cuidadosa dos textos motivadores e a seleção de itens externos para a construção e o embasamento da argumentação, é hora de construir o texto. A frase temática quer que tratemos das consequências da busca por padrões de beleza idealizados. Para tanto, pode-se retomar a questão das redes sociais, estabelecendo que, após a invenção destas, cresceu a exposição a modelos ideais de corpo, rosto, cabelo, altura, etc. cuidadosamente fabricados para essa mesma exposição. Antes disso e até a atualidade, há também as mídias física e visual, como revistas e TV, que também promovem imagens específicas em relação a corpo, cabelo e rosto através de modelos com padrões de beleza estabelecidos e não muito variáveis. A partir daí, é possível relacionar os distúrbios alimentares e as buscas exageradas e prejudiciais a um padrão estético a essa exposição exagerada a modelos em sua maior parte fabricados de beleza. Sendo assim, ficam estabelecidas as consequências ruins da busca, que acaba afetando a saúde corporal e mental dos indivíduos. Por fim, é preciso sugerir uma intervenção para o problema. Aqui é necessário um cuidado grande com a organização das palavras. Nada relacionado à censura ou regulamentação de conteúdo, tanto para as redes sociais quanto para as mídias visuais e físicas, pode ser colocado, já que pode ferir os direitos humanos e, consequentemente, zerar os pontos na quinta competência na correção. Uma boa saída seria, então, sugerir às próprias mídias e redes sociais que variem e incentivem a exposição dos mais variados tipos de beleza, além de realizar campanhas que mencionem a possibilidade das imagens veiculadas não retratarem com fidelidade a realidade, para que o público não se sinta desvalorizado ao comparar-se com ideais que, em boa parte das vezes, foram alcançados com programas de computador e/ou cirurgias plásticas e procedimentos estéticos invasivos. Detalhando-se bem a proposta, as chances de conseguir uma boa pontuação nesse quesito é enorme! O que acharam do tema de 2017? Já se sentiram não muito bem por conta de ideais vistos em fotos em redes sociais ou na TV e revistas? Lembraram-se nestes momentos de que muito provavelmente a foto estava fortemente editada? Contem tudo pra gente nos comentários e até a semana que vem! Infoenem |
quinta-feira, 4 de junho de 2020
Redação Nota 1000: Possibilidades para a Redação do Enem PPL 2017
terça-feira, 5 de maio de 2020
Barroco no ENEM
A palavra barroco representa completamente as características deste estilo. Significa “pérola irregular” ou “pérola deformada” e está relacionada à ideia de irregularidade, própria das produções desse estilo artístico.
Compreender as implicações da arte barroca nas produções artísticas é essencial para responder questões na prova de Linguagens e Artes do ENEM, além de ser um conhecimento que pode agregar muito na hora de produzir sua redação, como um repertório sócio-cultural do seu texto. Contexto HistóricoA arte barroca se desenvolve na Itália, por volta de 1580, em meio a uma crise na igreja católica. A instituição buscava aumentar e recuperar sua autoridade perdida depois da Reforma Protestante promovida por Martinho Lutero. Para resolver os principais problemas causados pelo protestantismo, os membros da igreja se reuniram no Concílio de Trento, a fim de propor reformas em algumas práticas da igreja de Roma.As ideias protestantes ganharam espaço e denunciaram muitos problemas e crimes da igreja católica, essa foi uma das mais importantes mudanças para que a Europa começasse a apresentar uma mudança de pensamento também no campo das artes. O Renascimento, vindo antes do Barroco, viabilizou uma arte mais simples e harmônica, com grande influência dos clássicos gregos e latinos, com figuras mitológicas e uma temática antropocêntrica (homem no centro do universo). O Barroco, por sua vez, posiciona-se como uma arte contrária ao que havia sido produzido no Renascimento. Era uma tentativa de difundir a fé católica e acabar com a tensão causada pela razão resgatada no Renascimento. Alguns teóricos apontam que a arte barroca representava o momento de transição em que o mundo europeu encontrava-se, entre o teocentrismo (Deus no centro) e o antropocentrismo. Por isso, as pessoas se sentiam culpadas e confusas e a arte foi uma forma de expressar esse sentimento comum à época. Características do BarrocoO barroco é marcado pela ostentação e exagero, as grandes catedrais, igrejas e capelas extremamente adornadas, bem como palácios com riqueza de detalhes são exemplos comuns da arquitetura do período.Essa ostentação tem a finalidade de marcar a grandeza e poder das igrejas católicas, por exemplo. A intenção é que ao entrar em uma dessas igrejas, a pessoa sinta a imensidão do poder divino e perceba o quanto é pequena, por isso precisa dedicar sua devoção a Deus. Nas artes plásticas a temática religiosa também se faz presente, com pinturas de passagens bíblicas e de santos. Nas pinturas evidencia-se o jogo de claro e escuro, no qual o pintor contrapõe partes da tela com cores mais claras e outras mais escuras, criando a imagem de luz e sombra e explorando a profundidade. A estética barroca é rebuscada, cheia de excessos e adornos, procura valorizar os detalhes, apresenta complexidade, dualismo e sensualismo, além de contradições. Na literatura destaca-se o uso de cultismo e o conceptismo. Alguns autores famosos do Barroco são Caravaggio (1571-1610), Bernini (1598-1680), Barromini (1599-1667) e Andrea Pozzo (1642-1709). Barroco no BrasilNo Brasil, o Barroco foi trazido pelos Jesuítas com a intenção de difundir a arte sacra e da catequização. O marco inicial é a publicação do poema Prosopopeia de Bento Teixeira em 1601.Os dois autores de destaque na literatura barroca no Brasil foram Gregório de Matos e Padre Antônio Vieira. Gregório de Matos nasceu na então capital do Brasil, Salvador (BA). Com a alcunha de “Boca do inferno” foi o primeiro poeta a tratar de elementos brasileiros, do personagem típico local, produto do meio geográfico e social. Sua produção literária é dividida em poesia lírica, sacra, satírica e erótica. Nos seus poemas, além de reproduzir uma grande preocupação religiosa e sentimento de culpa, o autor imprimiu também duras críticas à sociedade baiana e à própria igreja católica. Nos poemas eróticos o poeta marca a sensualidade e a volúpia das amantes que conquistou e também os escândalos sexuais envolvendo os conventos da cidade. Padre Antônio Vieira é representante do Barroco em Portugal e no Brasil. Ele nasceu em Lisboa em 1608 e morreu na Bahia em 1697, era Jesuíta e defendia os índios e os judeus, posicionamento que o leva à prisão pela Santa Inquisição da Igreja Católica. Ficou preso por dois anos, mas, por sua grande capacidade argumentativa, consegue ser defender das acusações. Vieira escreveu mais de duzentos sermões e por isso é responsável pelo desenvolvimento da prosa barroca. Ele usa o estilo conceptista, o qual faz uso da retórica e do encadeamento lógico dos conceitos. Barroco tardio![]()
Cristo no Horto das Oliveiras – Aleijadinho
É importante destacar que no Brasil o Barroco teve uma representação considerada tardia, entre 1700 e 1760 aproximadamente, pois acontecia ao mesmo tempo em que o movimento arcadista se desenvolvia.O estado de Minas Gerais foi o local em que essa arte se destacou, com nomes famosos como o de Aleijadinho na escultura (Antônio Francisco de Lisboa) e o do pintor Manuel da Costa Ataíde. Além desses nomes, outros destaques estão principalmente na construção de igrejas em MG, BA, GO e RJ, que podem ser visitadas atualmente. No Rio de Janeiro, as esculturas de Mestre Valentim também constituem o patrimônio cultural do Barroco no Brasil. Infoenem |
segunda-feira, 27 de abril de 2020
Redação Nota 1000: Possibilidades para a Redação do Enem PPL 2011
Seguimos nessa semana com nossas side quests do Enem! Para praticar ainda mais nessa quarentena (com todo mundo que puder em casa seguindo as recomendações da OMS e das autoridades de saúde, por favor!), tratamos hoje do tema abordado na prova PPL de 2011. Assim como nos anos iniciais do Enem regular, em 2009, 2010 e 2011 os tópicos eram de certa forma abrangentes, exigindo uma clareza de posicionamento e organização de ideias para uma argumentação de sucesso.
O primeiro texto motivador detalha a origem e o modo como o Grupo Cultural AfroReggae funciona. Já no segundo, há uma descrição dos ideais e da trajetória do sociólogo Betinho. Ambos têm vários pontos em comum: a exposição de ícones da luta social, a descrição de seus ideais e posicionamentos, bem como de suas ações sociais. Outro ponto em comum, extremamente importante para a construção da argumentação neste texto, é o fato de que ambas as instituições (AfroReggae e Betinho) pregam o desenvolvimento social através da cultura.
Observados os textos motivadores, é hora de coletar informações extras para sustentar a argumentação. Tudo o que for conhecido, tanto sobre o grupo AfroReggae quanto sobre o sociólogo, pode ser trazido como elemento de embasamento da escrita. Notícias, dados da atuação de cada um e mais detalhes além dos já trazidos pelos textos motivadores são alguns dos exemplos de possibilidades de conteúdo externo a ser inserido.
A partir daí, voltando ao ponto em comum dos dois textos motivadores e da frase temática (Cultura e Mudança Social), é necessário organizar a redação e sustentar bem o posicionamento. Para isso, um dos raciocínios possíveis pode perpassar pelo fato de que a cultura e sua difusão no Brasil são bastante deficitárias, assim como o incentivo ao desenvolvimento através de tal área. O sociólogo Betinho foi trazido como um exemplo de alguém que batalhou a vida toda por esse desenvolvimento social através da cultura, assim como o grupo AfroReggae, que mantém seu trabalho em comunidades carentes desde sua fundação, em 1993. A cultura garante acesso ao conhecimento e manifestações artísticas produzidos pela sociedade, dando ferramentas para que todos se desenvolvam intelectual, profissional e culturalmente. Por isso, o trabalho que incentiva o acesso e o desenvolvimento social através da cultura prova-se extremamente importante e iniciativas como as exemplificadas nos textos motivadores são de grande valor.
Ao comprovar a importância do acesso à cultura para todas as camadas da sociedade no desenvolvimento do tema, é possível oferecer soluções que já têm sua necessidade comprovada e não correm risco de serem consideradas “supérfluas” por algumas pessoas (acreditem, há quem ache que a cultura é desnecessária e/ou sequer conhecem sua definição e têm o mesmo posicionamento). Sendo assim, as opções de propostas de intervenção são variadas. Dentre elas, pode-se sugerir a intensificação de leis de incentivo e acesso à cultura, incluindo um maior auxílio governamental a ONGs que dedicam-se a esse tipo de trabalho. Como sempre, basta detalhar muito bem as propostas, encerrando a argumentação de forma consistente.
Vejamos os textos:

sexta-feira, 3 de abril de 2020
Coronavírus: Xenofobia no Brasil e no Mundo
Nos últimos dias tem sido apresentado uma nova face do Coronavírus: a xenofobia. Já nos primeiros dias de caracterização do surto, uma série de hipóteses e fake news sobre o surgimento do vírus apareceram e inflaram visualizações e compartilhamentos, na internet. E comum que exames como o Enem incluam estes fatos em suas provas
É relevante fazer uma pausa e analisar, através da Sociologia, o conteúdo e a recepção dessas informações, sejam elas fake news ou não. Isso porque tais conteúdos carregam preconceitos e imagens estereotipadas. Sopas de morcego e supostas refeições de fetos humanos aparecem de forma descontextualizada e associam, de forma negligente, a cultura chinesa ao surgimento do vírus. É importante percebermos que estranhar uma cultura que não é a nossa pode ser natural, mas inferiorizar e exotizar é um processo histórico e sociológico.
O crítico literário Edward Said (1990) escreveu o livro “O orientalismo”, onde explica a forma como o ocidente construiu determinadas imagens sobre o oriente. Segundo o autor, existe um viés político na classificação do oriente como exótico, bárbaro e inferior. Isso porque hierarquizar as culturas dessa forma abre caminho para o argumento da dominação, da intervenção direta e da violência.
Essa base racista no processo de construção da nação brasileira foi acirrada durante a Era Vargas (1930-1945), em que houve repressão deliberada de hábitos e costumes de estrangeiros e uma percepção negativa dos imigrantes japoneses, alemães e italianos, durante a Segunda Guerra Mundial. Situação em que o peso do fenótipo recaiu mais sobre os asiáticos do que sobre outras comunidades imigrantes. A historiadora Marcia Takeuchi (2016) mostra como as imagens dos japoneses (sujos, carrancudos, desconfiados, falsos e exóticos) eram retratadas em periódicos de circulação nacional entre 1897 e 1945.
Embora grande parte da imigração chinesa ao Brasil tenha acontecido depois de 1950, e a maioria dos asiáticos presentes antes disso fossem japoneses, essas imagens em torno do “perigo amarelo” podem ser estendidas a qualquer outra nacionalidade ou etnia asiática. Perante o desconhecimento sobre a Ásia e suas diferenças locais, o que fica como norte de classificação é a percepção geral e preconceituosa do orientalismo.
Ainda que essa última percepção seja positiva, ela também é produzida como uma generalização, em que um ou dois aspectos da cultura é engessado e apresentado como sinônimo de “ser chinês”, e por isso, é uma outra forma de preconceito. Portanto não é de se estranhar que em 2020 as primeiras reações sobre o coronavírus tenham se fixado nessas duas imagens, tanto de deslumbre com a tecnologia e eficiência chinesa, quanto de horror com a “barbaridade” de seus hábitos e costumes.
Por outro lado, já surgiram reações em que a comunidade chinesa aparece com cartazes dizendo “Eu não sou um vírus”. Tais mensagens já percorrem o mundo, concomitantemente a textos de oposição à xenofobia, bem como avisos à variedade de fake news em torno do tema. Essa resposta rápida contra a discriminação aponta que estamos menos ingênuos com o que circula na internet, e que esta também é um espaço para desconstrução de preconceitos.
Infoenem
É relevante fazer uma pausa e analisar, através da Sociologia, o conteúdo e a recepção dessas informações, sejam elas fake news ou não. Isso porque tais conteúdos carregam preconceitos e imagens estereotipadas. Sopas de morcego e supostas refeições de fetos humanos aparecem de forma descontextualizada e associam, de forma negligente, a cultura chinesa ao surgimento do vírus. É importante percebermos que estranhar uma cultura que não é a nossa pode ser natural, mas inferiorizar e exotizar é um processo histórico e sociológico.
O crítico literário Edward Said (1990) escreveu o livro “O orientalismo”, onde explica a forma como o ocidente construiu determinadas imagens sobre o oriente. Segundo o autor, existe um viés político na classificação do oriente como exótico, bárbaro e inferior. Isso porque hierarquizar as culturas dessa forma abre caminho para o argumento da dominação, da intervenção direta e da violência.
O Branqueamento como Construção Nacional
Esse tipo de inferiorização também faz parte da história brasileira. No final do século XIX houve uma política de branqueamento dentro do projeto de construção da identidade nacional. Esta política visava suprimir características indígenas e africanas dos brasileiros através da miscigenação com imigrantes que chegavam para o trabalho nas lavouras de café. Nesse processo, europeus eram desejáveis, considerados geneticamente superiores e culturalmente civilizados. Já os asiáticos não eram bem vindos, pois se levava em conta que seus costumes, muito diferentes, não permitiriam a adaptação ao Brasil.Essa base racista no processo de construção da nação brasileira foi acirrada durante a Era Vargas (1930-1945), em que houve repressão deliberada de hábitos e costumes de estrangeiros e uma percepção negativa dos imigrantes japoneses, alemães e italianos, durante a Segunda Guerra Mundial. Situação em que o peso do fenótipo recaiu mais sobre os asiáticos do que sobre outras comunidades imigrantes. A historiadora Marcia Takeuchi (2016) mostra como as imagens dos japoneses (sujos, carrancudos, desconfiados, falsos e exóticos) eram retratadas em periódicos de circulação nacional entre 1897 e 1945.
Embora grande parte da imigração chinesa ao Brasil tenha acontecido depois de 1950, e a maioria dos asiáticos presentes antes disso fossem japoneses, essas imagens em torno do “perigo amarelo” podem ser estendidas a qualquer outra nacionalidade ou etnia asiática. Perante o desconhecimento sobre a Ásia e suas diferenças locais, o que fica como norte de classificação é a percepção geral e preconceituosa do orientalismo.
A Percepção Brasileira sobre os Chineses
A antropóloga Rosana Pinheiro Machado faz pesquisas sobre a China e afirma que as manifestações de preconceito sobre eles são recorrentes. Suas mercadorias são tradicionalmente chamadas de “infestações” e a mídia brasileira, em 2014, apresentou o país como “China, o país que assusta”. A pesquisadora também informa que há uma percepção polarizada sobre os chineses que varia entre o bárbaro – exótico, e o trabalhador dedicado, organizado e comprometido, capaz de construir um hospital em 10 dias, por exemplo.Ainda que essa última percepção seja positiva, ela também é produzida como uma generalização, em que um ou dois aspectos da cultura é engessado e apresentado como sinônimo de “ser chinês”, e por isso, é uma outra forma de preconceito. Portanto não é de se estranhar que em 2020 as primeiras reações sobre o coronavírus tenham se fixado nessas duas imagens, tanto de deslumbre com a tecnologia e eficiência chinesa, quanto de horror com a “barbaridade” de seus hábitos e costumes.
Por outro lado, já surgiram reações em que a comunidade chinesa aparece com cartazes dizendo “Eu não sou um vírus”. Tais mensagens já percorrem o mundo, concomitantemente a textos de oposição à xenofobia, bem como avisos à variedade de fake news em torno do tema. Essa resposta rápida contra a discriminação aponta que estamos menos ingênuos com o que circula na internet, e que esta também é um espaço para desconstrução de preconceitos.
Infoenem
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
Dez Apostas Para a Prova de Redação do ENEM de 2019
Tendo em vista todos os temas cobrados desde a criação do exame, em 1998, listamos dez possibilidades de problemáticas sociais (âmbito nacional e/ou global), no intuito de propor um exercício de leitura e argumentação.
Você saberia desenvolver todos, desde a problematização (causas, consequências) até a proposta de resolução (quem pode resolver, como, o que fazer e para quê)? Vamos treinar? Elabore teses para todos eles. Nos meses que antecedem o ENEM, é válido intensificar a produção textual, então tais temas podem servir de inspiração para você escrever.
1: Estresse, ansiedade e depressão como problemas de saúde pública
2: Consequências da era da desinformação
3: Superlotação do sistema prisional brasileiro
4: Necessidade de adaptação ao mercado de trabalho diante das inovações tecnológicas
5: Aumento da obesidade entre crianças e adolescentes
6: Persistência da discriminação racial no Brasil contemporâneo
7: Desafios do combate à má alimentação do brasileiro
8: Reconstrução do professor como ferramenta de transformação social
9: Efeitos da cultura do descartável em âmbito mundial
10: Caminhos para combater o abandono afetivo inverso
O Gênero Jornalístico
O tipo textual de hoje se encaixa muito bem em uma visualização concreta, assim como a carta, tratada há algumas semanas. É o texto jornalístico!
Apesar de haver vários tipos de produção em jornais e revistas (editais, crônicas, quadrinhos, artigos de opinião etc.), podemos dizer que o gênero predominante nesses dois meios são as notícias, correto? Elas podem também ser faladas, como no rádio e na TV, mas seguem um padrão relativamente comum em ambos os tipos de transmissão. Vamos diretamente aos detalhes do gênero, já que eles definem o que configura uma notícia:
- Novamente a linguagem neutra se insere! Nada de dar opiniões e/ou ponderar sobre o evento. Apesar de, como já mencionado em artigos anteriores (veja aqui), não haver uma neutralidade absoluta (alguns meios, dependendo da inclinação política, podem escolher omitir, depreciar ou valorizar alguns itens do assunto em questão, por exemplo), a intenção do autor não deve estar escancarada ao longo da produção;
- A veracidade dos fatos é obrigatória, já que o gênero é descritivo e narrativo de eventos reais. Para produzir um texto jornalístico é necessário conferir se as fontes utilizadas para o relato são confiáveis (no caso de reportar o que outra mídia já mencionou sobre o assunto) e reproduzir exatamente o que foi dito pelos indivíduos entrevistados que estavam envolvidos na ação mencionada (no caso de cobertura em primeira mão);
- Uma manchete (título) bem elaborada para a notícia é essencial! Ela chama a atenção do leitor para o texto, sendo o primeiro item no qual ele passa os olhos e que fará com que ele continue lendo ou não, conforme o interesse no assunto;
- Além do título, a notícia requer um título auxiliar, que complementa o que foi dito na manchete. É um (beeeem) breve resumo do que a reportagem tratará e continua tendo a função de manter a atenção do leitor e confirmar se aquele assunto é realmente do interesse dele;
- Enfim, a notícia em si! Logo no primeiro parágrafo, todas as perguntas básicas devem ser respondidas: o que aconteceu? Quem fez? Quem foi vítima (no caso de crimes, por exemplo)? Em que dia e horário aconteceu? Onde aconteceu? Por que aconteceu (no caso de um crime, a motivação alegada pela polícia ou pelo próprio meliante pode ser mencionada)? A partir daí os detalhes podem ser ampliados e informações secundárias acrescentadas, como histórico de eventos parecidos, o efeito daquela notícia em determinado grupo de pessoas (com índices comprovados, já que, lembrando, a opinião pessoal do jornalista deve ficar de fora) ou menções a depoimentos de terceiros sobre o evento, por exemplo.
Infoenem
sexta-feira, 19 de abril de 2019
BOIADA DE BOBOS
Há 'sábios' que se passam por tolos, pois fingem não compreender para seduzir os bobos, que acham que compreendem, e compartilham as ideologias deles.
Dessa forma, a camada pensante leva a 'boiada de bobos' a comer no seu campo de pensamento ideológico e político, tentando "desconfigurar" ou desconstruir, assim, ações concretas ou promissoras para uma nação.
Muitas vezes, o que está em jogo não é a benesse para o país, mas para os interesses particulares de cada um que lá está.
Então, de fracassos e de vitórias, neste campo de pensamento de viés político e ideológico, a população amarga por causa de interesses não políticos, mas de interesses próprios. Assim sendo, esses líderes tentam, de alguma maneira, conduzir parte da população a compartilhar da mesma ideia.
JSC
Dessa forma, a camada pensante leva a 'boiada de bobos' a comer no seu campo de pensamento ideológico e político, tentando "desconfigurar" ou desconstruir, assim, ações concretas ou promissoras para uma nação.
Muitas vezes, o que está em jogo não é a benesse para o país, mas para os interesses particulares de cada um que lá está.
Então, de fracassos e de vitórias, neste campo de pensamento de viés político e ideológico, a população amarga por causa de interesses não políticos, mas de interesses próprios. Assim sendo, esses líderes tentam, de alguma maneira, conduzir parte da população a compartilhar da mesma ideia.
JSC
sábado, 9 de março de 2019
Linguagem Formal x Informal: Qual Usar na Redação Enem?
Pois bem, você já está se encaminhando para ser (ou pelo menos tentar ser) um leitor mais assíduo e já se organizou para seguir as dicas sobre como encaixar a redação (e os treinos) em seu tempo de prova. Hora de começar a escrever, certo? Iniciemos então por um detalhe mais macro na estrutura da redação, mas que ainda causa dúvida a muita gente: que tipo de linguagem posso e não posso usar na produção de texto no Enem? Nada mais justo do que iniciarmos por observar os dois tipos mencionados no título e suas características!
Linguagem informalEssa você conhece muito bem: é a que usa pra se comunicar com seus amigos, familiares e todas as outras pessoas com as quais convive no dia a dia e não tem uma relação de hierarquia específica (dependendo da empresa em que trabalha, por exemplo, e do ambiente construído ali, talvez não tenha tanta liberdade com seu chefe, alguns colegas de trabalho e/ou clientes). Resumindo, é a linguagem “normal” que usamos pra conversar com a maior parte das pessoas todos os dias.Leve em conta que a linguagem informal ou algumas de suas características não são erradas, como muitos podem achar. Essa é uma linguagem perfeitamente útil e funcional para nos comunicarmos eficientemente no dia a dia. O que acontece é que em todas as línguas há contextos e contextos para utilizarmos suas diversas variações. No caso da redação do Enem, a informalidade não será muito bem avaliada, pois a exigência ali é de outra variação da língua portuguesa: a modalidade formal (já falaremos dela!). Sabendo que o português que usamos pra nos comunicar no dia a dia não vai nos levar a uma pontuação muito boa na redação, podemos nos lembrar de algumas características dele que devem ficar de fora desse tipo de produção: Tom de “revolta”, ao escrever algo como “é um absurdo que…”. Esse tipo de comentário não cabe no formato de texto exigido, tanto por ser mais informal (certeza que você já usou uma expressão dessas em um textão no Facebook – ambiente informal! Hehehehe) quanto por se tratar de um posicionamento um pouco mais pessoal, quando a dissertação argumentativa deve ser mais embasada em argumentos e fatos para convencer o leitor de seu ponto de vista. ![]() A primeira pessoa deve ser evitada. Especialmente colocações como “eu acho” e “na minha opinião”. Elas são expressões um pouco mais informais também e não se encaixam na modalidade exigida pelo Enem, que pede um posicionamento mais “neutro” (tema no qual vamos nos aprofundar em um próximo artigo). “Conversa” com o leitor. Dizer coisas como “e se fosse com você?” ou “você deve fazer isso” são exemplos de informalidade que devem ser evitados na redação. Linguagem FormalEssa não tem jeito: é aquela que você aprende na aula de português e vê na maior parte da mídia escrita (jornais, revistas e livros – online também vale, viu?). Portanto, voltamos à nossa dica: leia! Além disso, prestar bastante atenção e praticar na aula de português não vai fazer mal algum! Então nada de cabular aulas esse ano! Ela também é usada na fala, mas em momentos um pouco mais “sérios”, como em reuniões e até mesmo apresentações na escola (afinal, você muito provavelmente não inicia um seminário na escola dizendo coisas do tipo “E aí galera, beleza?”, né? Hehehe)Como já exemplificamos acima o que não cabe na produção textual do Enem, por eliminação fica mais fácil sacar qual tipo de linguagem vai ser possível usar e nos trará notas maiores! A modalidade formal é livre de abreviações (só podem as de nomes de instituições, com o devido significado na frente, ok?), raramente usa “você” e conjuga os verbos bonitinho, de acordo com o que você aprende na aula mesmo (eu disse pra não cabular aula, não disse?). Em resumo, a linguagem formal é a que vemos mais na mídia escrita e falada e é a que vai nos ajudar a conseguir uma maior pontuação na redação do Enem, por ser exatamente a modalidade exigida. Infoenem |
Proposta de Redação do Enem ( As instruções)
Em artigos anteriores tratamos de pontos bastante gerais em relação à produção de textos: leitura e escrita, organização de tempo, linguagem a ser utilizada e como se manter atualizado. Com essas ferramentas em mãos, já podemos começar a mergulhar um pouco mais nos detalhes da redação do Enem. Trata-se de uma produção bastante específica, com suas exigências próprias, mas que também tem bastante material disponível a ser analisado (a Cartilha do Participante, por exemplo, que é reelaborada todos os anos, o edital e a própria proposta no caderno de questões) e que, bem compreendido, pode evitar perda de nota (ou redação zerada #Deusmelivre) por motivos bobos.
O assunto de hoje é aquele pequeno parágrafo para o qual você muito possivelmente não dá tanta atenção ao ler a proposta (provavelmente porque já o viu por aí mil vezes, e não te culpo nem um pouco, mas vem comigo e façamos mais um esforcinho), mas que dá instruções valiosas e vale bastante a pena analisar frase a frase, então vamos lá!
Relembrando
O trecho que dá instruções sobre como produzir seu texto (excluindo as menções ao que pode zerar sua nota, como as sete linhas e tudo mais, que ficam pra outro artigo) é este aqui:
A partir da leitura dos textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo – argumentativo em modalidade escrita formal da língua portuguesa sobre o tema ‘Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet’, apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
Vamos separar cada um dos trechos e, rapidamente (já que uma análise mais profunda deles implica em conhecermos os critérios corrigidos, e pra isso precisaremos de, no mínimo, um artigo pra cada um pra conversamos melhor sobre), observar como eles podem nos ajudar a saber o que deixará a redação no Enem num bom nível.
A partir da leitura dos textos motivadores
Esse primeiro trecho parece óbvio, mas não é tão rara a famosa fuga ao tema. Ela parte justamente daqui! É preciso compreender que o título não é a única parte da proposta que será considerada para validar se você entendeu ou não o que foi pedido e está sendo tratado. Os textos motivadores são de extrema importância e podem muitas vezes ditar o que será considerado válido dentro daquela temática ou não, por detalharem de certa forma o que é esperado que o aluno desenvolva. Por isso, leia-os sempre com extrema atenção e não fuja muito dos tópicos em relação àquele assunto que foram tratados dentro deles (e isso não quer dizer de jeito nenhum que você é obrigado a concordar com eles. Fique à vontade para trazer suas argumentações e contestá-los, desde que sejam factuais e bem colocadas.).

Com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação
É aqui que está o trecho mencionando os conhecimentos externos que você deve trazer para a redação. Não basta argumentar bem mas fazer isso baseado em “achismos” e senso comum. É necessário inserir conhecimentos desenvolvidos ao longo de sua formação escolar (contextualização histórica, estatísticas, geografia etc.), bem como os adquiridos ao longo da vida através da recreação (sim, exemplos de séries, livros, filmes, figuras importantes naquele campo e obras de arte também valem! EBA!) e da informação diária (TV, rádio, jornais, revistas, internet) vinda de fontes IDÔNEAS (peloamordeDeus, não se esqueçam disso! Nem pensem em usar coisas que leram no Whats, tá?).
Redija um texto dissertativo – argumentativo
Esse tipo de texto possui características específicas e que merecem ser tratadas com cuidado em um próximo artigo. Mas Já dá pra ter uma ideia de que cartas, narrações ou poemas vão conseguir um lindo zero. Não quero ninguém que tenha lido essa coluna zerando redação com esse detalhe, hein?
Em modalidade escrita formal da língua portuguesa
No nosso penúltimo artigo tratamos das diferenças entre a linguagem formal e a informal. Portanto, já sabemos que vamos utilizar a modalidade formal e que muito provavelmente linguagem informal nos desconta alguns pontos. A menção à língua portuguesa também pode parecer incrivelmente óbvia, mas não custa nada lembrar que há grandes probabilidades de uma redação escrita em língua estrangeira ser zerada. Não se preocupe, no entanto, com estrangeirismos ou palavras em inglês incorporadas ao nosso vocabulário: elas podem ser usadas normal e tranquilamente!
Apresentando proposta de intervenção que respeite os Direitos Humanos
Essa é a questão mais polêmica do Enem até hoje! Até o Supremo Tribunal Federal ficou no meio da história. Mas sem pânico! Para entender o que são os direitos humanos, leia este artigo na íntegra. É um documento bastante simples e não tão extenso assim para ser lido. Alguns exemplos de atitudes que ferem esses direitos são a tortura, escravidão e censura. Depois de entender bem o que são os Direitos Humanos, é só sugerir soluções para a questão colocada em pauta que não firam nenhum deles. Alguns alunos em anos anteriores, quando o tema tratou da inclusão dos surdos, sugeriram extermínio e isolamento social para os indivíduos portadores de deficiência. Levaram um belíssimo e merecido zero na competência que trata da proposta de intervenção. Então sem tentar fazer gracinhas ou humor negro logo na conclusão de um texto que estava sendo lindamente conduzido, hein, galera?
Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista
Aqui entra mais um ponto a ser tratado com mais detalhes em outro(s) artigo(s), já que tratam de uma profundidade maior do texto: a seleção e organização de argumentos e as relações construídas entre eles através de seu texto de forma que tudo faça sentido. Na minha opinião pessoal, esse é o item que leva mais tempo para ser desenvolvido quando nos propomos a aprimorar habilidades na redação. Mas usando de um pouquinho de observação e atenção, podemos ir lapidando este quesito logo de cara. Por exemplo, ao reler um texto que produziu e sentir que ele parece uma espécie de “lista de argumentos” na qual só foi inserindo o que foi se lembrando, há chances de sua nota aqui não ser tão boa. Por isso é importante ficar de olho em nossos próximos artigos ao longo do ano e, acima de tudo, praticar! É necessário construir uma tese em seu texto e trazer argumentos para sustentá-la, relacionando cada um deles entre si e com a tese principal. Ao tentar fazer isso apenas no dia da prova, com certeza vai parecer um pouco mais complicado. Mas como você está seguindo nossas colunas e praticando a escrita, a dificuldade nesse quesito cai pela metade!
Infoenem
domingo, 11 de novembro de 2018
Mundo Real
- Ei, ei!
- O que foi?
- Acorda, acorda!!
- Tô acordada.
- Então, vem pro mundo real! A vida não é só diversão e prazer!
- Eu sei...
- "Eu sei" é o que você sempre diz. A vida precisa de atitudes pra ser vivida, e não apenas palavras. Saia um pouco mais do Face.
- Eu só tava conversando com um amigo...
- Ele vai pagar seu aluguel? Vai pagar sua água, sua luz?
- Não ...
- Só quem vê seu castelo é você mesma. Não há castelo. Você não é uma princesa. É uma dona de casa, que precisa ralar. Não construa sua vida na internet. Sua vida é aqui fora, não nas teclas de um computador.
- Só um momento...
- Olha a casa como está suja, olha a quantidade de roupa pra lavar! Aquela calcinha tá suja desde a semana passada. E a senhora ainda nem me deu um banho hoje.
- Já vou buscar a toalha.
- Logo, mãe, porque ainda tô com e mesma fralda de ontem!
Joerlândio Cordeiro
- O que foi?
- Acorda, acorda!!
- Tô acordada.
- Então, vem pro mundo real! A vida não é só diversão e prazer!
- Eu sei...
- "Eu sei" é o que você sempre diz. A vida precisa de atitudes pra ser vivida, e não apenas palavras. Saia um pouco mais do Face.
- Eu só tava conversando com um amigo...
- Ele vai pagar seu aluguel? Vai pagar sua água, sua luz?
- Não ...
- Só quem vê seu castelo é você mesma. Não há castelo. Você não é uma princesa. É uma dona de casa, que precisa ralar. Não construa sua vida na internet. Sua vida é aqui fora, não nas teclas de um computador.
- Só um momento...
- Olha a casa como está suja, olha a quantidade de roupa pra lavar! Aquela calcinha tá suja desde a semana passada. E a senhora ainda nem me deu um banho hoje.
- Já vou buscar a toalha.
- Logo, mãe, porque ainda tô com e mesma fralda de ontem!
Joerlândio Cordeiro
segunda-feira, 13 de agosto de 2018
Texto Dissertativo-Argumentativo
O Texto Dissertativo-Argumentativo é um dos tipos de gêneros textuais. Outros tipos são texto narrativo, texto descritivo, texto expositivo e texto injuntivo.
Este tipo de texto consiste na defesa de uma ideia por meio de argumentos e explicações, à medida que é dissertativo; bem como seu objetivo central reside na formação de opinião do leitor, ou seja, caracteriza-se por tentar convencer ou persuadir o interlocutor da mensagem, sendo nesse sentido argumentativo.
No Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) esse é o tipo de texto solicitado aos alunos, cujo tema ronda questões de ordem social, científica, cultural ou política.
Planejamento
A produção textual requer planejamento. Assim, antes de começar a escrever,
convém elaborar um plano daquilo que será abordado e de que forma (estratégia).
Essa planificação servirá de ponte para o sucesso do texto, embora o mais importante para
se alcançar esse resultado seja observar atentamente os fatores de coesão e coerência.
Para melhor exemplificar, as etapas necessárias para produzir um texto dissertativo-
argumentativo são:
- Problema: No momento inicial busca-se o problema, ou seja, os fatos sobre o
- tema pretendido e, ademais a tese (ideia central do texto).
- Opinião: A opinião pessoal sobre o tema reforçará a argumentação, por isso é
- importante buscar uma verdade pessoal ou juízo de valor sobre o assunto abordado.
- Argumentos: O mais importante de um texto dissertativo-argumentativo é a
- organização, clareza e exposição dos argumentos. Para tanto, é importante selecionar
- exemplos, fatos e provas a fim de assegurar a validade de sua opinião, sem deixar de
- justificar.
- Conclusão: Nesse momento busca-se a solução para o problema exposto. Assim, é
- interessante apresentar a síntese da discussão, a retomada da tese (ideia principal) e
- além disso, a proposta de solução do tema com as observações finais.
Estrutura
O texto dissertativo-argumentativo segue o padrão dos modelos de redação, ou seja, introdução, desenvolvimento e conclusão.
Introdução
Na introdução devem ser mencionados os temas que são abordados no texto - ou o problema -
de modo a situar o interlocutor.
Esta parte deve compreender cerca de 25% da dimensão global do texto.
Desenvolvimento
Todas as ideias mencionadas na introdução devem ser desenvolvidas de forma
opinativa e argumentativa nessa parte do texto, cuja dimensão deve compreender
cerca de 50% do mesmo.
Conclusão
A conclusão deve ser uma síntese do problema abordado mas com considerações
que expressam o resultado do que foi pensado ao longo do texto.
A sua dimensão contempla cerca de 25% do texto.
Exemplo
Segue abaixo um exemplo de texto dissertativo-argumentativo:
É frequente ouvirmos falar sobre os atos violentos na escola. Não bastasse a sua
presença nas ruas, os ambientes supostamente seguros - nomeadamente as escolas -
são mais do que nunca alvo de ações de violência.
Os valores se perdem a ponto de não só entre alunos, mas entre alunos e professores,
ou vice-versa, serem inúmeros os casos de agressões noticiados frequentemente.
A força é tomada em detrimento da razão e os conflitos são resolvidos de forma
irracional desde a infância, cujas crianças absorvem cedo esse tipo de comportamento
por influência da sociedade cada vez mais violenta em que vivemos.
A participação dos pais na vida escolar dos filhos é fundamental para estabelecer normas
e restaurar valores que tem vindo a se perder. A aproximação entre pais e escola é um
dos principais propulsores para a mitigação desse problema.
www.todamateria.com.br
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