sábado, 7 de setembro de 2013

ENEM - A redação e suas competências

Uma nova edição que contém as matrizes de referência, as cinco competências explicadas detalhadamente, inclusive suas respectivas pontuações, uma explicação sobre a proposta de redação do ENEM 2012, a última prova, e cinco exemplos de redações nota máxima (1.000), justamente, do ENEM anterior, o que já causou furor em várias mídias (internet, TV, jornais etc), pois o documento mostra três exemplos de redações nota 1.000 com “erros” ortogáficos, mas sobre isso falaremos mais adiante.
O Guia do Participante do ENEM 2013 pode ser acessado através deste link e é obrigação do candidato lê-lo, juntamente com o manual, para conhecer mais o perfil do ENEM e a correção da redação, já que ele contém informações acerca da correção em si e da grade de correção.
Há várias semelhanças com o Guia do Participante do ENEM 2012, como por exemplo, a explicação a respeito do tipo textual pedido (dissertação-argumentativa) e sua estrutura (tese, argumentos e proposta de intervenção social, sobre o qual já postamos vários textos ao longo deste ano).
Abordaremos, aqui, principalmente as alterações, pois sobre o conteúdo que permaneceu, já escrevemos vários textos que podem ser acessados no nosso portal.
A primeira mudança importante no ENEM 2013 é a diminuição do valor da discrepância (diferença de notas entre os dois corretores): elas diferem, no total, por mais de cem pontos ou se a diferença for superior a oitenta pontos em qualquer uma das cinco competências. Neste caso, a redação será corrigida uma terceira vez por um terceiro corretor e a nota final será a média aritmética das duas notas mais próximas, ou seja, a nota mais baixa será descartada.
A segunda mudança importante no ENEM 2013 foi o acréscimo de um requisito na atribuição da nota zero: impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação ou parte do texto deliberadamente desconectada do tema proposto, o que foi o causo das redações com uma receita de macarrão instantâneo e o hino de um time de futebol no meio do texto. Na verdade, este ponto já constava no Guia do Participante do ENEM 2012, mas estava escrito de uma maneira mais implícita, digamos, e não explícita como está no Guia do Participante do ENEM 2013.
O documento, além de evidencar estas mudanças, enfatiza como “importantes” quatro pontos:
  • Cópia dos textos motivadores: o candidato é alertado, mais de uma vez, que não deverá copiar trechos da coletânea, pois estes servem para motivar, inspirar, fomentar ideias e a cópia significa que o candidato não escreveu um texto autoral e sim fez apenas uma cópia; além disso, as linhas da redação que contiverem trechos copiados dos textos motivadores ou das questões objetivas serão desconsideradas na contagem;
  • Letra legível: isso vale para qualquer exame, já que a letra ilegível impossibilita uma correção adequada, já que dificulta a leitura do corretor. Portanto, caprichem na letra! Não precisa ser bonita, mas deve ser legível;
  • Título: o ENEM coloca o título como opcional, mas pensamos ser uma parte fundamental de uma dissertação-argumentativa.
  • Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa: como a implantação definitiva foi adiada para 2016, as duas ortografias serão aceitas no ENEM.
Em relação às cinco competências, podemos dizer que pouca coisa mudou; elas continuam as mesmas (veja quais são elas), mas a que mais cria polêmica na mídia é o domínio da norma culta da língua, a primeira competência. A banca afirma que uma redação com desvios gramaticais ou de convenção da escrita excepcionais, isto é, que não se repetem, pode receber nota máxima nesta competência (duzentos pontos) e os jornalistas, ontem mesmo, divulgaram aos quatro ventos que o Guia do Participante exemplificou redações nota 1.000 com “erros” gramaticais, como por exemplo, “espanhois”, sendo que a candidata escreveu a mesma palavra, outras vezes, corretamente.
O que temos a dizer a respeito disso, senhores, é que um desvio como esse é insignificante em relação ao restante do texto; se a redação atende à proposta tanto no tema quanto no tipo textual, se traz bons argumentos, alicerçados em estratégias argumentativas, se é coerente e coeso e se traz uma proposta de intervenção social, o que a falta de um acento, só um, prejudica? Tenhamos bom senso, até porque se formos corrigir tudo o que lemos, não lemos mais nada, apenas corrigimos, e não apenas desvios de acentuação… Obviamente que uma redação com desvios generalizados terá sua devida pontuação nesta competência, até porque estes desvios prejudicam todo o texto, mas não é o caso de um desvio isolado.
Ao explicar o que é tangenciar o tema (parcialmente e totalmente), o Guia do Participante traz exemplos sobre o tema do ENEM 2012 (O movimento imigratório para o Brasil no século XXI): tangenciou o tema o candidato que abordou a imigração de maneira geral, sem a associação ao movimento imigratório do século XXI ou que abordou a questão da situação e da presença do imigrante no Brasil, sem a associação a sua vinda ao país; fugiu totalmente do tema o candidato que, por exemplo, escreveu sobre êxodo rural ou urbano, migração, emigração ou outros assuntos variados.
Ao abordar o tema da redação do ENEM 2012, o documento traz orientações de como proceder ao fazer a prova, explicando o papel da coletânea textual (motivação), do tipo textual pedido etc, afirmando que o máximo de linhas permitido é de trinta linhas.
Ao exemplificar redações nota 1.000, o Guia do Participante dá a oportunidade ao candidato ao ENEM 2013 de ler e refletir acerca destes exemplos, pois são texto com excelentes notas, mas diferentes entre si. Por exemplo, o primeiro texto, a nosso ver, possui um título muito óbvio, já que é basicamente o tema, o que não recomendamos, também possui apenas um desvio de acentuação (saude), mas coloca muito bem a sua tese, recorre a conhecimentos econômicos ao citar o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro e o aumento da classe C brasileira para justificar o fato do Brasil ter se tornado atraente ao estrangeiro e cria uma proposta de intervenção social prática.
O terceiro texto, por sua vez, já traz um título até poético, bonito, relacionado a uma parte da redação, baseia sua tese no crescimento econômico brasileiro e tem seu ponto forte na proposta de intervenção social, bem detalhada, demonstrando um domínio da norma culta e dos recursos linguísticos usados na estruturação da argumentação.
Já o quarto texto não possui título, o que corrobora a afirmação do ENEM de que ele é opcional. Esta redação relembra os movimentos imigratórios para o Brasil desde os tempos da colônia até os dias de hoje, quando somos considerados um país emergente e cita os grandes eventos futuros, Copa 2014 e Olimpíadas 2016, como atrativos para estrangeiros.
O quinto e último exemplo também recorre a conhecimentos econômicos e políticos, como a participação efetiva do Brasil no cenários mundial e constrói muito bem sua paragrafação e sua proposta de intervenção social.
Leiam, candidatos, o Guia do Participante com atenção, o estudem de verdade para que, na hora da prova, nenhuma dúvida, em relação à redação, atrapalhe seu desempenho. Mais uma vez, boa sorte e bons estudos!


sexta-feira, 6 de setembro de 2013

REDAÇÃO ENEM 2005 (análise)

Hoje, analisaremos o tema da redação do ENEM 2005 - O trabalho infantil na realidade brasileira – permanecendo fiel ao viés social e atual que, infelizmente, ainda assombra a sociedade brasileira, já que é comum vermos crianças trabalhando. Aliás, esta questão, a de ser comum, poderia ser trabalhada nesta ocasião, já que influências culturais, econômicas e sociais atuam nas causas do trabalho infantil.
A proposta de redação colocava-se do seguinte modo:
Leia com atenção os seguintes textos:
 “A crueldade do trabalho infantil é um pecado social grave em nosso País. A dignidade de milhões de crianças brasileiras está sendo roubada diante do desrespeito aos direitos humanos fundamentais que não lhes são reconhecidos: por culpa do poder público, quando não atua de forma prioritária e efetiva, e por culpa da família e da sociedade, quando se omitem diante do problema ou quando simplesmente o ignoram em decorrência da postura individualista que caracteriza os regimes sociais e políticos do capitalismo contemporâneo, sem pátria e sem conteúdo ético.”
(Xisto T. de Medeiros Neto. A crueldade do trabalho infantil. Diário de Natal. 21/10/2000.)
“Submetidas aos constrangimentos da miséria e da falta de alternativas de integração social, as famílias optam por preservar a integridade moral dos filhos, incutindo-lhes valores, tais como a dignidade, a honestidade e a honra do trabalhador. Há um investimento no caráter moralizador e disciplinador do trabalho, como tentativa de evitar que os filhos se incorporem aos grupos de jovens marginais e delinquentes, ameaça que parece estar cada vez mais próxima das portas das casas.”
(Joel B. Marin. O trabalho infantil na agricultura moderna. www.proec.ufg.br.)
“Art. 4o. – É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.”
(Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990.)
Com base nas idéias presentes nos textos acima, redija uma dissertação sobre o tema: O trabalho infantil na realidade brasileira.
Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender seu ponto de vista e suas propostas, sem ferir os direitos humanos.

A coletânea da proposta de redação do ENEM 2004 é composta por quatro textos motivadores: um infográfico (multidisciplinaridade com matemática, estatística e geografia, já que trata-se de um infográfico baseado em um mapa regional do Brasil), dois textos opinativos e um legislativo.
O infrográfico retirado do jornal O Globo retrata a porcentagem de crianças trabalhadoras por região do Brasil, do qual podemos atestar que a região nordeste possui a maior quantidade de crianças que trabalham (42,2% – 2,296 milhões), ficando em segundo lugar o sudeste (27,82% – 1,513 milhões), em terceiro o sul, em quarto o centro-oeste e, em último, a região norte. Ao todo, o infográfico diz que há, no país, 5,438 milhões de crianças, entre os cinco e os dezessete anos de idade, que trabalham.
O candidato, ao analisar estes dados, deve relacioná-los com as suas respectivas causas: por que, o nordeste e o sudeste, as regiões com mais crianças trabalhadoras, apresentam estes números? A resposta deve vir imbuída de conhecimentos acerca destas regiões. Sabe-se que, infelizmente, o sertão nordestino é composto por famílias grandes que pouco têm acesso ao planejamento familiar e que possuem como cultura ter muitos filhos para, justamente, auxiliar os pais na lavoura e na pecuária (quando a seca não acaba com as produções). Crianças em outros locais de trabalho, como carvoarias, também é um dado importante, além do fato de que, no sudeste, muitas vezes as crianças não trabalham fora de casa, mas sim dentro das próprias casas ou em “casas de família”, cuidando das residências e/ou de outras crianças.
Relacionar trabalho infantil com situação econômica de suas famílias é o primeiro passo para entender esta temática; para ajudar financeiramente em casa, pais e/ou responsáveis inserem seus filhos em um mercado de trabalho informal (já que trabalho infantil é proibido) e, algumas vezes, escravo e insalubre, isto é, arriscado à integridade física e psicológica da criança.
O segundo texto motivador opina acerca da crueldade deste cenário e culpa o poder público, pois este, segundo seu autor, não atua de maneira efetiva em relação a esta questão e a família e a sociedade como um todo que se omite diante deste problema. Realmente, infelizmente, poucos se assustam ao ver crianças vendendo doces em um sinal, por exemplo, apesar de saberem que, por trás disto, há a possibilidade da existência de um adulto que não só precisa do dinheiro ganho pela criança, mas também o escraviza, torturando-o caso ela não venda toda a mercadoria.
Já o terceiro texto motivador parece, a nosso ver, justificar a inserção de crianças no mercado agrícola infantil como forma de escapar do mundo do crime, ensinando-as que o trabalho é importante, já que não há outras alternativas. Neste ponto, a questão da escola é fundamental: hoje, e em 2004 também, a escola não é atrativa, não garante muitas coisas do modo como está e a evasão escolar ainda é muito grande; a própria instituição escolar exclui quando deveria incluir e ser o único caminho, aliado sim os trabalho, mas na idade adequada, para crianças e jovens almejarem um futuro melhor.
O quarto e o último texto motivador, um artigo do Estatuto da Criança e do Adolescente, exemplifica o que acabamos de dizer, ao afirmar que é dever do Estado, da família e da sociedade em geral assegurar a efetivação dos direitos das crianças e dos adolescentes em relação à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura etc.
O Estado deve oferecer ensino público de qualidade, a família deve colocar seus filhos na escola, a sociedade e a comunidade devem juntar-se à escola e ajudá-la nos projetos pedagógicos, juntamente, também, com as famílias e, além disso, cobrar do Poder Público melhorias, manutenção, investimentos etc, por exemplo. E isso deve ser feito, do mesmo modo, em relação à saúde, ao lazer, ao esporte, à cultura…
Já discutimos as causas e algumas consequências; e a solução? Como solucionar este problema? O candidato poderia sugerir uma maior política, por parte dos governos, contra o trabalho infantil, ampliando escolas em tempo integral que ensinem, aos adolescentes, uma profissão através do ensino técnico; dando um maior acesso à famílias ao planejamento familiar por meio de projetos comunitários, em postos de saúde, por exemplo; dando mais oportunidade dos pais, dos adultos, trabalharem e estudarem, pois sabe-se que o nível de ensino está relacionado a esta questão também e uma maior fiscalização.
Lembrem-se: quanto mais prática, palpável e detalhada a propostas de intervenção social, melhor. Não é preciso mencionar todos os exemplos dados acima, basta desenvolver bem um, mostrar como ele pode ser aplicável.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

ENEM 2004 - REDAÇÃO (análise)

Hoje, analisaremos a proposta de redação do ENEM 2004 cujo tema foi “Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação?”, algo ainda atual, ainda mais com o aumento do acesso da população mais necessitada às informações através dos meios de comunicação como a televisão, o rádio e a internet. Esta ainda é muito cara e mal disponibilizada no Brasil, mas uma pesquisa realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CETIC.br) e divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo no dia 20/06/2013 afirma que, nas zonas urbanas, 40% das residências possuem acesso à internet, enquanto que nas áreas rurais este número é de 10% (mais detalhes em http://economia.estadao.com.br/noticias/economia-geral,internet-atinge-40-de-residencias-no-pais-diz-pesquisa,157138,0.htm).
Em relação ao aparelho televisor, segundo o último censo realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2010, 95,1% das casas brasileiras a possuem; já o rádio está presente em 81,4% das residências (mais informações emhttp://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2012-04-27/ibge-pela-1-vez-domicilios-brasileiros-tem-mais-tv-e-geladeira-d.html). Estes dados, portanto, relevam o quanto de acesso às informações os brasileiros possuem.
A coletânea da proposta de redação do ENEM 2004 apresentava-se da seguinte forma:
Leia com atenção os seguintes textos:
Caco Galhardo, 2001.
Os programas sensacionalistas do rádio e os programas policiais de final da tarde em televisão saciam curiosidades perversas e até mórbidas tirando sua matéria-prima do drama de cidadãos humildes que aparecem nas delegacias como suspeitos de pequenos crimes. Ali, são entrevistados por intimidação. As câmeras invadem barracos e cortiços, e gravam sem pedir licença a estupefação de famílias de baixíssima renda que não sabem direito o que se passa: um parente é suspeito de estupro, ou o vizinho acaba de ser preso por tráfico, ou o primo morreu no massacre de fim de semana no bar da esquina. A polícia chega atirando; a mídia chega filmando.
Eugênio Bucci. Sobre ética e imprensa. São Paulo: Companhia das Letras, 2000.
Quem fiscaliza [a imprensa]? Trata-se de tema complexo porque remete para a questão da responsabilidade não só das empresas de comunicação como também dos jornalistas. Alguns países, como a Suécia e a Grã-Bretanha, vêm há anos tentando resolver o problema da responsabilidade do jornalismo por meio de mecanismos que incentivam a auto-regulação da mídia.
http://www.eticanatv.org.br
Acesso em 30/05/2004.
No Brasil, entre outras organizações, existe o Observatório da Imprensa – entidade civil, não-governamental e não partidária –, que pretende acompanhar o desempenho da mídia brasileira. Em sua página eletrônica , lê-se:
Os meios de comunicação de massa são majoritariamente produzidos por empresas privadas cujas decisões atendem legitimamente aos desígnios de seus acionistas ou representantes. Mas o produto jornalístico é, inquestionavelmente, um serviço público, com garantias e privilégios específicos previstos na Constituição Federal, o que pressupõe contrapartidas em deveres e responsabilidades sociais.
http://www.observatorio.ultimosegundo.ig.com.br (adaptado)
Acesso em 30/05/04.
Incisos do Artigo 5º da Constituição Federal de 1988:
IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;
X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.
Com base nas ideias presentes nos textos acima, redija uma dissertação em prosa sobre o seguinte tema: Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação?

Podemos ver que a coletânea textual da proposta de redação do ENEM 2004 era relativamente longa, já que possui cinco textos (um não verbal e quatro verbais), o que subsidiava, e bem, a escrita do candidato, que foi bem motivado por todos os textos, já que cada um coloca um item acerca do tema e, assim, criam o recorte da prova.
O primeiro texto da coletânea é uma charge de Caco Galhardo, de 2001, que retrata a sua visão acerca do papel da televisão na casa de uma típica família brasileira; a sua representação por meio do desenho de um latão de lixo, com antenas e ligado à tomada, transbordando e com moscas e as expressões faciais das pessoas, sentadas à sua frente, expressam muito bem a opinião de Caco sobre ela: literalmente, um lixo alienante, dadas as feições das personagens.
Obviamente, esta charge é uma crítica explícita à televisão, mas o candidato poderia refletir sobre o papel dos telespectadores, já que estes possuem o direito de escolher o que irão assistir e o direito de não assistir, de desligar o aparelho. Neste ponto é importante tomar cuidado para não cair no senso comum e afirmar que a culpa de todos os males é a mídia televisiva; claro que ela possui sua culpa (senão não seria tema, inclusive, de um ENEM), que tende a manipular, incentivar as pessoas, mas estas são seres pensantes que podem e devem responder ativamente, aceitando ou não, o que veem. Bom senso, sem generalizações e ponderação são essenciais. Aliás, esta colocação pode ser a proposta de intervenção social: senso crítico por parte dos telespectadores. Como formá-lo? Como a escola pode auxiliar nesta questão, por exemplo?
O segundo texto é de autoria do professor da ECA-USP (Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo) e jornalista Eugênio Bucci no qual aborda os programas, de rádio e televisão, policiais que, segundo ele, invadem a cena do crime, as casas dos criminosos e/ou de seus familiares de modo sensacionalista para explorarem situações difícies, nas quais muitos fatores, como a pobreza e a miséria, estão presentes. Todos nós conhecemos, já vimos um pedacinho que seja de programas como esses, que parecem escorrer sangue e Bucci até os relaciona com a polícia: esta chega atirando (às vezes sem saber quem é culpado ou inocente) e a mídia chega filmando, como se a câmera e o microfone fossem, também, armas que invadem a dor e a desgraça alheia.
Este tipo de programação televisiva é, sem dúvida, para o autor e para a banca elaboradora da avaliação da prova de redação do ENEM, um exemplo de abuso nos meios de comunicação, já que é sensacionalista, algo que sempre existiu, mas como combatê-la se há quem a assista? Estes programas continuariam existindo se sua audiência diminuísse? Se uma boa parte da população deixasse de assisti-los?
O terceiro texto trata da fiscalização da imprensa, não só dos meios de comunicação como empresas, mas também de seus jornalistas e traz exemplos de países europeus que tentam, há anos, promover uma auto-regulação,isto é, que os próprios meios de comunicação se auto-regulem.
O quarto texto, um trecho adaptado do site do Observatório de Imprensa, lembra que os meios de comunicação de massa, como os canais da televisão aberta, apesar de os obterem através de concessões governamentais, são majoritariamente empresas privadas que atendem aos interesses de seus acionistas, mas que o jornalismo, em si, é um serviço público que presta serviço à população, contemplado pela Constituição (quinto e último texto da coletânea) que, por sua vez, coloca como livre a liberdade de expressão e bane a censura, mas ao mesmo tempo declara inviolável a intimidade, a imagem e a honra das pessoas, cabendo indenização por dano moral ou material.
Aqui, pode-se discutir os meios que o jornalismo usa para produzir notícias e reportagens. Usar uma imagem sem autorização, invadir a vida privada de uma pessoa a fim de obter imagens ou informações, manipular entrevistas e declarações, utilizar outros textos para fazer um “novo”, manipulação de imagens dentre outras estratégias são atitudes questionáveis, mas praticadas por alguns meios de comunicação como jornais (impressos ou televisionados) e revistas.
Como ter a liberdade de expressão e de comunicação dos meios de comunicação garantida se há sérios abusos? Uma auto-regulação, uma fiscalização por parte do governo é a volta da censura da ditadura? Aliás, a imprensa na época do AI-5 é algo histórico que pode ser relacionado a este tema; o debate entre censura, liberdade, democracia e fiscalização é uma questão muito interessante e produtiva, já que os limites são muito tênues.
Outro ponto interesse de abordagem do tema do ENEM 2004 é a questão da imparcialidade jornalística, tão requisitada, mas ela existe, realmente? É possível ser neutro? É possível ser imparcial mesmo sabendo que temos opiniões sobre tudo e sobre todos? Como obter um meio de comunicação neutro se os de massa são empresas que têm as mais diversas ligações com as mais variadas pessoas, inclusive políticos?
Este tema provoca muitos questionamentos e reflexões e, consequentemente, muitos caminhos para o seu desenvolvimento, mas reconhecer os abusos e como combatê-los é o principal neste texto. Por onde você iria?

Infoenem

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

REDAÇÃO - ENEM 2003

Hoje, analisaremos o tema da redação do ENEM 2003 que foi “A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo?”, um tema ainda, infelizmente, muito atual que envolve todos os segmentos da sociedade e, assim, vários aspectos sociais, principalmente quando falamos sobre as possíveis causas da violência e também sobre as possíveis soluções para este problema, as quais a equipe elaboradora da prova, já no tema, através do questionamento, requer do candidato. Vejam que trata-se da violência brasileira, portanto, abordar casos de violência em outros países ou no mundo em geral foge ao tema.
A proposta aparecia do seguinte modo, no ENEM 2003:
Para desenvolver o tema da redação, observe o quadro e leia os textos apresentados a seguir:
Entender a violência, entre outras coisas, como fruto de nossa horrenda desigualdade social, não nos leva a desculpar os criminosos, mas poderia ajudar a decidir que tipo de investimentos o Estado deve fazer para enfrentar o problema: incrementar violência por meio da repressão ou tomar medidas para sanear alguns problemas sociais gravíssimos?
(Maria Rita Kehl. Folha de S. Paulo)
Ao expor as pessoas a constantes ataques à sua integridade física e moral, a violência começa a gerar expectativas, a fornecer padrões de respostas. Episódios truculentos e situações-limite passam a ser imaginados e repetidos com o fim de legitimar a idéia de que só a força resolve conflitos. A violência torna-se um item obrigatório na visão de mundo que nos é transmitida. O problema, então, é entender como chegamos a esse ponto. Penso que a questão crucial, no momento, não é a de saber o que deu origem ao jogo da violência, mas a de saber como parar um jogo que a maioria, coagida ou não, começa a querer continuar jogando.
(Adaptado de Jurandir Costa. O medo social.)
Considerando a leitura do quadro e dos textos, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema: A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo?
Instruções:
  • Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender seu ponto de vista, elaborando propostas para a solução do problema discutido em seu texto. Suas propostas devem demonstrar respeito aos direitos humanos.
  • Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da modalidade escrita culta da língua portuguesa.
  • O texto não deve ser escrito em forma de poema (versos) ou de narrativa.
  • O texto deverá ter no mínimo 15 (quinze) linhas escritas.
  • A redação deverá ser apresentada a tinta e desenvolvida na folha própria.
  • O rascunho poderá ser feito na última folha deste Caderno.

 O primeiro texto da coletânea é um infográfico extraído da revista Época em junho de 2003, isto é, mais ou menos na metade do ano, como os ENEMs anteriores e, por isso, acreditamos que a prova de redação do ENEM 2013 já está fechada, mas ao infográfico, este mostra dados sobre a violência brasileira e para aproveitá-los da melhor maneira possível, conhecimentos estatísticos e matemáticos, além de saber ler adequadamente um infográfico, são essenciais.
O primeiro dado do infográfico expressa o dobro dos gastos do governo brasileiro com segurança: em 1997, gastou-se R$ 54 bilhões em reais; já em 2002, R$ 102 bilhões de reais. Não há menção sobre como e onde esse dinheiro foi gasto (se em construção de presídios, se em implementação de sistemas de segurança, se com as polícias etc), mas podemos refletir sobre o porque que gasta-se tanto com segurança no Brasil e a primeira resposta que vem à mente é porque há muita violência no país, por isso um gasto gigantesco e os demais dados do infográfico revelam que este montante poderia ser utilizado, por exemplo, para investir cinco vezes mais em educação, quatro vezes mais na saúde e é 56 vezes mais o que o governo pretendia, naquele ano, investir no programa Fome Zero e 46 vezes mais o que os brasileiros gastam com livros e é igual ao patrimônio líquido de todo país.
Através destes números, pode-se pensar: se o governo investisse mais em educação, saúde, alimentação, acesso à cultura, saneamento básico, moradia dentre outras coisas, a violência diminuiria porque também diminuiria a desigualdade social que assola o nosso país deste que foi colonizado pelos portugueses? Esta reflexão nos leva aos demais textos da coletânea. O segundo texto, de Kehl, cita a desigualdade social como uma das causas da violência no Brasil e afirma que ter isso em mente ajudaria o Estado a decidir melhor onde e como investir para enfrentar este problema, sem desculpar o criminoso: a repressão ou o saneamento dos problemas sociais.
Ao afirmar isto, a autora coloca duas opções que podem ser aceitas ou não, ou aceita apenas uma, pelo candidato na proposta de intervenção social que, por sua vez, deve respeitar os direitos humanos e este ponto é essencial, pois qualquer proposta de solução que os fira, será zerada e aqui deve-se tomar cuidado e não escrever sob forte emoção, já que é um tema delicado, pois todos nós ou já sofremos algum tipo de violência ou conhecemos alguém que já sofreu. Caso o candidato opte pela repressão, deve refletir sobre que tipo de repressão e como ela se daria; há repressão sem violência? Nem falamos da física, propriamente dita, mas a verbal, psicológica, social? Estes problemas sociais já não repreendem as pessoas? Como repreender reeducando? Isso é possível? São questionamentos que o candidato deve se fazer ao planejar o seu texto.
Caso o candidato opte por explorar o saneamento dos problemas sociais, deve propor uma maneira, a mais detalhada e específica possível, por meio de um projeto social, por exemplo, para resolver a questão da violência por este viés. É o que propõe o terceiro texto da coletânea textual do ENEM 2003: focar não na origem da violência no Brasil, mas sim na sua solução, já que, na opinião do autor, a própria sociedade está coagida, envolvida neste jogo e não vê outra alternativa a não ser responder com mais violência.
Devemos perceber, no momento da leitura da prova de redação do ENEM e de qualquer outro vestibular, exame ou concurso, que a banca elaboradora recorta, cria um viés temático e, no caso do ENEM 2003, o viés foca na causa e na solução da violência no Brasil: desigualdades sociais e saneamentos das mesmas, respectivamente e dentro deste viés é o mais adequado de se abordar o tema.
Qual o papel do Estado nesta questão? Qual o papel de nós, cidadãos comuns? O que cada um pode fazer para mudar as regras deste jogo? Podemos auxiliar o Estado de alguma forma? Violência é só quando somos assaltados, roubados ou é também o que a parcela mais pobre da população passa? Como a escola pode atuar na vida de jovens que vão para o crime? São mais perguntas pertinentes para este tema.
Na próxima semana, analisaremos o tema do ENEM 2004: “Como garantir a liberdade de informação e evitar abusos nos meios de comunicação?” A prova pode ser obtida através do linkhttp://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2004/2004_amarela.pdf.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

ENEM - QUÍMICA (dicas)

Certamente você já deve estar “careca” de saber que a prova do Enem é diferente, pois prioriza muito mais uma boa leitura do que aquela quantidade de conteúdo que torna (ou tornava) os vestibulares tradicionais tão maçantes. De fato, essa afirmação não deixa de ser verdadeira.
Entretanto, muito cuidado antes de abandonar seus estudos daquelas matérias chatas e que, aparentemente, nunca servirão no seu dia a dia! Depois de 2009, ano que o exame ganhou importância jamais vista em uma prova nacional, teve muita matéria que começou a cobrar dos candidatos conteúdos e conhecimentos bastante específicos! E essa exigência conteudista não deixa de ser natural. Afinal, para avaliar mais de 7 milhões de estudantes que estão saindo do ensino médio é necessário, evidentemente, um exame que contenha o conteúdo programático dessa fase do aprendizado escolar.
Um dos exemplos que mais simboliza essa cobrança é certamente a química orgânica, que aparece na prova de Ciências da Natureza e suas tecnologias. Antes de comentarmos mais a fundo, vamos ver uma questão dessa natureza que apareceu no último Enem (2012).
________________________
A própolis é um produto natural conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes. Esse material contém mais de 200 compostos identificados até o momento. Dentre eles, alguns são de estrutura simples, como é o caso do C HCO 2  CH2  CH, cuja estrutura está mostrada a seguir.
O ácido carboxílico e o álcool capazes de produzir o éster em apreço por meio da reação de esterificação são, respectivamente,
a) ácido benzoico e etanol.
b) ácido propanoico e hexanol.
c) ácido fenilacético e metanol.
d) ácido propiônico e cicloexanol.
e) ácido acético e álcool benzílico.
________________________
Fica claro que, utilizando apenas o raciocínio nessa questão, certamente você não passará nem perto da resposta correta! Vamos dar uma olhada na resolução do professor Jerferson dos Santos, formado em química pela Unicamp:
Alternativa A
Esta questão envolve um dos tipos de reação mais importantes na química orgânica. As reações de esterificação onde: ácido + álcool = éster + água. Observe que o éster acima pode ser dividido em duas partes formadoras, em seguida adiciona-se água e obtêm-se as duas moléculas procuradas.
Ao analisar as alternativas a resposta fica mais simples, pois basta saber um dos dois compostos que se chega à letra A.
Comentário: Nesta questão é bom lembrarmos que o etanol é o álcool mais importante para nós brasileiros devido a sua utilização como combustível, nas bebidas e ainda os postos de gasolina trazem placas escritas “ETANOL”, o que também é uma grande dica de resolução.
Conteúdo envolvido: Química orgânica.

*Essa questão, resolvida e comentada pelo professor Jerferson, foi retirada das apostilas preparatórias para o Enem 2013.
Como podemos notar, pouco raciocínio é utilizado nessa questão. O candidato precisava de conhecimentos prévios para resolvê-la de forma segura. Dessa forma, segue algumas dicas de estudos de química orgânica para você se preparar para o Enem:
  1. Estude (decore!) o maior número de funções orgânicas. Diversas questões do exame exigem reconhecê-las!
  2. Conheça as principais reações orgânicas estudadas no ensino médio, como por exemplo, ácido + álcool = éster + água.
  3. Ao tentar reconhecer a reação química, diversas vezes os produtos e/ou reagentes envolvidos são substâncias que são bastante conhecidas. No exemplo acima, o Etanol. Portanto, conhecer a fórmula de diversas substâncias pode ajudar a encontrar a reação que se refere a questão.
De forma resumida, para se dar bem em química orgânica no Enem, é necessário muito estudo! E claro, ficar atento às nossas dicas para facilitar o reconhecimento das funções e reações orgânicas.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O ENEM E A FILOSOFIA

Como sempre destacamos em nossos artigos, a prova do Enem traz características que não aparecem em nenhum vestibular tradicional, esteja ele extinto ou não.
Dentre essas peculiaridades, uma das mais marcantes é que, tanto na redação quanto nas questões, o exame exija dos candidatos conhecimentos (e posicionamentos) em diversos problemas sociais que atinjem o mundo e principalmente nosso país.

E quando pensamos nas questões relacionadas à esses problemas, boa parte são referentes a disciplina de filosofia. Veja, logo abaixo, um típico exemplo desse assunto que apareceu na última edição do Enem (2012).
________________
Nossa cultura lipofóbica muito contribui para a distorção da imagem corporal, gerando gordos que se veem magros e magros que se veem gordos, numa quase unanimidade de que todos se sentem ou se veem “distorcidos”. Engordamos quando somos gulosos. É pecado da gula que controla a relação do homem com a balança. Todo obeso declarou, um dia, guerra à balança. Para emagrecer é preciso fazer as pazes com a dita cuja, visando adequar-se às necessidades para as quais ela aponta.
FREIRE, D. S. Obesidade não pode ser pré-requisito. Disponível em: http//gnt.globo.com. Acesso em: 3 abr. 2012 (adaptado).
O texto apresenta um discurso de disciplinarização dos corpos, que tem como consequência
a) a ampliação dos tratamentos médicos alternativos, reduzindo os gastos com remédios.
b) a democratização do padrão de beleza, tornando-o acessível pelo esforço individual.
c) o controle do consumo, impulsionando uma crise econômica na indústria de alimentos.
d) a culpabilização individual, associando obesidade à fraqueza de caráter.
e) o aumento da longevidade, resultando no crescimento populacional.
________________

Antes de falarmos sobre as estratégias para se chegar na resposta correta neste tipo de questão, veja a resolução comentada feita pelo professor Valter Chanes.
A presente questão trata de um tema muito frequente nos dias atuais. Contudo é importante fazer uma análise mais ampla dessa problemática. O que se verifica não é o problema da obesidade e nem da excessiva magreza, e sim do obeso com a obesidade e do muito magro com sua magreza. Viver em uma sociedade (refiro-me à nossa, ocidental) onde o padrão de beleza e de bem estar vive em constante mutação, dada uma ordem de mercado de consumo que está presente e que dita regras do que é bom ou ruim, acaba tornando difícil a convivência daqueles que não estão adequados ao padrão do belo comparados aos “normais”. Michel Foucault (1926- 1984) em seu livro Vigiar e Punir (1977, Vozes) trata da questão da objetivação e subjetivação. Trata-se de um estudo das prisões, porém podemos utilizar esse mecanismo para verificar várias questões que transitam nas variadas micro esferas do tecido social. Em tese, o autor evidencia que o adestramento do corpo nas instituições de disciplinarização, tem por objetivo torná-lo dócil e útil. Nessa perspectiva, contribui para que o sujeito acabe por subjetivar a ideia ou situação. Ou seja, assimilar a ideia daquela proposta. Observe que na questão destacada por Freire, o problema do corpo na sociedade atual torna o indivíduo refém e com certa “culpa” de ser obeso ou muito magro. Um lugar onde ele se vê distorcido.
As normas e padrões sociais acerca da beleza trazem no seu bojo alguns transtornos e acaba marginalizando os “não adequados”.
É factível, contudo, verificar o ponto crucial da questão que é a culpabilização do indivíduo por estar fora de um padrão estético social.
Nesse sentido a alternativa D é a correta.

*Essa resolução comentada, realizada pelo professor Valter, foi retirada das apostilas preparatórias para o Enem 2013.
Percebemos, claramente, que esse tipo de questão exige do estudante discernimento para entender a problemática e seu caráter social. Para tanto, duas dicas são muito importantes:
  1. Leitura atenta do texto contido no enunciado.
  2. Reflexão, tanto da forma que se apresenta o problema (no exemplo dado o preconceito frente a obesidade), quanto da maneira de solucioná-lo.
Em outras palavras, não basta conhecer e entender o problema abordado. Refletir sobre as consequências e as possíveis medidas factíveis para prevenir, atenuar ou solucionar a problemática também tornam-se primordiais para atingir a resposta esperada pela banca examinadora do exame.

InfoEnem

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

ENEM - REDAÇÃO (ANÁLISE)

Hoje, analisaremos a proposta de redação do ENEM 2002 cujo tema foi “O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais de que o Brasil necessita?”, o qual deu muitas margens para o candidato utilizar, no desenvolvimento do texto, conhecimentos das áreas da História, Política, Sociologia, dentre outras, para embasar, fundamentar e contextualizar a sua tese principal e, assim, pontuando na segunda competência da grade de correção do ENEM (compreender a proposta de redação e aplicar conceitos de várias áreas do conhecimento para desenvolver o tema dentro dos limtes estruturais do texto dissertativo-argumentativo). Além disso, é um tema que coloca uma pergunta ao candidato, ou seja, que requer uma proposta de intervenção social (quinta competência) relacionada a todo o restante da redação, já que é atual e possui um viés social, histórico e político.
A proposta estava na primeira página da prova do ENEM do seguinte modo:
Para que existam hoje os direitos políticos, o direito de votar e ser votado, de escolher seus governantes e representantes, a sociedade lutou muito.
www.iarabernardi.gov.br. 01/03/02.







Comício pelas Diretas Já, em São Paulo, 1984.
A política foi inventada pelos humanos como o modo pelo qual pudessem expressar suas diferenças e conflitos sem transformá-los em guerra total, em uso da força e extermínio recíproco. (…)
A política foi inventada como o modo pelo qual a sociedade, internamente dividida, discute, delibera e decide em comum para aprovar ou reiterar ações que dizem respeito a todos os seus membros.
Marilena Chauí. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1994.
A democracia é subversiva. … subversiva no sentido mais radical da palavra.
Em relação à perspectiva política, a razão da preferência pela democracia reside no fato de ser ela o principal remédio contra o abuso do poder. Uma das formas (não a única) é o controle pelo voto popular que o método democrático permite pôr em prática. Vox populi vox dei.
Norberto Bobbio. Qual socialismo? Discussõo de uma alternativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983. Texto adaptado.
Se você tem mais de 18 anos, vai ter de votar nas próximas eleições.
Se você tem 16 ou 17 anos, pode votar ou não. O mundo exige dos jovens que se arrisquem. Que alucinem. Que se metam onde não são chamados. Que sejam encrenqueiros e barulhentos. Que, enfim, exijam o impossível.
Resta construir o mundo do amanhã. Parte desse trabalho é votar. Não só cumprir uma obrigação. Tem de votar com hormônios, com ambição, com sangue fervendo nas veias. Para impor aos vitoriosos suas exigências – antes e principalmente depois das eleições.
André Forastieri. Muito além do voto. Época. 6 de maio de 2002. Texto adaptado.

Considerando a foto e os textos apresentados, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema O direito de votar: como fazer dessa conquista um meio para promover as transformações sociais de que o Brasil
necessita?
Ao desenvolver o tema, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões, e elabore propostas para defender seu ponto de vista.
Observações:
  • Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da modalidade escrita culta da língua
  • portuguesa.
  • O texto não deve ser escrito em forma de poema (versos) ou narração.
  • O texto deverá ter no mínimo 15 (quinze) linhas escritas.
  • A redação deverá ser apresentada a tinta e desenvolvida na folha própria.
  • O rascunho poderá ser feito na última página deste Caderno.

O primeiro texto da coletânea da proposta de redação do ENEM 2002 é um texto não-verbal, uma foto de um comício pelas Diretas Já! (eleições diretas após a Ditadura Militar) realizado em São Paulo, capital, mostrando uma verdadeira imensidão de pessoas que buscavam o voto direto, o voto popular, a eleição de candidatos através da participação do povo. Ao lado, o segunda texto é uma citação do site de Iara Bernardi, política do Partido dos Trabalhadores (PT) do interior do estado de São Paulo lembrando a luta do povo para existir o direito de votar e de ser votado.
Já o teceiro texto é de autoria da filósofa Marilena Chauí e diz respeito às origens da política e como ela auxilia no debate, na deliberação e na discussão de ações entre os cidadãos; o quarto texto relaciona a democracia com o voto , já que aquela é, segundo seu autor, o único modo de evitar o abuso de poder através, justamente, da participação popular por meio do voto. Finalmente, o último texto da coletânea da proposta de redação do ENEM 2002 é de um jornalista que convoca os jovens a votarem, mas não por obrigação e sim com hormônios, com sangue nas veias para impor, antes e depois das eleições, suas exigências.
Para desenvolver este tema de redação do ENEM 2002, vemos dois caminhos básicos: o primeiro seria concordar com o tema, isto é, concordar que o voto é um direito conquistado pela população brasileira depois de um período ditatorial tenso, que, através deles, podemos mudar os rumos do Brasil, mas que, para isso, dependemos de bons candidatos, mas como isso nem sempre é possível, dependemos também da educação e da conscientização do povo, que não deve vender seu voto e sim pesquisar acerca de seu candidato e de seu partido para que, assim, possamos eleger bons políticos.
O segundo caminho seria discordar, afirmar que o voto não é um direito e sim uma obrigação o que, numa democracia, é contraditório; aliás, poderia ter, como tese, que sim, o voto é um direito do povo, mas que deveria ser facultativo e não obrigatório como é atualmente, pois esta obrigatoriedade não combina com o regime democrático em que vivemos. Neste viés, poderia também discutir se vivemos, realmente, em uma democracia, se é preciso obrigar as pessoas a votarem mesmo com maus candidatos, sempre os mesmos que não farão nada de concreto depois de se elegerem.
Ambos os caminhos são possíveis para desenvolver o tema da redação do ENEM 2002, já que o candidato ao exame pode concordar ou discordar do mesmo, desde que o faça baseado em argumentos concretos, fortes e que consiga convencer o leitor acerca do seu ponto de vista. Corretor de exames e vestibulares sérios não avaliam se gostaram ou não da opinião do candidato, se concordam ou não, apenas avaliam se ele atendeu à proposta e, se sim, com que qualidade, como o fez.
Para ambos os caminhos, recorrer a fatos históricos como a Ditadura Brasileira, as próprias Diretas Já!, o voto feminino e dos analfabetos, dentre outros, além de acontecimentos atuais é uma ótima estratégia argumentativa para demonstrar que o candidato sabe relacionar o passado com o presente e, na proposta de intervenção social, há a possibilidade de imaginar o futuro, um futuro com melhores eleitores e melhores candidatos (como consegui-los e como usar o voto para obtermos as transformações sociais que o país necessita?), já que os dois são os protagonistas de qualquer processo eleitoral.
A questão do voto do jovem é um relevante, pois, antes das maniestações deste ano, sabia-se que os jovens estavam perdendo a esperança na política, inclusive, estavam diminuindo as afiliações de jovens a todos os partidos políticos brasileiros, que havia (e há, visto as placas “sem partido” nas ruas em junho de 2013) uma descrença nos partidos políticos. Como o ENEM, naquela época, era feito predominantemente por jovens recém formados no Ensino Médio, abordar a questão do jovem na política é interessante. Já votar com 16 anos para exercer a cidadania ou esperar os 18, quando vira obrigação? Votar é ser cidadão? Sim? Não? Por quê? São perguntas que poderiam ser discutidas e respondidas nesta proposta de redação.
Na próxima semana, analisaremos a proposta de redação do ENEM 2003: A violência na sociedade brasileira: como mudar as regras desse jogo? A prova pode ser acessada por meio da páginahttp://download.inep.gov.br/educacao_basica/enem/provas/2003/2003_amarela.pdf.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

VERSOS LIVRES : A REDAÇÃO NO ENEM - 3ª COMPETÊNCIA

 Sobre as cinco competências avaliadas pela banca corretora da redação do ENEM, hoje abordaremos a 3ª: “selecionar, relacionar, organizar ...

sábado, 10 de agosto de 2013

REDAÇÃO (análise) - ENEM

Hoje, analisaremos a prova de redação do ENEM 2001 que foi assim:
Conter a destruição das florestas se tornou uma prioridade mundial, e não apenas um problema brasileiro. (…) Restam hoje, em todo o planeta, apenas 22% da cobertura florestal original. A Europa Ocidental perdeu 99,7%  de suas florestas primárias; a Ásia, 94%; a África, 92%; a Oceania, 78%; a América do Norte, 66%; e a América do Sul, 54%. Cerca de 45% das florestas tropicais, que cobriam originalmente 14 milhões de km quadrados (1,4 bilhão de hectares), desapareceram nas últimas décadas. No caso da Amazônia Brasileira, o desmatamento da região, que até 1970 era de apenas 1%, saltou para quase 15% em 1999. Uma área do tamanho da França desmatada em apenas 30 anos. Chega.
Paulo Adário, Coordenador da Campanha da Amazônia do Greenpeace.
(Caulos, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 1978)
ttp://greenpeace.terra.com.br

Embora os países do Hemisfério Norte possuam apenas um quinto da população do planeta, eles detêm quatro quintos dos rendimentos mundiais e consomem 70% da energia, 75% dos metais e 85% da produção de madeira mundial. (…)
Conta-se que Mahatma Gandhi, ao ser perguntado se, depois da independência, a Índia perseguiria o estilo de vida britânico, teria respondido: “(…) a Grã-Bretanha precisou de metade dos recursos do planeta para alcançar sua prosperidade; quantos planetas não seriam necessários para que um país como a Índia alcançasse o mesmo patamar?”
A sabedoria de Gandhi indicava que os modelos de desenvolvimento precisam mudar.
O planeta é um problema pessoal - Desenvolvimento sustentável. www.wwf.org.br

De uma coisa temos certeza: a terra não pertence ao homem branco; o homem branco é que pertence à terra. Disso temos certeza. Todas as coisas estão relacionadas como o sangue que une uma família. Tudo está associado.
O que fere a terra, fere também os filhos da terra. O homem não tece a teia da vida; é antes um de seus fios. O que quer que faça a essa teia, faz a si próprio.
Trecho de uma das várias versões de carta atribuída ao chefe Seattle, da trib Suquamish. A carta teria sido endereçada ao presidente norte-americano, Franklin Pierce, em 1854, a propósito de uma oferta de compra do território da tribo feita pelo governo dos Estados Unidos.
PINSKY, Jaime e outros (Org.). História da América através de textos. 3ª ed.São
Paulo: Contexto, 1991.
Estou indignado com a frase do presidente dos Estados Unidos, George Bush.
“Somos os maiores poluidores do mundo, mas se for preciso poluiremos mais para evitar uma recessão na economia americana”.
R. K., Ourinhos, SP. (Carta enviada à seção Correio da Revista
Galileu. Ano 10, junho de 2001).
Com base na leitura dos quadrinhos e dos textos, redija um texto dissertativo-argumentativo sobre o tema: Desenvolvimento e preservação ambiental: como conciliar os interesses em conflito?
Ao desenvolver o tema proposto, procure utilizar os conhecimentos adquiridos e as reflexões feitas ao longo de sua formação. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para defender o seu ponto de vista, elaborando propostas para a solução do problema discutido em seu texto. Suas propostas devem demonstrar respeito aos direitos humanos.
Observações:
• Lembre-se de que a situação de produção de seu texto requer o uso da modalidade escrita culta da língua.
• O texto não deve ser escrito em forma de poema (versos) ou narrativa.
• O texto deverá ter no mínimo 15 (quinze) linhas escritas.
• A redação deverá ser apresentada a tinta e desenvolvida na folha própria.
• O rascunho poderá ser feito na última página deste Caderno.

Novamente, o ENEM trouxe como tema de sua prova de produção escrita um assunto que, infelizmente, continua atual e que diz respeito a todos nós: desenvolvimento x preservação ambiental. A banca elaboradora também faz um questionamento ao candidato: como conciliar os interesses em conflitos? Estes interesses, inclusive, estão postos na coletânea textual através dos textos do coordenador do Greenpeace, da organização WWF e do leitor da revista Galileu que abordam, com dados estarrecedores, o quanto a economia, a industralização e o desenvolvimento de um modo geral, dos países desenvolvidos (Estados Unidos e Inglaterra, os mencionados explicitamente), afetam o meio ambiente de todo o planeta. São dados que comprovam o que todo mundo já sabe (e já sabia na época), o que jornais, revistas e materiais didáticos trazem, há anos, como informação sobre isso.
Assim, não é difícil, neste tema, usar conteúdos de várias áreas do conhecimento para desenvolver o texto e para cumprir a 2ª competência da grade de correção do ENEM. Por exemplo, no Brasil, florestas foram e são devastadas para dar lugar à plantações de soja, por exemplo, e a pastos, já que temos uma economia muito pautada na agricultura e na pecuária por razões climáticas, geográficas e históricas. A especulação imobiliária e turística sempre existiu, o que ocasionou e ocasiona, por vezes, na destruição de áreas verdes para a construção de condomínios fechados, hotéis etc.
Todos os textos da coletânea, mais visivelmente a história em quadrinhos de Caulos, mostram uma certa tristeza ao abordarem este assunto. Um país cantado por Gonçalves Dias (autor da primeira fase do romantismo brasileiro que, aliás, enaltecia a imagem do Brasil e buscava uma identidade e um herói nacional, também poderia ser usado no desenvolvimento do texto) pelas suas belezas naturais como o céu cheio de estrelas, as várzeas, as flores, os sabiás e as palmeiras vê sua situação ambiental ser retratada com pesar através da alusão direta do poemaCanção do Exílio, de 1843. A carta do leitor da revista Galileu exprime, explicitamente, sua indignação com a declaração do ex-presidente norte americano George W. Bush, além do desabafo “Chega” do coordenador do Greenpeace.
Tomar este tom indignado, revoltado e de protesto pode ser um bom caminho, desde que de forma controlada, para desenvolver esta redação; já escrever totalmente o contrário e o impensado, concordar com o Bush, por exemplo, quando a coletânea vai pelo outro lado, com certeza é perigoso devido aos argumentos disponíveis. Obviamente o candidato pode discordar do viés temático da prova, principalmente quando um questionamento é posto já no tema, mas isso é mais fácil quando a proposta dá margem para essa discordância, o que não é o caso do ENEM 2001.
A proposta de intervenção social (quinta competência) tem de responder a este questionamento posto no enunciado do tema, um questionamento que busca a conciliação entre o interesses que conflitam quando o assunto é preservação ambiental: economia, política, alimentação, industrialização, desmatamento etc versus sustentabilidade, reflorestamento, preservação de florestas e de recursos naturais etc. Como alcançamos o desenvolvimento com o mínimo impacto ambiental? Aliás, que desenvolvimento buscamos?
Quanto mais elaborada, prática e aplicável for esta proposta de intervenção social melhor, pois maior será a pontuação dada, sempre respeitando os direitos humanos, já que todo tema de redação do ENEM possui um viés social. Esta proposta de solução, como todo o tema, pode ser mais abrangente, pois a coletânea trata do problema mundialmente e não apenas em relação à realidade brasileira, isto é, a proposta de intervenção social deveria abarcar os principais causadores da devastação ambiental: os países desenvolvidos e mais industrializados, juntamente com os emergente, com os que têm sua economia pautada na agricultura e na pecuária.